<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334</id><updated>2011-06-08T03:41:47.216-03:00</updated><title type='text'>Pisandro</title><subtitle type='html'>“Triste destino Zeus grande nos deu, para que nos celebrem,
Nas gerações porvindouras, os cantos excelsos dos vates.”
</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>87</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-2391663915841590499</id><published>2007-12-19T17:33:00.003-02:00</published><updated>2008-02-28T18:24:04.175-03:00</updated><title type='text'>Alessandro</title><content type='html'>Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muitas coisas que posso dizer sobre este blog e, particularmente, sobre os últimos posts. Vou dizer só algumas sobre o blog, porque senti que seria bom, e sobre Alessandro, de tabela. Tenho tentado, já há algum tempo, cada vez mais segurar minha forte tendência de explicar demais minha literatura de ficção - que só faz ficar mais forte conforme sigo (ou tento seguir?) na carreira de professor e pesquisador, onde afinal, estou sendo pago para explicar. Não que advogados sejam muito diferentes nesse sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o resultado infelizmente muito freqüente (pelo menos bem mais do que eu gostaria) dessa postura é que ninguém entende porra nenhuma, ou, pior, entende algo completamente diferente do que imaginei. Tá, tá, eu sei que parte da graça é deixar a obra aberta a interpretações - mas se há tanta diferença entre intenção e resultado, é sinal que provavelmente alguma coisa está dando errado, e provavelmente a culpa é do autor. Então vou me permitir "explicar" algumas coisinhas a respeito deste blog, particularmente aquelas que já não funcionaram, porque, até onde posso imaginar agora, o post anterior encerra definitivamente as atividades de Alessandro por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra começar, se você é um leitor atento - e sei que são poucos leitores - terá reparado que este é o primeiro post em primeira pessoa assinado com o meu nome (descontado um erro que cometi um bom tempo atrás), isto porque era parte da premissa do blog escrever apenas ficção, mesmo que travestida de realidade via Alessandro como narrador. Então, era essa mesma a idéia: uma nova estorinha com o Pisandro, narrada por ele como o romance havia sido, mas num formato de blog, até porque este era mesmo próximo do tom intimista do primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu? Difícil dizer. Em muita coisa vejo agora que faltou coerência - a começar com a brincadeira que acabei fazendo com alguns dos leitores que acharam que Alessandro era uma pessoa de carne o osso: ao invés de esclarecer, encorajei essa interpretação ou simplesmente não esclareci nada, o que certamente só obscureceu a real natureza dos textos e colaborou para manter o template sem nenhuma explicação. Pra piorar, respostas dele aos leitores nos comentários. Depois, a péssima idéia de fazer Alessandro conversar comigo em alguns dos primeiros posts...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas certamente o que mais dificultou foi a inexistência de um estilo marcado, que diferenciasse a escrita de Alessandro da minha. No começo, então, quando ele estava "em crise" e deixando de lado coisas como formatação correta, então, era pior. E ele ser parecido comigo era boa parte da graça - que não justifica, pelo contrário, piora, a falta de algo que distinguisse ou evidenciasse indiretamente essa diferença. O formato pelo qual conduzi a estória, isto é, posts opinativos que chegavam mesmo a lembrar os de meu blog anterior, também nada fizeram para tanto. Fechando tudo isto, estavam meus contos e crônicas, misturados no mesmo blog, descaracterizando-o como a proposta de contar uma estória em particular. E no fim das contas, a evidência que o leitor tinha para entender que Alessandro era o narrador de uma estorinha contada através de seus posts era apenas e somente a de que seu nome, e não o meu, era o que  os assinava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivendo, aprendendo, e esquecendo. Já Alessandro, continuo gostando dele, da forma que imagino seja típica para autores que gostam de personagens com pesados toques autobiográficos. Especialmente levando em conta o número crescente de "divinações" reveladas na estorinha dele (por isso entendendo-se coisas que acontecem com o personagem e depois aconteceram com o autor) que, no fundo, mostram de certa forma que ele é mesmo meu herói e que, quando crescer, quero ser como ele - e aí já vai a confusão de quem quer ser quem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E claro, parte do que gosto de Pisandro é que ele é um babaca - mais ou menos do mesmo jeito que gosto de Kryptus porque é um tirano homicida - e, como tal, me permite escrever babaquices em primeira pessoa (certo, mais babaquices do que o normal). Mais que isso, talvez, é muitas vezes meu alvo para a brincadeira do "do contra", em que o autor brinca de fazer seu personagem dizer, pensar ou agir exatamente da forma oposta a dele, pelos mais diversos motivos - o que, diga-se de passagem, funciona melhor ainda com os tais toques autobiográficos. Ou ainda porque, por ele ser um tolo (e ele é), com isso poderia ter a prerrogativa de dizer verdades que tolos dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, mesmo que herói, herói trágico, então ponha-se sérias restrições na parte de "quero ser quando crescer". A bem dizer, embora "oficialmente" mais velho, Pisandro é a criação de uma cabeça de adolescente, vivendo como um analfabeto emocional mascarado de Doutor - no fundo, penso que é esta a causa maior de seu pessimismo, angústia e revolta: que permaneça preso nas questões da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo os personagens mudam, seguindo os tempos e, naturalmente, seus autores. O que  tudo isto significa para este autorzinho aqui não é questão para este blog, mas sinto que o tempo desta estória, e mesmo dele, já passou. O que farei com o site não sei ainda; já tem sido cada vez mais difícil vir aqui escrever, mesmo estes posts de encerramento, e tenho outros projetos. Então, a princípio ele fica assim mesmo, parado, meio morto, até que eu ou tenha a disposição de revivê-lo com algumas das coisas que venho escrevendo ou começar outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até esse dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-2391663915841590499?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/2391663915841590499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=2391663915841590499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/2391663915841590499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/2391663915841590499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/12/alessandro.html' title='Alessandro'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-928774075804692153</id><published>2007-11-14T16:58:00.000-02:00</published><updated>2007-11-14T17:59:26.312-02:00</updated><title type='text'>Heitor - IV</title><content type='html'>Li a frase do post anterior, e pus-me a perguntar: não estava normal. E agora, estou? E como responder a isto sem estipular um "normal" próprio que dificilmente pode ter uma base empírica consistente? "Fui de um jeito antes" não serve. A bem dizer, "já fui de um jeito" é a única prova que temos de que jamais tornaremos a sê-lo novamente, únicos em cada momento por ser cada momento único. Então penso que já escrevi sobre isto antes, que estou me repetindo, e que isto é típico meu, "normal", e as teorias todas vão se misturando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei o que é que faço aqui: este é meu espaço livre da obrigação de coerência, e talvez por isso canse-me dele. Sinto que me urge recolocar a vida no lugar, um lugar diferente, e urge mais coerência no viver e mais tempo gasto no que escolhi como objeto de minha dedicação - ou menos tempo com bobagem. Vou parar de escrever aqui, deixar pra trás isto, largar mesmo, não quero mais saber desta merda de blog. Já teria mesmo parado se não fosse este post incompleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor esperto e assíduo já fez as contas 4 meses atrás, ao terminar de ler o post anterior. O que havia mudado em mim é que a a ficção havia me pregado uma peça, meu personagem começara a vingar-se de mim como eu planejara vingar-me nele: eu conheci Carla e me apaixonei perdidamente, como ele. E fui frustrado em minha esperança de escapar à solidão, como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha esperança foi tanta, ou talvez minha felicidade o tenha sido, que decidi compartilhá-la: fiz com que Heitor tivesse outra companheira, talvez até para que, quando escrevesse em seu nome, pudesse transbordar através dele minha felicidade. E quando Carla me arrasou, fiz o possível para arrasá-lo também, e poder através dele transbordar minha frustração e raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falhei. Heitor estava agora totalmente fora do meu controle. Os lamentos duraram pouco, logo substituídos por um novo romance, e desta vez uma coisa quase de sonhos: uma estranha que, em uma noite, tornou-se paixão avassaladora e, em não muito mais que isso, amor e companheira de todos os momentos. Eu havia criado Julia, esta outra personagem, que era para ele uma contraparte tão adequada que chegava a ser suspeita - deus, eu usei clichês ridículos como "nossa, você também fez teatro!", "nossa, você também gosta de (nome de banda)"! Quando fiz com que a resposta a "você conhece sandman?" fosse uma tatuagem da Delírio nas costas dela, entendi que havia cruzado a barreira do ridículo - e não sabia dizer porquê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o leitor deve estar entendendo, porque é mais fácil entender estas coisas quando lidas, quando se tem o tempo da reflexão. Eu entendi quando fiz isto, li e refleti sobre o Heitor que agora assinava meus textos, feliz com suas escolhas, feliz com sua cara-metade, e, como ele mesmo escrevia, pronto para fazer tudo de novo, sem se importar com os riscos de ser novamente frustrado. Entendi e tive medo, tive asco de mim mesmo e minha ingenuidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heitor não era minha vingança contra o mundo - se em algum momento o fora, não era mais; era, sim, meu desejo do mundo, a vida que eu almejava. Eu o criei com a intenção de destruí-lo e me justificar, mas tudo que consegui foi destruir minha justificativa: todas as semelhanças eram prova de que meus insucessos eram de mais ninguém, meus apenas; senão a prova factual, a prova que eu mesmo produzira, de minha alma. E eu o odiei, mas já não sei se ainda o odeio. No momento, não penso nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento, quero distância. Talvez, no futuro, nossos caminhos se cruzem novamente; mas até lá, espero ter me tornado um Alessandro diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, leitor. Se o blog te afeiçoa, podes continuar a passear por ele, pois não pretendo eliminá-lo; por outro lado, tampouco pretendo continuá-lo. Portanto, adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe um dia nos vejamos novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;(nota do autor: não, ainda não acabou. Tem mais.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-928774075804692153?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/928774075804692153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=928774075804692153' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/928774075804692153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/928774075804692153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/11/heitor-iv.html' title='Heitor - IV'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-6149016526433089811</id><published>2007-07-27T15:15:00.000-03:00</published><updated>2007-07-27T17:02:20.228-03:00</updated><title type='text'>Heitor - III</title><content type='html'>Agora penso que foi logo nesta altura que alguma coisa começou a dar errado com meu plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha meu narrador-protagonista prontinho, mas achei meus primeiros textos com eles fracos e tediosos. Cheguei à conclusão de que a falta de conflito o tornara enfadonho - o que era ótimo, já que parte do objetivo - e de que uma boa estória precisa de conflito; no caso, uma estória de fracasso e sofrimento precisaria de conflitos para serem perdidos. Dizendo de outra forma, não bastava que Heitor começasse já derrotado sem nunca tentar, era preciso que ele tentasse e fracassasse, não de qualquer jeito, mas absolutamente, que tentasse com o mais perfeito otimismo e falhasse tragicamente - idéia que era, de partida, totalmente contrária à idéia inicial, o fracasso do jamais tentado: o fracasso que me justificasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é o que dizem dos personagens, que lá pelas tantas parecem ganhar vida e tomar as rédeas da própria estória, quase como se nos puxassem a caneta pelo papel, os dedos pelo teclado. Antes que me desse conta, pus Heitor no caminho da tentativa: após 2 reprovações, toca a fazer prova para a OAB de novo; após anos exercendo uma profissão sem gosto, dei-lhe esperança com um ligeiro gosto pela pesquisa acadêmica; após anos de solidão auto-imposta, fi-lo deixar de frescura e correr atrás de mulher. Diabos, dei-lhe até uma atividade esportiva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, também gosto desta parte, ou gostava: Heitor, de Tróia, não era um guerreiro? Decidi que meu falso cabeça-fria teria uma permanente atração pelas artes marciais que, longe de torná-lo um atleta, apenas o frustrariam mais um grande bocado. Fi-lo pipocar de uma a outra ao longo da vida - judô, taekwondo, karatê - e então desistir. Mas, como a idéia agora era tentar de novo, tentei encontrar uma nova brincadeira para ele, o que aconteceu quando assisti a um a demonstração de kendô em um seminário (ruim) sobre cultura e religião nipônica em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kendô, se você não sabe, significa o "caminho da espada", que é o jeito firulento de se dizer "esgrima" no Japão, e é aquele esporte em que sujeitos de saiote vestem uma armadura feia, ficam gritando feito idiotas e batendo varetas de bambu nas cabeças uns dos outros. E "caminho" porque teoricamente aquilo não é nem uma luta nem um esporte, e sim uma "filosofia" praticada no dia-a-dia; ou seja, é a tentativa de metaforizar os gestos da luta para a vida, o que acaba resultando na moral "bata primeiro, pense depois" e numa série de postulados estilo mestre Yoda que mais parecem saídos de "Quem roubou o meu queijo?". Mas não me entenda mal, se você visse a apresentação ia sentir como se tivesse presenciado uma cena de filme de samurai ao vivo e querer entrar na academia no dia seguinte de manhã - bom, ao menos eu e meu personagem nos sentimos assim, logo, matriculei-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei uma outra olhada em meu personagem. Fizera-o tentar novamente, e lá estava ele: cheio de novos calos mas sem saiote ou armadura; ainda preso ao escritório todos os dias; apesar do cursinho, novamente reprovado na OAB; fora da seleção do mestrado, que julgara poder ser uma alternativa profissional; e ainda só. Estava orgulhoso de minha criação, mas não satisfeito - principalmente porque, sempre que relia seus (meus?) textos, sentia nele agora um otimismo que me era estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse a mim mesmo que não iria lhe dar mais chances, e sim prepará-lo para uma queda maior, mas olhando em retrospecto penso que ele e sua estória é que já me fugiam ao controle. Achei que ele devia ter a chance de tentar outra opção profissional, então deixei-o passar em uma outra seletiva de mestrado (o que deu uma boa estória em si); que não ia mesmo advogar, portanto que pegasse a carteira, resultando num recurso à prova, substancial aumento de nota e aprovação; e até que lutasse de saiote e armadura - ao que respondi com uma conjuntivite poderosa, pois doenças nos olhos são um grande medo pessoal meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando ele arrumou algo próximo de uma namorada percebi que estava indo longe demais e decidi tomar controle da situação: dei-lhe um pé na bunda, uma enxurrada de trabalhos e críticas, e um avô hospitalizado. Por um tempo deu certo, e ele pareceu mais normal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a essa altura, quem não estava mais normal era eu mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-6149016526433089811?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/6149016526433089811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=6149016526433089811' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/6149016526433089811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/6149016526433089811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/07/heitor-iii.html' title='Heitor - III'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-1203381992076481977</id><published>2007-07-26T19:34:00.000-03:00</published><updated>2007-07-27T15:10:00.333-03:00</updated><title type='text'>Heitor - II</title><content type='html'>Nome escolhido, fiz um mínimo para prosseguir a partir de 2004. Tendo sido bom aluno na escola, pensei que teria ingressado cedo na universidade, e estaria portanto formado; como porém o curso  a bem dizer muito pouco lhe apetecia, nele em nada destacou-se, nisso sofrendo criador e criatura do mesmo mal: saberem estudar apenas e sempre por prazer, mesmo quando com disciplina. Mas nisto não quis Heitor exatamente como eu, então cortei-lhe um dedinho de metodismo, pensando que isto em muito o desfavoreceria, ao que imediatamente acrescentei conseqüência - era formado, sim, bacharel em Direito, também, mas não advogado, não ainda. Havia uma prova para ingressar na OAB, disto eu sabia, e uma cuja taxa de reprovação era alta; então, reprovei-o. Duas vezes. Já tinha então parte da minha resposta para "o que tem feito Heitor desde a formatura?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia haver mais quanto a isto, decidi; mais por trás deste conflito com o Direito. Lembrei de meu pai, que tanto me queria promotor como ele, ou mesmo juiz ou algo do gênero, e tentei pensar no que teria sido de mim se tentasse seguir um caminho criado por outros; achei, por outro lado, porém, que a semelhança seria exagerada. Ao invés do pai promotor, fiz do avô, juiz; já o pai, havia decidido por sua morte prematura, e isto apenas ressaltou tal convicção. A vida estava sendo boa demais para Heitor, boa o bastante para começar a parecer pouco convincente, algo que a tragédia simples e repentina ajudaria a retificar; morre o pai aos seus 17, pouco antes do vestibular, daí em diante seria uma sutil ladeira abaixo. A família não faz pressão, mas ele é ingênuo o bastante para crer que gostará de algo que não lhe parece muito divertido, ou, mais importante, que isto pouco importa, já que está destinado a ser um grande escritor, independente da faculdade que curse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada queria com este Heitor sonhador e tolo, e sim com sua versão já levemente frustrada. E ao fim dos 5 anos de faculdade, 4 deles como estagiário, 3 destes com o avô, pensei tê-lo deixado mais ou menos no ponto. Ele detesta o que faz a maior parte do seu dia, detesta as pessoas com quem lida, sejam elas ou não da família, detesta de maneira geral o mundo que o rodeia. Não vê propósito ou motivo para fazer qualquer coisa que seja, portanto gasta seu tempo com besteiras em frente ao computador, entre jogos, blogs, filmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, o mais importante não era nada disto, e sim que Heitor fosse só, muito só. Não obviamente só: com família acolhedora, amigos muito próximos... e só. É lugar-comum dizer que a solidão é tamanha subjetividade, pode-se estar "sozinho numa multidão" e blá blá blá, mas permita-me acrescentar meu quinhão reciclado de filosofia barata a esta especulação. Diz-se que algo está perdido quando não está em seu lugar, logo só pode perder-se se houver lugar em que ele supostamente deva estar; que coisa, e qual o lugar dela, são campos a ser preenchidos de diversas formas. Para a solidão vale o mesmo, só que um pouco trocado ou mais específico: como se uma pessoa ou tipo de pessoa estivesse perdido de você, e você fosse o lugar que ela devesse achar, mas não acha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os solitários são todos uns egoístas. Especialmente os introvertidos - estes não valem um tostão. Também já foi dito que os introvertidos têm o jeito mais egocêntrico de chamar a atenção, isto é, simplesmente indo para um canto e acreditando serem tão bons e especiais que apenas isto baste; mas novamente um acréscimo: enquanto tentar a todo custo chamar a atenção não é sinal de atitude e, sim, de insegurança (como o clássico do moleque brigão que é maltratado em casa), a maneira solitária de chamar atenção caracteriza pessoas vigorosa, absoluta e estupidamente cheias de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se estás aí a pensar que falo de mim, então minha brincadeira já está dando resultados. Ora, direi novamente, é possível não falar de si? Usar o português não é falar de si? Falar sobre o mundo que você conhece, e não se pode falar de outro, não é falar de si? Enfim. Mas estou falando de Heitor, e pense lá o que quiser sobre o que isto significa, criei-o de tal forma que viesse a se sentir só, não porque o fosse ou porque não recebesse atenção alguma, e sim porque não o era da forma que julgava merecer, das pessoas ou do tipo de pessoas de quem queria chamar atenção, que no caso era um só tipo, e um tipo de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orgulho-me um pouco disto, sabem? Acho que a coisa toda funcionou mesmo porque, a partir do momento em que usei o nome, decidi usar um pouco como base também. Não é a característica marcante de Heitor, filho de Príamo, amar profundamente sua mulher (e ser por ela amado), ao contrário dos gregos que, como Aquiles, e aí novamente são opostos perfeitos, buscavam para o amor outros homens, para o prazer descomprometido, escravas, e deixavam às esposas o trabalho do parto legítimo? Meu Heitor seria assim, sem uma Andrômaca - mas achando que merecia uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui até generoso: dei-lhe um namoro aos 16 anos de idade e seu quinhão de casinhos; mas dei também ambição e pretensão muito maiores, e ao fim de 2004, ao começar minha história, o encontrei absolutamente frustrado e desesperançoso. A maldição parecia redondinha, perfeita: querer sempre alguém que se sabe não corresponder é a maneira mais segura de permanecer sozinho, permanecer sozinho é a maneira mais segura de não se decepcionar, não se decepcionar é a melhor maneira de continuar se achando o último copo d'água do deserto. Quase como o coiote correndo atrás do pápa-léguas, que só pode mesmo querer passar fome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-1203381992076481977?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/1203381992076481977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=1203381992076481977' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/1203381992076481977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/1203381992076481977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/07/heitor-ii.html' title='Heitor - II'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-4200939659595245327</id><published>2007-06-19T13:36:00.000-03:00</published><updated>2007-06-19T13:37:12.839-03:00</updated><title type='text'>Heitor - I</title><content type='html'>Poder-se-ia dizer muito dos motivos que têm me mantido mais e mais afastado deste blog, e que também são muitos. O mais certo seria culpar o trabalho - só que ultimamente ando achando difícil culpar o trabalho por qualquer coisa... é um palavreado que nos habituamos a usar para  nos queixarmos da atividade tediosa que trocamos por dinheiro e nos impede de realizar todas as outras coisas, estas sim, interessantes. E se temos um minuto de folga, corremos para o blog. Ou eu, no caso, aproveitava palestras, seminários de alunos e provas das quais tinha de "tomar conta" para rascunhar tolices em folhas rasgadas de caderno, que eu pouco revisava ao passar correndo para o blog. Também uma fuga de um destino cruel, de uma rotina medíocre e enfadonha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas mudam, mudaram. Possivelmente porque neste exato momento tenho retornado à pesquisa e me distanciado um pouco das aulas, e já vinha pegando menos delas antes - é uma coisa terrível que se obrigue um pesquisador a professorar, penso; a bem dizer, acho que nunca fui muito bom nesta última. Não desgosto, mas... Enfim, tenho, diabos, sempre tive, um trabalho estimulante, interessante, intrigante, e que julgo importante. A rigor, gosto bastante do que faço e sou até conhecido por isto, como costumo ser até nos piores momentos da vida. Que por um período eu tenha fugido disto, esta é a exceção; esta é a estranheza que não sei explicar. Mas tentarei fazê-lo, com esta historinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso não ser do conhecimento de todos que tenho um "projeto paralelo" a meus escritos neste blog; uma ficção em primeira pessoa de intenções pouco altruístas que tenho guardada em um .doc bem escondido e uma ou outra folha de caderno - lembrete aos que me acusem de escrever por sucesso: meus maiores esforços ficam reservados a mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia nasceu do mesmo período de frustração que gerou este blog, bem como a explosão de posts que o inaugurou, e tinha algo daquela noção batida de sermos algozes de nós mesmos e de como, no âmago de cada ser humano, podemos encontrar as linhas gerais de seu próprio descompasso, a contradição capaz de levá-lo à desgraça. E como a princípio pensava em incorporar esta idéia ao blog, ela teve seus espasmos de vida aqui; em especial diálogos meus em alguns posts e, claro, na criação do usuário-administrador, encarregado da maioria dos posts, das respostas aos comentários...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia? Coisas que nascem da frustração: autocomiseração, autojustificação, e uma pitada de vingancinha mesquinha. Eu pensei, fiz tudo que pude para tentar levar a vida que queria; fiz tudo que pude e sinto-me absolutamente infeliz e insatisfeito - e medíocre. Se aconteceu comigo, deve acontecer com mais alguém, e se não aconteceu, farei com que aconteça e demonstrarei como é possível e compreensível. Criarei esta criaturinha, com apenas o mínimo de problemas suficiente para torná-la crível, mais que compensados por um sem número de privilégios e mimos, semelhante à minha ao ponto que ninguém possa deixar de perceber a semelhança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e então a esmagarei e partirei em pedacinhos. Farei com que o mundo destrua seus sonhos, frustre seus planos e com que ele passe o resto de sua vida fictícia lamentando-se sozinho e se queixando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia bom. Se não boa literatura, bom o bastante para aquietar meu coração queixoso, soltando suas raivas em palavras e justificando minha infelicidade por um experimento controlado. Fui ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei do começo. A semelhança principiou pelo local da trama, Rio de Janeiro, Brasil, e seguiu com um protagonista do mesmo estrato social, crescido (ainda que não nascido) na mesma região (zona sul) e meio, com diversos traços de personalidade em comum: o tipo pouco atlético, leitor voraz com uma queda pelos clássicos, mais cheio de si do que talentoso, dotado do mesmo tipo de romantismo alienante e obcecado que é receita certa para a solidão; e, mais importante, com a mesma tendência à frustração e à depressão. Já as diferenças, escolhi-as cheio de segundas intenções: menos idade (para acompanhar por inteiro toda a trajetória decrescente), um temperamento mais instável (para torná-lo indisciplinado e levá-lo a cometer deslizes injustificáveis), uma orientação profissional absolutamente incondizente com sua ambição pessoal (direito - alguém já parou pra contar quantos escritores amadores, pintores, atores, desenhistas, etc. tornam-se advogados frustrados? Seria um longo tempo parado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um nome. Voltei às inspirações homéricas, mas nada de coadjuvantes com nomes repetidos e mortes rápidas, como acabou sendo comigo: já que podia escolher, então escolheria um dos grandes. Pensei nos gregos primeiro mais por reflexo: Agamenon tem um final trágico, mas é um nome horrível; por Odisseu, ou Ulisses, nunca nutri muita simpatia, e como se não bastasse ele é um dos poucos para quem tudo, ao final, dava certo; Diomedes até era intessante, por toda sua querela com Afrodite, especialmente para quem queria um personagem com desventuras afetivas, mas de alguma forma não parecia o bastante; já Ajax simplesmente não parecia o nome de alguém com a personalidade que eu queria, embora haja inúmeros elementos interessante em sua tragédia: a inabilidade de conquistar para si o que julgava merecer, o equipamento de um vencedor - a armadura de Aquiles -, que leva-o a usar o que já merecidamente conquistara de um derrotado para matar-se - a espada de Heitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heitor... Sim, eu estivera olhando para o lado errado do campo de batalha. Se quero um protagonista sofredor, um derrotado, porque o procuro entre os vencedores? E se vou escolher o nome de um dos troianos, então que seja mesmo ele, e não o sortudo Enéias, que escapa com vida e torna-se líder do que resta de seu povo, ou mesmo um menos lembrado como Glauco, morto por Ajax - e deus me livre de Páris, o mulherengo irresponsável. Muito mais interessante é o responsável, ponderado e humilde Heitor, que morre pelas besteiras de seu irmão; o talentoso e justo príncipe de um reino próspero que não queria nada mais do que aproveitar a vida ao lado de sua mulher e filho, mas está fadada sua cidade a cair, sua mulher a ser tomada por outro, seu filho atirado para a morte, e ele mesmo a ser cruelmente morto pelo orgulhoso Aquiles, de tantas formas seu oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-4200939659595245327?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/4200939659595245327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=4200939659595245327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/4200939659595245327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/4200939659595245327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/06/heitor-i.html' title='Heitor - I'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-116016287477426114</id><published>2007-05-24T19:23:00.000-03:00</published><updated>2007-05-24T19:25:10.024-03:00</updated><title type='text'>Canto III</title><content type='html'>Pra comemorar meu tempo livre, vou voltar a gastá-lo nesta besteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________________________&lt;br /&gt;Canto III - Juramento, Muralhas da Observação e o Combate Singular de Alexandre e Menelau&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exércitos gregos e troianos avançam para se encontrar no campo de batalha. Páris começa a se engraçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁRIS: Ih, lado A, lado B, rapá, o bicho vai pegar. Ah, muleque!&lt;br /&gt;HEITOR: Ai, saco...&lt;br /&gt;PÁRIS: Aí, mano, diz uma coisa. Quem é esse tal de Alexandre aí do título?&lt;br /&gt;HEITOR: É você, seu anormal!&lt;br /&gt;PÁRIS: Ah, é, esqueci que também tinha esse nome.&lt;br /&gt;HEITOR: Eu devo ter jogado pedra no Olimpo...&lt;br /&gt;PÁRIS: Aí seus grego otário! Otário!&lt;br /&gt;HEITOR: Caralho, começou...&lt;br /&gt;PÁRIS: Bando de viadinho, comeninguém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menelau avista Páris e fica loco de raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENELAU: Agora eu te pego filho da puta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai até Páris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENELAU: Pára de andar atrás da minha mulher. Que senão... eu dou-lhe um tiro! Eu sei que não dá mais pra mim, mas... eu faço todo o possível. E também estou cansado de sair na rua ouvir certas conversas como: lá vai o grande chifrudo.&lt;br /&gt;PÁRIS: Chifrudo? Eu soube exatamente o contrário, nada disso. Eu soube que... hm... soube que o senhor estava. Tava dando o negócio pros outro aí, pô.&lt;br /&gt;MENELAU: Além de ser folgado você é um grande filho da puta - retire-se.&lt;br /&gt;PÁRIS: Primeiramente eu não aceito ordens de bicha, entendeu?&lt;br /&gt;MENELAU: Olha aqui seu frangote, eu sou velho... e se você não se retirar daqui a 5 minutos, eu vou enfiar isso na sua bunda.&lt;br /&gt;PÁRIS: Aaaah, que é isso, rapá. Tá pensando que eu tenho a sua mania? Eu sou é homem, rapaz! Por que você não aproveita e enfia isso em você mesmo?&lt;br /&gt;MENELAU: Ahahahaha. Cê quer mesmo? Num dá jeito! Só, mas pra você ter uma idéia, só um instante, vamos ver se você é macho pra isso. Anda, venha logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menelau joga a espada pra Páris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁRIS: ôu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa a espada cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENELAU: Se cortou? Toma o meu lencinho!&lt;br /&gt;PÁRIS: Hmmm... quanta gentileza! Já tá botando as manguinhas de fora, hã?&lt;br /&gt;MENELAU: É... ehe.&lt;br /&gt;PÁRIS: Eu deixei cair uma coisa de grande utilidade!&lt;br /&gt;MENELAU: Você tem razão. Essa espada já me deu... muuuita alegria. Mas ainda não tenho o jeito... mas pego algum dia.&lt;br /&gt;PÁRIS: Se você tivesse a minha experiência...&lt;br /&gt;MENELAU: Por que que você não falou antes?&lt;br /&gt;PÁRIS: Eu fui obrigado a fazer cú dôce, entendeu? E eu não gosto de falar as coisas abertamente, assim, pra todo mundo, assim, me confessar o que eu sou realmente. Eu só lhe falei porque você. Você é igual a mim, sabe? É uma coisa que aconteceu comigo... quando eu era criança.&lt;br /&gt;MENELAU: Eu guardarei o seu segredo. Bichinha.&lt;br /&gt;PÁRIS: Ok, bichona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Páris volta pra junto dos troianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HEITOR: Porra, Páris, deixa de viadagem. Você tem que parar de frescura e enfrentar logo o Menelau pra gente voltar pra casa pra jogar unieléve.&lt;br /&gt;PÁRIS: Ah, mano!&lt;br /&gt;HEITOR: Tá com medo? Você é um covárrde, Le Roy, um covárrde!&lt;br /&gt;PÁRIS: Tá bom, eu vou mas... me dá uns buff antes?&lt;br /&gt;HEITOR: Que mané buff, o quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heitor vai até os gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HEITOR: Aê, bora resolver tudo num x1, Páris e Menelau. Perdeu um, perdeu o resto. Q Q 6 ACHÃO?&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Fmz.&lt;br /&gt;NESTOR: Eh noix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;Páris invites you to a duel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;Menelau accepts your duel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Nisso Íris vai chamar Helena pra ver a peleja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÍRIS: Vai lá, mulé, os homi tão brigando pra ficar com tu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em cima, Príamo e uma cambada sentam na arquibancada pra ver a luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRÍAMO: Minha filha vem cá! Assiste aqui no camarote com o sogrinho... e me explica quem é quem, que eu não enxergo nada sem meus óculos. Quem é aquele coroa ali?&lt;br /&gt;HELENA: /whois Agamémnone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agamémnone Human Warrior lvl 70&lt;br /&gt;&lt;micênios&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRÍAMO: E aquele com jeito mais moleque?&lt;br /&gt;HELENA: /whois Odisseu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odisseu Human Fiadaputa lvl 70&lt;br /&gt;&lt;Ítaca&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRÍAMO: E quem é aquele outro grandalhão?&lt;br /&gt;HELENA: /whois Ajaz 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sua mãe trepando seu fiadaputa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRÍAMO: Mas que grosseria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para de enrolar, seu véio, e deixa eu continuar a estória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRÍAMO: Tá bão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Príamo vai de carroagem firmar o pacto solene com os gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRÍAMO: É pacto de cuspe?&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: É o que for.&lt;br /&gt;PRÍAMO: Então toca aqui. Quem ganhar, ganha, quem perder, perde.&lt;br /&gt;ODISSEU: O véio tá gagá...&lt;br /&gt;PRÍAMO: E se alguém quebrar o juramento, que seus miolos estourem e caiam no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditem, esse juramento eu não inventei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odisseu e Heitor medem o campo de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ODISSEU: Pena que ainda não inventaram aquele sprayzinho pra marcar a grama do campo.&lt;br /&gt;HEITOR: Que grama? Aqui só tem terra dura!&lt;br /&gt;PRÍAMO: Fui.&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Ué, tu não vai ver a luta?&lt;br /&gt;PRÍAMO: Luta? Esses dois frangotes? Prefiro jogar damas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Príamo volta pra Tróia. Os duelistas vestem as armaduras, os elmos, as sombrancelhas e passam um batonzinho pra dar mais charme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HEITOR: Chega dessa enrolação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;ROUND... ONE... FIGHT!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENELAU: ABUGUEM!!&lt;br /&gt;PÁRIS: ÚLURÚRULÚ!&lt;br /&gt;ODISSEU: Argh, ele tá dando os pulinhos do Vega!&lt;br /&gt;HEITOR: Fala grosso, porra!&lt;br /&gt;MENELAU: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Meu santo Zeusinho padre Cícero, por favor me ajuda a matar esse filho da puta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atira a lança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁRIS: Pei! Morri.&lt;br /&gt;MENELAU:ÉÉÉÉ!!&lt;br /&gt;PÁRIS: Brinks, tô vivão.&lt;br /&gt;MENELAU: Filho da! Agora tu vai ver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menelau acerta em cheio a espada na cabeça dele, mas ela quebra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENELAU: Ah, tá de sacanagem!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afrodite intervém e enche tudo com névoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENELAU: Ei, quem soltou a lag grenade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afrodite leva Páris de volta ao palácio de Tróia. Vai falar com Helena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AFRODITE: Helena, meu bem, teu homi voltou!&lt;br /&gt;HELENA: Deixa de caô, sua sirigaita.&lt;br /&gt;AFRODITE: Caô nada e cala essa boca antes que eu quebre isso que você chama de cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena vai ver Páris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HELENA: Não acredito! Seu covarde, seu rato, seu, seu.&lt;br /&gt;PÁRIS: Mimimi, mimimi - calaboca logo e vamo pro quarto que eu tô a fim de dá uma trepada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobem pro quarto. Enquanto isso, no campo de batalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Absurdo! Exigimos vitória por WO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________________&lt;br /&gt;Continua... eu acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-116016287477426114?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/116016287477426114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=116016287477426114' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/116016287477426114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/116016287477426114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/10/canto-iii.html' title='Canto III'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-3011806249570787498</id><published>2007-04-18T17:58:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T18:05:21.326-03:00</updated><title type='text'>Estranho, porra...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Pra integrar a série “traumas de mestrado”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Dizem que se você fica muito com uma coisa na cabeça, ela acaba aparecendo no seu sonho. Pois depois de passar as duas últimas semanas basicamente só cultivando dor de cabeça por conta dessa coisa de teoria da alienação (ou seria estranhamento?), sem resolver direito o que é a tradução de quê pra quem... batata, Marx me aparece no sonho. De barbão e tudo, mas falando o mais perfeito carioquês. No bar.&lt;/p&gt;                                &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não sei que cês fica dando tanta bola para esse monte de merda que eu escrevi quando era moleque.&lt;br /&gt;- Porra, Marx, cara, fala sério, pelamordedeus, tu tem que me explicar essas merda, afinal de contas, qual é a diferença entre alienação e estranhamento, que que é um, que que é outro, que que é entäusserung, qual é entfremdung?&lt;br /&gt;- Heitor, meu filho, olha só, vou te explicar dum jeito que tu entenda. Ô, Engels, traz mais uma!&lt;br /&gt;- Diz aí, diz aí.&lt;br /&gt;- Olha, imagina que tu tem uma namorada, tá certo. Aí ela te larga, manda você embora porque tu é um canalha nojento, ou não dá atenção a ela, ou brochou, tá certo?&lt;br /&gt;- Certo nada, caralho!&lt;br /&gt;- Calma, rapá, é hipotético. Bom, a mulher te externou, te botou pra correr, expulsou de casa: entäusserung. Pegou?&lt;br /&gt;- Hm...&lt;br /&gt;- E agora, o entfremdung, é quando a mulher já tá com outro, depois de ter sido externada, ela foi apropriada por outro, e agora é um ente estranho, alheio a você, sacou?&lt;br /&gt;- Mas e o aufhebung, como é o aufhebung?&lt;br /&gt;- O aufhebung. O aufhebung é a superação, entendeu, a transição, a evolução pra outro nível.&lt;br /&gt;- Virou hippie, Karl?&lt;br /&gt;- Calaboca e volta pra tua cachaça, Proudhon! Mas é isso, imagina que você tá com aquela vadia que só tá atrás do teu dinheiro, dá pra Deus e o mundo, e aí você manda um “estanca, piranha!” e parte pra outra! Isso é aufhebung! Entendeu?&lt;br /&gt;- Num sei, acho que não...&lt;br /&gt;- Porra!&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Aí não sei bem o que aconteceu, momento seguinte estamos jogando Marvel x Street no fliper da Prado Júnior, e eu só lembro que o István Mészáros apareceu e me tirou da máquina com aquele combo roubado do homem-aranha, eu fico puto:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Que filha da puta apelão safado, como é que esse véio escroto aprendeu a jogar assim?!&lt;br /&gt;- Escroto eu posso ser... agora véio não! Agora eu vô embalangá minha capa... e vou fritar ocê!&lt;br /&gt;- Coé véio, tu tá meio... tá meio estranho.&lt;br /&gt;- Estranho entfremdung ou entäusserung?&lt;br /&gt;- Aaaargh!!!&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aí não sei que aconteceu que estávamos na rua, indo sei lá pra onde, o Marx pára tudo vira-se pra mim e diz:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                          &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pronto, é isso, quando o Mészáros te ganhou, ele te expulsou, te externou da máquina, isso é o entäusserung. Depois a máquina passou a ser dele, ficou estranha a você, entfremdung! Entendeu agora?&lt;br /&gt;- Ah! Agora entendi!&lt;br /&gt;- ... Putaquepariu, mas tu é muito nerd mesmo, eu tô aqui há meia dúzia de hora te explicando com exemplo de mulher e tu nada, é só aparecer um fliperaminha que tu já tá sabendo de tudo! Porra tu é muito bucha mermo!&lt;br /&gt;- Pô, cara, que é isso, eu até tenho namorada...&lt;br /&gt;- É, namorada? Pois parece que tem uns 10 anos que tu não vê uma buceta!&lt;br /&gt;- Mas que é isso, você.&lt;br /&gt;- Seu merda!&lt;br /&gt;- Eu tô falando... você é maneira de você falar, você é membro do partido comunista, é?&lt;br /&gt;- Sou, claro!&lt;br /&gt;- Mas num parece, tô te fazendo uma dissertação, você...&lt;br /&gt;- Fala grosso, porra! Caralho.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura, Marx citando o trote da Telerj deve ter ativado algum botão de “acorda” na minha cabeça. Se serve de consolo, acho que pelo menos as metáforas são válidas...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-3011806249570787498?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/3011806249570787498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=3011806249570787498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/3011806249570787498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/3011806249570787498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/04/estranho-porra.html' title='Estranho, porra...'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-117583440996920419</id><published>2007-04-06T01:38:00.000-03:00</published><updated>2007-04-07T19:45:11.103-03:00</updated><title type='text'>Julia</title><content type='html'>O que fui um dia me fugira&lt;br /&gt;O que sonhava ser, não sabia&lt;br /&gt;Ainda sem percebê-la, sentia-te, que&lt;br /&gt;o solo onde pisas se firma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acusa aos astros, nem as linhas.&lt;br /&gt;Teu encontro é que formou o horizonte – pois&lt;br /&gt;o solo onde pisas se firma –&lt;br /&gt;e lá no fundo negro de teus olhos, fica comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho agora contigo.&lt;br /&gt;O solo onde pisas se firma,&lt;br /&gt;chão descalço de nossos lares e ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajustas tuas passadas largas às minhas.&lt;br /&gt;Olhar oblíquo, voz suave, agir firme,&lt;br /&gt;sorriso, sono, beijos, carinhos, manias&lt;br /&gt;(amor em constante lembrança).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O solo onde pisas se firma:&lt;br /&gt;O que fui um dia me foge:&lt;br /&gt;O mundo exagerado foge:&lt;br /&gt;Tudo vejo, lembra-me,&lt;br /&gt;deste vasto amor que sinto por ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-117583440996920419?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/117583440996920419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=117583440996920419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/117583440996920419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/117583440996920419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/04/julia.html' title='Julia'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-117583041728307148</id><published>2007-04-05T23:24:00.000-03:00</published><updated>2007-04-06T00:33:37.296-03:00</updated><title type='text'>Conversa Fiada</title><content type='html'>Estive pensando. Na verdade estive pensando em inúmeras coisas no longo vão de tempo que separa este dos meus últimos posts, mas de maneira geral tenho achado muito pouco que pareça valer à pena ser escrito. Porém uma das primeiras coisas nas quais pensei acho que valeria o registro, então estou achando por bem registrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pensei: pelo menos ela foi sincera. Ela disse: "não gosto de você o bastante". Não se pode criticar isso, não se pode rebater. Digo, claro, pode-se até contestar o gosto, dizer "claro que gosta, você disse que me amava! nós ainda nos amamos" etc., mas se ela realmente não gosta, e, sou obrigado a crer, no caso não gostava mesmo, caso encerrado. Não consigo pensar em motivo melhor para terminar uma relação - talvez porque ele seja, a exceção dos casos fortuitos e forças maiores, o único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor certamente já teve de engolir, e/ou já tentou (ou mesmo conseguiu) enrolar alguém com motivos "circunstanciais" para o término de uma relação, tais como (vamos deixar de lado o "moramos muito longe um do outro", porque este é mais complexo):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- preciso me dedicar ao meu trabalho/estudo&lt;br /&gt;- tenho que cuidar da(o) mamãe/papai/vovó/titio/cachorro/papagaio&lt;br /&gt;- não vamos dar certo, somos muito diferentes&lt;br /&gt;- não estou pronto(a) pra uma relação séria&lt;br /&gt;- gosto de você, mas não somos sexualmente compatíveis (essa é particularmente cretina e pseudo-esclarecidinha)&lt;br /&gt;- e a mãe de todos eles: acho que estou precisando ficar sozinho(a)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permitam que eu me demore neste. Não vou teorizar algo na linha "o ser humano nunca quer ficar sozinho, pois é um animal social" (até porque não é, mas vamos deixar as traduções ruins de Aristóteles pra outra hora); acredito que há pessoas que precisem, sim, ficar sozinhas. Quando percebem esta necessidade, estas mesmas pessoas fazem um mochilão por trilhas na mata atlântica, fogem para as cavernas do Paquistão, escalam o Everest, ou adotam uma variante qualquer destas atividades heremitas. Já o seu(ua) namorado(a) está só mentindo, mesmo que não tenha se dado conta disso. E a mentira feia e malvada que ele(a) está contando tem até nome: transferência de responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de ilustração, a idéia de conto-paródia que deixo de executar na íntegra pela falta de habilidade e paciência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine Romeu jogando as pedrinhas na sacada de Julieta. A moça aproxima-se, ele cospe toda aquela prosa shakespeariana tão bela e parodiável, mas Julieta não parece impressionada. Ela, pelo contrário, resmunga algo como "é, eu também acho tudo isso muito legal e gostei de ficar com você, mas acho melhor a gente parar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas, mas eu te amo! Nós nos amamos!"&lt;br /&gt;"É, Romeu, eu sei, mas não é por mim... é que, as nossas famílias. Elas se odeiam. Não vai dar certo."&lt;br /&gt;"Mas!"&lt;br /&gt;"Nós temos que encarar as coisas com realismo, com maturidade..."&lt;br /&gt;"Maturidade? Você só tem 15 anos!"&lt;br /&gt;"Então, somos muito novos ainda, e ainda vamos conhecer outras pessoas, não precisamos ficar nos precipitando..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história? O que está faltando a esta Julieta aqui dizer? Onde está sua desonestidade? A Julieta que conhecemos arriscou tudo, tudo pelo seu amor, e pagou com a vida. Claro, ela talvez não amasse de fato, estava apenas muito apaixonada (toda essa confusão dos ingleses, que não tem as palavras para diferenciar uma coisa da outra), e claro, talvez fosse apenas um bode expiatório para se rebelar contra sua família ou vá lá o que seja. Mas ela acreditava gostar dele o bastante para que nada fosse considerado obstáculo; um hábito altamente insalubre, mas ilustrativo. Porque agora, o que minha Julieta parodiada acima não está dizendo é o exato oposto do que a de Shakespeare diz: onde uma declara "eu arriscaria tudo por você, abriria mão de tudo por você", a outra omite "eu não abriria mão de tudo por você, e há coisas, muitas coisas, que me fariam, e no caso agora me farão, deixá-lo, porque eu simplesmente não gosto de você o bastante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale o mesmo para todos os meus exemplos acima, assim como provavelmente a maioria ou mesmo todas as experiências do leitor. Acrescente sempre "não gosto o bastante de você" e tudo fará sentido, e como de forma muito pouco original gosta de cismar meu camarada Cristóvam, no fundo as tramas mais complexas têm as causas mais simples. Reescreva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu não gosto de você o bastante para abrir mão de me dedicar ao meu trabalho/estudo&lt;br /&gt;- não gosto de você o bastante para deixar de cuidar da(o) mamãe/papai/vovó/titio/cachorro/papagaio&lt;br /&gt;- não gosto de você o bastante para darmos certo, somos muito diferentes e não estou disposto(a) a mudar por você&lt;br /&gt;- não gosto de você o bastante para estar pronto(a) pra uma relação séria contigo, mas estarei pronto(a) quando aparecer alguém de quem realmente gosto muito&lt;br /&gt;- não gosto de você para tentar descobrir porque não somos sexualmente compatíveis, especialmente se isso envolver admitir que tenho problemas&lt;br /&gt;- não gosto de você e acho que prefiro ficar sozinho(a)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Pelo menos, penso eu, pelo menos dessa vez não tive que ouvir esse tipo de conversa fiada. Pelo menos, acho eu, nunca tentei enrolar alguém dessa forma. E pelo menos, acredito, se estou conseguindo enxergar alguma coisa, qualquer coisa, de positivo em toda essa história de fim de namoro ou sabe-deus-o-quê... então acho que já devo estar melhorando. E talvez eu saiba o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou deixar pra falar disso quando tiver mais paciência, menos trabalho, e, quem sabe, ainda mais otimismo. O blog pode até estar meio morto, mas talvez eu ainda tenha jeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-117583041728307148?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/117583041728307148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=117583041728307148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/117583041728307148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/117583041728307148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/04/conversa-fiada.html' title='Conversa Fiada'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-117103448832250090</id><published>2007-02-09T12:41:00.000-02:00</published><updated>2007-02-09T13:23:24.323-02:00</updated><title type='text'>Resistir é Preciso, Viver ...</title><content type='html'>Mas naquele momento subiu-lhe pela espinha um ímpeto repentino, palpitou-lhe no imo do peito um desejo irresistível de resistência, um ranço odioso sobre o qual empilharam-se todas as injustiças a que fora submetido em vida, grandes, médias, pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao ver o alvo de seu ódio aproximar-se ao longe, percebeu que o medo desaparecera. E que não se importava mais que o risco de derrota e até da morte fosse grande, e a chance da vitória, pequena: a enorme massa metálica que aterradora no horizonte parecia-lhe insignificante; e justamente o pedaço de terra sob o qual pisava, que tanto ouvira ser chamado insignificante, é que lhe parecia o mais precioso bem do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Basta!", pensou. Bastava de fugir, de correr, de ceder! Chega-se a um ponto em que é preferível mesmo morrer tendo-se defendido de modo adequado, a viver de outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia mesmo ouvir, ao longe, o lamento de seus companheiros, implorando para que considerasse. Mas sua decisão era definitiva; sua determinação, absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Zeca. Zeca! Sai daí, Zeca!&lt;br /&gt;- Não posso, meu amor. É algo que tenho de fazer.&lt;br /&gt;- O carro, Zequinha, o carro vai te atropelar se você não sair daí.&lt;br /&gt;- Eu estou na faixa de pedestre, Lucrécia.&lt;br /&gt;- Mas, Zequinha -&lt;br /&gt;- Nada de mas, meu amor. Chega de injustiça: eu preciso resistir.&lt;br /&gt;- Você é que sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: esse negócio de lutar contra a injustiça a qualquer preço, meninos e meninas, é uma furada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-117103448832250090?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/117103448832250090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=117103448832250090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/117103448832250090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/117103448832250090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2007/02/mas-naquele-momento-subiu-lhe-pela.html' title='Resistir é Preciso, Viver ...'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-115967054838239276</id><published>2006-09-30T23:35:00.000-03:00</published><updated>2006-09-30T23:44:58.506-03:00</updated><title type='text'>Revezamento</title><content type='html'>Cidadãos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de atraso neste país! Devemos defender nossos direitos, mas não nos opondo ao progresso e à mudança, e sim incentivando-os!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os níveis galopantes de desemprego que assolam a nação não podem ser combatidos abrindo mão dos direitos trabalhistas, mas nem muito menos mantendo estas fórmulas ultrapassadas e populistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eleito, proponho uma mudança total na legislação: empregos e salários para todos, em esquema de revezamento. Cada emprego terá cinco contratados, que dividirão seu salário e seu horário de trabalho. Aqueles portadores de carteiras de trabalho terminadas em 0 e 1, trabalharão nas segundas; os de terminadas em 2 e 3, nas terças, e assim por diante, com sorteios para aqueles trabalhos em fim de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um novo tempo, uma nova sociedade pós-industrial! Com minha lei, não viveremos mais numa sociedade de massas - viveremos numa sociedade de rodízio de massas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para Federal, vote Giuseppe, o Cozinheiro Italiano!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-115967054838239276?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/115967054838239276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=115967054838239276' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115967054838239276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115967054838239276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/09/revezamento.html' title='Revezamento'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-115812735582550680</id><published>2006-09-13T01:22:00.000-03:00</published><updated>2006-09-13T03:02:35.866-03:00</updated><title type='text'>Canto II</title><content type='html'>Sabe, acho que só estou escrevendo esta besteirada pq sinto q se não fizer alguma coisa contraproducente a vida vai deixar de fazer sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CANTO II - Sonho, Teste e Beócia ou O Catálogo das Naus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos dormem, menos Zeus, que é um deus simpático, agradável, no entanto fica perdendo seu tempo com bobagem. Ele conversa com Sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ZEUS: Mas vamos bolar um plano para enganar o Agamémnone, Sonho. Eu sei de um plano.&lt;br /&gt;SONHO: Eu também sei seu porra.&lt;br /&gt;ZEUS: Você vai entrar no quarto dele, vai... Não, correção!&lt;br /&gt;SONHO: Uhn?&lt;br /&gt;ZEUS:  Você vai se fantasiar como mulher do Agamémnone. Você vai se fazer passar pela mulher do Agamémnone. Você vai dormir uma noite com o Agamémnone. Você vai se fantasiar de viado.&lt;br /&gt;SONHO: Glup! Merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho não se fantasia, mas vai à tenda de Agamémnone e enche ele de idéia errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONHO: Aí, hoje vai dar até pra tirar a camisa, hein? Vai matar geral! Geral!&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Ah, moleque!&lt;br /&gt;SONHO: Sem neurose, sem caô, Zeus manda avisar que pode partir feroz, porque os troianos vão rodar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agamémnone acorda e imediatamente vai chamar os chefes dos gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Pessoal, hoje um sonho me visitou com uma mensagem direta de Zeus. Ele disse assim: "Sem neurose, sem caô, Zeus manda avisar que pode partir feroz, porque os troianos vão rodar!"&lt;br /&gt;DIOMEDES: Nós acabamos de ler isso duas linhas acima!&lt;br /&gt;ODISSEU: Seu ignorante, não sabe que o estilo Homérico é baseado na repetição?&lt;br /&gt;NESTOR: Hora do pau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saem para falar com o povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Pessoal, sei que vocês querem bater nos troianos, mas... Estou morrendo de cansaço, vam´bora meninas, vam´bora. Eu vou embora, tchau queridos.&lt;br /&gt;GREGOS:  Hein?!&lt;br /&gt;CHEFES GREGOS: Hein!?&lt;br /&gt;HERA: Hein!?&lt;br /&gt;ATENA: Ué, nós não estávamos dormindo?&lt;br /&gt;HERA: Esquece isso e vai lá impedir esse corno de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atena desce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATENA: Odisseu, não dá mole, não deixa esse corno ir embora.&lt;br /&gt;ODISSEU: Ah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odisseu passa uma descompostura nos soldados que pensavam em ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ODISSEU: Peidorrentos!&lt;br /&gt;TERSITES: ... esse Agamémnone acorda pra sacanear um, tem que mandar logo tomar no cú!&lt;br /&gt;ODISSEU: Seu Tersites.&lt;br /&gt;TERSITES: Pra puta que pariu! Filho da puta! Filho da puta!&lt;br /&gt;ODISSEU: Calma filho da puta! Calma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odisseu dá uma paulada em Tersites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ODISSEU: Só não te dou outra porque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fala a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ODISSEU: Ó, não peidem não, hein!?&lt;br /&gt;NESTOR: É! Er... é sério isso, Agámemnone?&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Brink's, vamos ficar. Aprontem um churrasquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprontam o churrasco, oferendam um pouco pra Zeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ZEUS: Hmmm... toucinho!&lt;br /&gt;NESTOR: Chefe, afinal, quanta gente veio pra essa merda de guerra, hein?&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Er... sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agamémnone sai e começa a contar as naus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: 987, 988, novecentos e... merda, aquela onda me atrapalhou. Não vou mais contar porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda até as tropas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Aí pessoal, cansei de contar barquinho. Vamos começar meu joguinho favorito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agamémnone pega a pauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Chamada!&lt;br /&gt;BEÓCIOS: Presentes!&lt;br /&gt;ASPLEDONENSES: Presentes!&lt;br /&gt;FOCIDENSES: Presentes!&lt;br /&gt;LÓCRIOS: Presentes!&lt;br /&gt;AJAZ 2 : Presente. Ei, ei, peraí, como assim, "Ajaz 2"?&lt;br /&gt;EUBEIENSES: Presentes!&lt;br /&gt;ESTIRENSES: Presentes!&lt;br /&gt;ATENIENSES: Presentes!&lt;br /&gt;AJAZ 1: Presente.&lt;br /&gt;AJAZ 2: Ei! Por que eu tenho que ser o 2? Aliás, por que 1 e 2, custa escrever o sobrenome?&lt;br /&gt;ARGIVOS: Presentes!&lt;br /&gt;DIOMEDES: Presente.&lt;br /&gt;AJAZ 2: Ajaz Oileu, Ajaz Telamônio! Viu? Não é difícil!&lt;br /&gt;MICENENSES: Presentes!&lt;br /&gt;CORINTIANOS: Vai curingão, vai mano!&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Que mano, o que, sai pra lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, essas torcidas organizadas são muito violentas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESPARTANOS: Presentes!&lt;br /&gt;MENELAU: Mano, posso ir no banheiro?&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Não, você ainda tá de castigo por ter perdido sua mulher.&lt;br /&gt;MENELAU: Mas eu tô apertado...&lt;br /&gt;NESTOR: Presente.&lt;br /&gt;TRÁCIOS: Presentes!&lt;br /&gt;AJAZ 2: Não, é sério, que tal então Ajaz T e Ajaz O?&lt;br /&gt;BUPRASE... BUPRASENSES? BUPRASIANOS? COMO SE CHAMA QUEM VEM DESSE LUGAR?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei lá, e alguém se importa com esses putos? Eles nem aparecem mais na estória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Vamos andar logo com isso aí?&lt;br /&gt;DULIQUI... DULIQUINENSES? DULIQUINÉSIOS?&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Ah, pelo amor de... Odisseu!?&lt;br /&gt;ODISSEU: Presunto!&lt;br /&gt;TOANTE: Engraçadinho...&lt;br /&gt;AJAZ 2: Não preferem? Letras ficam melhor que números! Até porque os numerais árabes ainda vão levar séculos para serem inventados...&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Tá, chega de merda! Idomeneu, Cretenses, Meríones, Ródios, Teplólemo, blábláblá... todo mundo aqui.&lt;br /&gt;AJAZ 2: Pô, gente, isso é tão injusto... a maioria das pessoas nem imagina que tenha mais de um Ajaz nessa guerra. Quer dizer, Pedro, Paulo, João, a gente espera ver mais de um... mas Ajaz?&lt;br /&gt;AJAZ 1 : Quer calar a porra da boca?!&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Todo mundo... menos os Mirmídones e o Aquiles! Hahahaha! Falta pra você, Aquiles! Mais uma e vocês serão reprovados!&lt;br /&gt;GREGOS: ...&lt;br /&gt;ODISSEU: Cara, duvido que os troianos tenham que aturar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, em Tróia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HEITOR: Quem quer lutar com os gregos põe o dedo aqui! Que já vai fechar!&lt;br /&gt;ENÉIAS, ACAMANTE, ARQUÉLOCO, PÂNDARO, ADRASTO, ANFIÃO, ÁSIO, PILEU, PELASGO, EUFEMO, PIRACME, PILÊMENES, EPÍSTROFO, ODIO, CRÔMIS, ENOMO, FÓRCIS, ASCÂNIO, ÁNTIFO, MESTLE, NASTES, ANFÍMACO, GLAUCO E SARPÉDONE:&lt;br /&gt;Eeeeeeeeeeeeeeeeu!!!&lt;br /&gt;PÁRIS: Pô, mano, estranho esse negócio de por o dedo... sei lá, inclua-me fora dessa.&lt;br /&gt;GLAUCO: E alguns desses caras aí em cima já até morreram!&lt;br /&gt;POLIDAMANTE: Cara, duvido que os gregos tenham que aturar isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-115812735582550680?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/115812735582550680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=115812735582550680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115812735582550680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115812735582550680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/09/canto-ii.html' title='Canto II'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-115723184140673342</id><published>2006-09-02T18:10:00.000-03:00</published><updated>2006-09-02T18:17:21.420-03:00</updated><title type='text'>Tome isso, Homero!</title><content type='html'>Enfim, depois de muito tempo eu decidi que esse tal Homero é um mané. A estorinha até que é boa, mas ele faz uns versos gigantescos, enrolados, repete inúmeras vezes, é cheio de frescura, e ninguém tem paciência pra ler...  É chegada a hora de renovar, de adaptar essa obra pros tempos modernos! Então, enfim, decidi que devo, como diria o imortal Bender, fazer minha própria versão da Ilíada, com jogos e prostitutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode até ficar uma merda, mas eu vou me divertir paca fazendo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CANTO I – A Peste e a Ira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, dê-me forças pra conseguir contar o grande chilique que teve Aquiles, por conta do qual um monte de gente morreu, perdeu braço, perna, prega, enfim, foi uma merda só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto do acampamento dos gregos, Crises vem falar com Agamémnone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRISES: Ó só, Agá, tô cagando se vocês destroem Tróia, alopram geral... levar minha filha é sacanagem, pô, sou sacerdote, pô, isso, isso num se faz não, fião. Devolve ela aí.&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Agá, quem cê tá chamando de Agá, isso é maneira de você falar? Você é sacerdote de Apolo?&lt;br /&gt;CRISES: Sou, claro.&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Mas num parece, eu tô aqui tentando dirigir um exército.&lt;br /&gt;CRISES: Ó só, Agá, tu fica esperto, hein? Tu fica na tua. Senão vou chamar o Apolo, aí o bicho vai pegar pra tu. Favor respeito.&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Respeito de cu é rola, seu véio. O meu negócio agora vai ser papar tua filhinha dia e noite até ela morrer velhinha lá em casa, e sai daqui se não quiser levar uns pipoco!&lt;br /&gt;CRISES: Er...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Crises vai rezar pra Febo Apolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRISES: Aí Apólou, Apólo! Sacanagem aí, o maluco te desafiou, hein, falou que tua mãe tem cabelo no dedo do pé! Desafiou que eu vi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Apolo pega o arco e flecha e faz chover praga pra cima dos gregos por 9 dias. Todo mundo se fode. Aquiles fica boladasso e chama a galera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AQUILES: Galera, tô boladasso, assim não dá. Vamo consultar um adivinho, um pai de santo, qualquer coisa aí porque parece que rogaram uma praga pra cima da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Levanta-se Calcante, que vaticina, joga cartas, búzios e traz a pessoa amada em 3 dias, satisfação garantida ou seu boi de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CALCANTE: Olha, eu falo, eu falo, mas me garante aí, Aquiles, que vai ter gente, que eu não vou dizer o nome ainda não, mas vai ter gente, que vai ficar putinho comigo.&lt;br /&gt;AQUILES: Tem treta não, mermão, tá comigo, tá com Zeus.&lt;br /&gt;CALCANTE: Foi o Agamémnone, foi ele quem começou sim, que eu vi! O Crises veio aí...&lt;br /&gt;AQUILES: O Cruzes?&lt;br /&gt;CALCANTE: Crises.&lt;br /&gt;AQUILES: Que nome de gibi da DC.&lt;br /&gt;CALCANTE: Então, ele veio pedir a filha de volta, a Criseide, e o Agamémnone mandou ele sair varado se não quisesse levar uns pipoco. A gente devolve ela que Apolo vai parar na hora, pode confiar.&lt;br /&gt;AGAMEMNÓNE: Seu bruxo de merda, seu filho duma puta, safado, sem vergonha! Eu nunca fui com a tua cara! Vai querer que só eu largue da minha? Sacanagem!&lt;br /&gt;AQUILES: Coé, pão-duro, tu já é cheio da bufunfa... segura tua onda, quando a gente passar os troianos, vai sobrar mulézinha pra ti, patrão.&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: É o caralho!  Eu vou querer uma escrava aí, tenho um vale-escrava!&lt;br /&gt;AQUILES: Mas que filho da puta olha aí veja você! E querem que a gente siga ordens desse escroto? Todo mundo se fode, mas beleza, tá tranqüilo. Agora tu ainda por cima vai querer levar escrava dos outros? Aí não!&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Tá se engraçando pra cima de mim? Ah, não, agora vou levar é a tua escrava, a Briseide, aquela gostosinha, só pra tua aprender quem manda nessa bagaça.&lt;br /&gt;AQUILES: CUMÉQUIÉ CUMPÁDI?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Atena desce do céu para falar com Aquiles antes que ele saque a espada e saia fazendo merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATENA: Pô, Aquiles, pega leve aí, que a tua hora vai chegar. Se quiser xingar, xinga, mas num toca o rebu, não.&lt;br /&gt;AQUILES: Er... tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Atena vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AQUILES: Filho da puta cretino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Nestor se levanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NESTOR: Pô, gente, vamos ser da paz!...&lt;br /&gt;AGAMÉMNONE: Paz! Cala essa boca!&lt;br /&gt;AQUILES: Quer levar a mulézinha, leva, mas depois agüenta as conseqüênciassssss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Aquiles tem um chilique, joga o cetro no chão e sai. Agmémnone manda levarem Criseide para o pai, e depois apanharem Briseide na tenda de Aquiles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁTROCLO: Santo roubo de escravos, Aquiles! São os emissários de Agmémnone!&lt;br /&gt;AQUILES: Acompanhe os moços, menino-prodígio. Você tem muito que aprender com eles.&lt;br /&gt;PÁTROCLO: Ui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Pátroclo vai com eles. Aquiles vai até a praia e começa a choramingar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AQUILES: MANHÊEEEE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Chega Tétis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TÉTIS: Que foi, filhinho?&lt;br /&gt;AQUILES: O Aga, Aga, chuif, chuif, o Agamémnone! Ele, ele levou a minha escravinha! UÁAAAAAA!&lt;br /&gt;TÉTIS: Oh, pobrezinho, vem aqui com a mamãe, vem. Agora fica bem calminho, tá? Que a mamãe vai lá falar com titio Zeus, e vai consertar tudinho pra você, tá bom? Agora toma um pirulito.&lt;br /&gt;AQUILES: Êeeeeeee!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Odisseu chega com Criseide até Crises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ODISSEU: Tô na área. Tua filha aí, ó.&lt;br /&gt;CRISES: Opa! Aí, Apolo! Suspende a praga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Apolo suspende a praga. Tétis vai até Zeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ZEUS: Chega mais, minha gostosa!&lt;br /&gt;TÉTIS: Ai, Zeusinho, querido... sabe o que eu queria meeeesmo? Que os Troianos dessem umas porradas nos gregos, pro Agmémnone deixar de ser besta.&lt;br /&gt;ZEUS: Iiih...&lt;br /&gt;TÉTIS: Ai, deixa, vai, deixa, vai, diz que sim, diz que sim, diz que sim, vai, siiiiiiiim?&lt;br /&gt;ZEUS: Tá, mas fica no sapato senão a Hera vai me encher a paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Tétis vai embora. Zeus vai encontrar os outros deuses, e Hera desconfia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HERA: Zeus Crônica Potente Que as Nuvens Cumula da Conceição Tavares! Que perfume barato é esse?!&lt;br /&gt;ZEUS: Er...&lt;br /&gt;HERA: Eu sabia! É da Tétis, aquela sirigaita! Aquela piranha!&lt;br /&gt;ZEUS: Er...&lt;br /&gt;HERA: Você andou se engraçando com ela? Ela pediu pros troianos ganharem, não foi? Hein?&lt;br /&gt;ZEUS: Ah, cala a boca e não enche o saco, porra! Quer apanhar?&lt;br /&gt;HERA: ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Hefesto chega com uma taça de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HEFESTO: Pô mãe, fica assim não, bebe aqui um vinhozinho.&lt;br /&gt;HERA: ... tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Hera bebe. Os outros deuses todos bebem. Apolo faz um mega-solo de lira, rola uma fuleiragem desgraçada e todo mundo toma um porre. Acordam numa boa, que deus não tem ressaca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-115723184140673342?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/115723184140673342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=115723184140673342' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115723184140673342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115723184140673342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/09/tome-isso-homero.html' title='Tome isso, Homero!'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-115541960573695700</id><published>2006-08-12T18:49:00.000-03:00</published><updated>2006-08-12T18:53:25.746-03:00</updated><title type='text'>Mandinga</title><content type='html'>&lt;em&gt;"O homem que diz "dou" não dá, porque quem dá mesmo não diz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O homem que diz "vou" não vai, porque quando foi já não quis&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O homem que diz "sou" não é, porque quem é mesmo é "não sou"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O homem que diz "tô" não tá, porque ninguém tá quando quer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;... nunca gostei de samba, e agora fico carregando essas irritantes odes ao sofrimento do Vinícius comigo. Ódio ao que amamos, ódio ao que amamos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandinga? Eu, que nunca gostei de samba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carla, sua filha da puta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-115541960573695700?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/115541960573695700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=115541960573695700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115541960573695700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115541960573695700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/08/mandinga.html' title='Mandinga'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-115540822105524486</id><published>2006-08-12T14:36:00.000-03:00</published><updated>2006-08-12T15:43:41.106-03:00</updated><title type='text'>Farsa</title><content type='html'>O mundo, parece, não tem mais lugar para mim - regresso à farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A dama negra partiu meu coração e chorei, em meu quarto sozinho, mas enquanto me lamentava, em algum lugar dentro de mim, eu estava rindo. Pois eu sabia que poderia tomar meu coração partido e colocá-lo no palco do The Globe, e fazer a platéia derramar suas próprias lágrimas."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Repita-se o clichê, Neil Gaiman, eu o odeio! Deus do céu, como eu o odeio, como é possível odiar tanto aquilo que se ama?! Odiar aquilo que esteve comigo durante alguns dos mais felizes momentos da minha vida, que é parte essencial até daquilo que os causou? Como é possível odiar a felicidade passada, apenas por não estar mais presente?! Ela sempre dos estados do ser o mais efêmero?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Deuses vêm e vão. Mortais lampejam, reluzem e se apagam. Mundos não duram. Estrelas e galáxias são coisas transitórias e fugidias que piscam como vagalumes e se desfazem em pó e frieza. Mas eu posso fingir."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É terrível e maravilhoso que eu esteja escrevendo isto e o tempo não vá apagar estas palavras tão cedo, para que eu posso amanhã vir ver o estado de ridículo a que fui submetido e quem sabe rir ou me envergonhar dele - ou, talvez, a memória traga-me o choro. E é maravilhoso que eu possa fingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finjo agora, todos os dias, ao falar com qualquer pessoa que me dirija a palavra, estar vivendo uma vida normal. E quando me perguntam: "tudo bem", respondo-lhes que "sim, tudo"; e se algum amigo comenta que pareço abalado, digo que "não, estou até muito mais tranquilo do que achei que fosse ficar; a vida é assim mesmo", etc., etc. E protegido pelos muros de minha casa, maldigo minhas próprias palavras passadas, minhas expectativas - mas somente porque o mais duro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais duro é pensar que não me arrependo de nada, ou ao menos de quase nada. Mas não me arrependo dos vaticínios, não me arrependo de Sandman, dos beijos e dos carinhos, das piadas idiotas sobre Robespierre, merda não me arrependo nem das brigas, não me arrependo nem de ficar calado ouvindo que eu devia ser menos fechado... e principalmente, não me arrependo de pensar que agora, enquanto me lamento, em algum lugar dentro de mim estou rindo, por que poderei tomar meu coração partido e colocá-lo no palco do The Globe -  ainda que eu, não sendo Shakespeare, dificilmente consiga fazer a platéia derramar suas próprias lágrimas. Em algum lugar dentro de mim estou rindo, não me arrependo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas queria conseguir parar de chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque há duas semanas eu não faço outra coisa; duas semanas que eu não consigo ver um casal feliz na rua, um beijo num filme, sem que meus olhos comecem a marejar, meu estômago embrulhe - meu estômago, sempre pagando pelos meus amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o fato de saber que vou me arrebentar todo, o fato de entender que a dor é um risco aceitável, parte natural, contraponto do prazer e da felicidade, e até estar, em algum lugar dentro de mim, rindo; no fim das contas, nada disso torna tudo mais fácil, nada disso é consolo. O razoável não soluciona, não diminui os esforços; e sinto-me regredindo, uma merda duma criança frágil e vulnerável: tudo que eu queria era colo, carinho, alguém dizendo "vai ficar tudo bem". E penso nisso, e me lembro: estou sozinho no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas palavras não vão mudar isso, nem minhas convicções, nem meus teoremas, estou sozinho no mundo e não posso mudar isso, e queria conseguir parar de chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso ao mundo? Meu regresso é que é farsa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-115540822105524486?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/115540822105524486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=115540822105524486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115540822105524486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115540822105524486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/08/farsa.html' title='Farsa'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-115449104651677166</id><published>2006-08-02T00:15:00.000-03:00</published><updated>2006-08-02T00:57:26.576-03:00</updated><title type='text'>Isso É Tolice...</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Ela decidiu que não me ama mais."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As palavras da abertura do segundo capítulo de "Vidas Breves" são, agora, mais que apropriadas, inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que tenho muito a dizer, e não sei se ainda acredito em uma palavra sequer de qualquer pequena gota de convicção que eu tenha enunciado aqui no passado - e não direi nada, por ora. Talvez se, ao falhar em retornar ao mundo, não encontrando mais lugar para onde me refugiar, eu necessite buscar abrigo nesta farsa comunicativa. Por enquanto, basta dizer quase nada para anestesiar um pouco os sentidos e fingir partilhar a dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mais posso dizer? Que há do que me arrepender, mas quase nada. Afinal, eu já sabia que ia me foder todo, não? Cheguei a escrever aqui, redigido com todas as letras: "vou me foder todo". A auto-profecia é sempre a mais fácil, o sofrimento por amor, o mais tolo - mas ainda assim são aquilo que Morpheus, e todos que costumam caminhar um pouco demais em seus reinos, mais costumam praticar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Isso é tolice...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por que sofrer tanto? Eu mal a conheci. Um punhado de meses, pouco mais...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu lhe teria dado mundos só seus, atados como safiras e esmeraldas num cordão de seda. Eu lhe teria dado...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não paro de pensar em seus olhos, fitando o infinito. Olhos frios, avaliando-me desapaixonadamente...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E, no fim, ela me disse. Mas eu já sabia. Estava lá, em seus olhos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela tinha decidido não me amar mais."&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-115449104651677166?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/115449104651677166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=115449104651677166' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115449104651677166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115449104651677166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/08/isso-tolice.html' title='Isso É Tolice...'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-115438235200147447</id><published>2006-07-31T18:40:00.000-03:00</published><updated>2006-07-31T18:45:52.013-03:00</updated><title type='text'>Levotiroxina Sódica</title><content type='html'>&lt;a href="http://z.about.com/d/paganwiccan/1/0/l/6/rider_10swords.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://z.about.com/d/paganwiccan/1/0/l/6/rider_10swords.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A madrugada perdeu-se no meio&lt;br /&gt;E os raios de luz marcaram:&lt;br /&gt;fim de letargia&lt;br /&gt;alegria&lt;br /&gt;contentamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos e há agulhas em meu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O despertar do sonho abre o dia&lt;br /&gt;Possível é sorriso em muitas máscaras:&lt;br /&gt;afirmação&lt;br /&gt;sucesso&lt;br /&gt;um plano perfeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos e há agulhas em meu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sol à pino será inspiração de mil&lt;br /&gt;horizontes em traçado refeito:&lt;br /&gt;terra&lt;br /&gt;mar&lt;br /&gt;firmamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos e há agulhas em meu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, Chuva&lt;br /&gt;Pôe teu filho de volta à casa:&lt;br /&gt;madrugada despertar do sol&lt;br /&gt;perdeu-se no sonho inspiração&lt;br /&gt;raio de luz possível horizonte&lt;br /&gt;(fecho os olhos)&lt;br /&gt;marcarammuitasmáscarasemtraçado&lt;br /&gt;refeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(por()que (?))&lt;br /&gt;Falho&lt;br /&gt;Aflito&lt;br /&gt;Hostil&lt;br /&gt;Desgostoso&lt;br /&gt;Desatento (?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos&lt;br /&gt;e há agulhas&lt;br /&gt;em meu peito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-115438235200147447?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/115438235200147447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=115438235200147447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115438235200147447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/115438235200147447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/07/levotiroxina-sdica.html' title='Levotiroxina Sódica'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-114685675035739214</id><published>2006-05-05T13:21:00.000-03:00</published><updated>2006-05-08T16:15:14.513-03:00</updated><title type='text'>Os Manuscritos III</title><content type='html'>E prosseguem as pesquisas sobre os &lt;a href="http://pisandro.blogspot.com/2004/12/os-manuscritos.html"&gt;Manuscritos da Lagoa Rodrigo de Freitas&lt;/a&gt;, cujo &lt;a href="http://pisandro.blogspot.com/2005/03/os-manuscritos-ii.html"&gt;segundo trecho&lt;/a&gt; foi rapidamente traduzido, embora a duro custo, havendo diversos trechos que nem os especialistas qualificadíssimos do grupo de pesquisa conseguem decifrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratando sobre a peculiar mecânica do jogo e o processo de tradução, o matemático Alexander Arbieto, falando conosco pelo telefone, do Paraguai, onde foi adquirir mais material e fundos para a pesquisa, mostrou renovado entusiasmo. "É visível a maneira como tudo que se refere aos Manuscritos tende a seguir o princípio Pareto", diz o pesquisador. "As regras são invocadas 80% do tempo para resolver apenas 20% das situações, 80% do tempo os dois interlocutores discutem sobre como farão com o restante dos 20%, na equipe de pesquisa apenas 20% dos integrantes fazem 80% do trabalho, 20% ficam com 80% do financiamento, e ainda por cima 80% dos entrevistadores fazem apenas 20% de perguntas que não são totalmente idiotas e inúteis."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indagado sobre os processos de falsidade ideológica e fraude que rondam o projeto, Arbieto declarou que o Princípio de Pareto também soluciona essa mecânica, já que "uma quantidade enorme de denúncias resulta em um número muito diminuto de processos, que resultam num número menor ainda de penalizações. E é o mesmo princípio de Pareto que diz que se o sujeito liga pra sacanear um tem que mandar logo tomar no cú! Pra puta que pariu, filho da puta! Filho da puta!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma, filha da puta, calma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das dificuldades, há um novo trecho que foi disponibilizado na íntegra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Bom, então a sua unidade de herói anda.... qual o log de 537.824 em base 14?&lt;br /&gt;- 4.&lt;br /&gt;- Isso, anda 4 casas por rodada de movimento.&lt;br /&gt;- E os outros?&lt;br /&gt;- Outros?&lt;br /&gt;- Minhas outras unidades de herói. Eu sei que tem uma dentro do muro já, olha ela ali.&lt;br /&gt;- Ah, eu sei qual é esse, teve um meu que ganhou dele antes, mas esse viado sortudo não morre.&lt;br /&gt;- Sortudo? Tá chamando quem de sortudo?&lt;br /&gt;- Não, sem brincadeira, foi uma cagada monstra que você deu, muito cagão.&lt;br /&gt;- Cagão é tu, eu te encurralo contra os navios, passo 2 rodadas de combate inteira com maior número de unidades militares tentando tocar fogo nas embarcações, tiro mais da metade das tuas unidades de herói, aí vamos tirar/sortear/rolar os resultados, não consigo tocar fogo nem em um deles direito. É brincadeira.&lt;br /&gt;- Ah, alto lá, porque historicamente Eu é é que sou o mais azarado de nós.&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;- Eu, a pessoa mais azarada sou Eu.&lt;br /&gt;- Não, não, esse outro aí, esse terceiro que você falou. O tal de Nós.&lt;br /&gt;- Nós?!&lt;br /&gt;- É, tem alguma coisa a ver com corda, velocidade dos navios? Lembro que a gente tentou usar -&lt;br /&gt;- Não, porra, nós significa Eu e Você, entendeu? É o conjunto, a dupla.&lt;br /&gt;- Aaah. Entendi.&lt;br /&gt;- Ih, a lá, tem uma unidade de herói sua ali, sim!&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;- Ali fora, do lado do outro.&lt;br /&gt;- Ih, podes crer. Tinha visto não.&lt;br /&gt;- E Tu reclamando à vera.&lt;br /&gt;- Pô, então péra, xô ver. Essa tua unidade de herói aqui da frente se adiantou pra caralho, hein? Interessante...&lt;br /&gt;- O que, Tu vai juntar esses dois aí no meu?&lt;br /&gt;- Não, só deixo esse outro aqui pra intervir se precisar, que essa tua unidade é toda roubada.&lt;br /&gt;- Roubada, sim... 2 contra 1, e Eu que sou o apelão?&lt;br /&gt;- Vai lá, vou encarar, vou encarar, te prepara, tua vez.&lt;br /&gt;- Minha vez?&lt;br /&gt;- Tua vez.&lt;br /&gt;- Te prepara Tu. Se liga nisso.&lt;br /&gt;- Hein? Que porra é essa?&lt;br /&gt;- Não era unidade de herói do teu lado aí não, mané! Hahaha, era minha unidade divina disfarçada!&lt;br /&gt;- Ah, porra, de novo isso, sempre unidade divina!&lt;br /&gt;- Vem não, vem não que foi Tu que começou!&lt;br /&gt;- Ah, vai dizer quem começou agora, é?&lt;br /&gt;- Começou, usou unidade divina pra cegar minha unidade de herói, herói iniciante, hein? Sem falar que usou pra fazer unidade sua fugir, um monte de vezes.&lt;br /&gt;- É? Mas Tu é que começou usando unidade divina pra suporte de ataque, suporte de ataque, olha só que apelação.&lt;br /&gt;- E Tu neutralizou a minha melhor unidade de herói por 2 rodadas de guerra como? Unidade divina. Aliás, a rodada de guerra começou porque você usou unidade divina pra roubar a minha unidade feminina.&lt;br /&gt;- Nadaver, nadaver.&lt;br /&gt;- Aliás, esse negócio de unidade feminina é que dá mais merda ainda.&lt;br /&gt;- Porra, mas olha que sacanagem, agora você vai encarar a minha unidade de herói, que já levou 15,7 x Pi/2 de dano, inteiraço, sozinho.&lt;br /&gt;- Não quero saber. Ataque meu... dano na sua armadura. Aí, nem morreu ainda.&lt;br /&gt;- Ainda. Meu ataque... nada.&lt;br /&gt;- Eu de novo...&lt;br /&gt;- Viu? Morreu.&lt;br /&gt;- É... 68,312 pontos pra mim.&lt;br /&gt;- Sacanagem, viu. Sacanagem.&lt;br /&gt;- Tá bom, beleza, pra Você parar de ficar reclamando, depois dessa rodada de guerra, não vale mais unidade divina, tá bom?&lt;br /&gt;- É, é, tá bom, beleza.&lt;br /&gt;- Ótimo.&lt;br /&gt;- Ah, e as unidades femininas?&lt;br /&gt;- Tá maluco?&lt;br /&gt;- Não, não retirar, só fazer umas regras do tipo, tirar essa habilidade delas de começar rodada de guerra, essas coisas.&lt;br /&gt;- Porra, e aí vai começar rodada de guerra como?&lt;br /&gt;- É, burrice, deixa pra lá."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais trechos conforme forem sendo disponibilizados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-114685675035739214?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/114685675035739214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=114685675035739214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/114685675035739214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/114685675035739214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/05/os-manuscritos-iii.html' title='Os Manuscritos III'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-114179317374418246</id><published>2006-03-08T01:44:00.000-03:00</published><updated>2006-03-08T01:46:13.756-03:00</updated><title type='text'>Vates II ou A Febre e Os Caças Asa-X</title><content type='html'>Dizem que há um lado bom e outro ruim para tudo. Acho que isto depende tremendamente de perspectiva, e até onde me consta, todas as coisas que possuem apenas dois lados foram feitas pelo homem (folhas de papel, moedas, mesas, religiões maniqueístas...), em sua desesperada busca por simplicidade e segurança. O leitor já viu uma árvore ou uma pedra com frente e verso? É, achei que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, não tentarei fazer uma separação clara entre os lados bons e ruins da doença, mas digo: adorei ter caído de febre no carnaval. Não sou grande fã do mesmo, e raras vezes extraé tanto prazer de simplesmente ficar em casa sem me levantar muito da cama; sentindo aquela dor leve nos músculos, o peso nas juntas, a tonteira ao mover-se mais rápido, a sensação indescritível do banho, a água quente escorrendo pelas costas. O tempo livre sem peso na consciência, livre para os carinhos de uma moça adorável que aceitou perder seu feriado tomando conta deste imprestável, livre para fitar o teto de seu colo, e pensar simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pensamentos dado momento voltaram ao término do assunto que eu iniciei aqui de outra feita, ao que eu então citei e a partir do qual pretendia elaborar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Pelo feliz, ela tb nada demais faz: pessoas felizes têm a vida naturalmente repleta de poesia e podem, facilmente, criá-la, se acharem que precisam de mais, ou que sua felicidade deveria ser partilhada da melhor forma possível."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei disto quando Cristóvam obrigou-me a admitir meu estado emocional, e me peguei pensando que, ora vejam, sentia-me genuinamente feliz, e que agora é que estas palavras faziam mais sentido do que nunca: vejam, o vazio de posts deste blog! Comparem-no com os momentos de crise em seu início e a enxurrada de artigos de então. E ainda assim eu tenho escrito mais poemas do que jamais escrevi antes, guardo no coração tanta inspiração que sinto que poderia preencher o mundo com ela - mas não necessito, nem quero fazê-lo. Guardo-a para mim, e para aqueles com quem desejo compartilhá-la, o que quase sempre tem significado somente uma pessoa. Como o personagem de Douglas Adams (que certamente não foi o primeiro a dizê-lo), prefiro estar feliz a estar certo; e no fundo, todos preferimos: apenas alguns acham que a felicidade maior é estar certo. E não sei se todas as pessoas que julgam estar felizes, ou ter tido uma vida, ao menos no geral, feliz, assim como eu, não têm a menor necessidade de sair espalhando palavras por aí - preferem criar para si mesmas, ou para poucos. É a dor que cria o desejo de ser ouvido, de provocar reações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplismo, simplismo bruto: minha filosofia é agora bilateral como a folha de papel e boa parte das criações humanas. Não há vidas felizes, nem infelizes: o prazer é esta coisa fugaz que nos acomete e acelera a percepção da passagem do tempo até que, invariavelmente, a dor cobra seu preço por ele; o senso de realização não escapa ao temor da ruína; a possibilidade de perda acompanha o ganho. A felicidade não dura, não pode durar por definição, é temporal como o que quer que ocorra no mundo, coisa "transitória e fugidia que pisca como vagalumes e se desfaz em pó e frieza." Pode-se estar feliz, nunca o ser (mas pode-se fingir).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso não julgo estranho que boa parte dos grandes vates fosse um bando de fodidos: é muito mais fácil espalhar a palavra diante da necessidade gritante de ser ouvido, muito mais fácil fugir para a arte quando não se tem muito mais para onde correr e, principalmente, muito mais fácil se foder. Não creio que alguém que nunca tenha estado feliz e infeliz seja capaz de criar, mas tampouco creio que seja possível viver sem passar por ambos; o que resulta como arte a partir disto, varia com o tempo e as circunstâncias, estas coisinhas teimosas que tanto interferem em nossas vidas, e permitem que os vates narrem, cantem, pintem as felicidades e infelicidades, seja na tentativa vã de fuga, de buscar a eternidade, ou qualquer outro motivo humano e inerentemente estúpido - e tudo isto terá sido resultado do risco que correram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu? Não gosto de riscos. Como já disse antes, entre o conforto do meu quarto e o cockpit de um radiante caça asa-x, provavelmente ficaria no meu quarto, ainda que febril: sentindo aquela dor leve nos músculos, o peso nas juntas, a tonteira ao mover-me para longe da cama, a sensação indescritível do banho, a água quente escorrendo pelas costas; fitando o teto enquanto Carla enrola os dedos pelos meus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de riscos, mas, leitor - não concebo risco maior que este.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-114179317374418246?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/114179317374418246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=114179317374418246' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/114179317374418246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/114179317374418246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/03/vates-ii-ou-febre-e-os-caas-asa-x_08.html' title='Vates II ou A Febre e Os Caças Asa-X'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-114168539282649410</id><published>2006-03-06T18:22:00.000-03:00</published><updated>2006-03-08T01:50:05.896-03:00</updated><title type='text'>Erro 143</title><content type='html'>Post feito com login de usuário errado (tb conhecido como erro do blogueiro estúpido). Vou deixar este aki pra não jogar fora os comments de vcs, tá? Tá. Mas os comments referem-se ao post acima, que é do Alessandro, ok? Alessandro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-114168539282649410?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/114168539282649410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=114168539282649410' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/114168539282649410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/114168539282649410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/03/erro-143.html' title='Erro 143'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113994113342838108</id><published>2006-02-14T16:12:00.000-02:00</published><updated>2006-03-06T18:21:53.086-03:00</updated><title type='text'>Agências Reguladoras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Vamos, Larissa. Larissa. Não chore, isso não combina com você.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Deu o primeiro lenço de muitos, já com caixa de papelão e tudo, à garota, que os usaria dali em diante mais para manter as mãos ocupadas do que para limpar lágrimas – estas a voz mansa de Aurélio logo ajudou a secar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso, uma moça bonita chorando por uma bobagem dessa, não combina.&lt;br /&gt;- Tá, fessor. – os sinais de calma foram breves e seguidos por nova indignação. - Mas ele, ele nem pediu desculpas!&lt;br /&gt;- Vai pedir, Larissa, dê tempo a –&lt;br /&gt;- Ele é um idiota! Um crianção! Por que os meninos são todos assim idiotas!?&lt;br /&gt;- Mocinha. – o sorriso dele não condizia com o tom repressor.&lt;br /&gt;- Eles são todos, todos, uns, uns imaturos, parece que –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aurélio tapou-lhe a boca com a mão, sinalizando por silêncio, mas era tarde e a coordenadora, da sala ao lado, avisou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Professor Cardoso, controle sua aluna. Você sabe que o CAM está bem rigoroso esse ano.&lt;br /&gt;- Sim, senhora! – ele respondeu, suspirou, e sentou-se ao lado de Larissa. – Mocinha, você já devia ter aprendido a não usar essa palavra à toa.&lt;br /&gt;- É o que eles são.&lt;br /&gt;- Larissa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aurélio abaixou-se em frente da aluna para prosseguir, aproximou-se bem de seu rosto, ao que ela reagiu de forma ligeiramente tímida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escute aqui, mocinha, e escute bem, porque eu já estou cansado de repetir isso pra você e todos os seus colegas. O Vinícius, assim como o Marcos, o Lúcio ou o Vladimir, fez todos os testes de maturidade regularmente e está perfeitamente de acordo com o nível de maturidade de sua idade.&lt;br /&gt;- Pois não parece.&lt;br /&gt;- Eu sei que é difícil pras garotas, especialmente pra você, porque amadurecem mais rápido, mesmo. Tanto que muitas de vocês, como você, já até fizeram o teste do ônibus inter-municipal e passaram.&lt;br /&gt;- Eu já sei até pegar o inter-estadual!&lt;br /&gt;- Ótimo, mas –&lt;br /&gt;- E o trem!&lt;br /&gt;- Ótimo, mas escute o que. O trem?!&lt;br /&gt;- O trem. – ela sorriu orgulhosa.&lt;br /&gt;- Você ficou maluca, garota!?! O que você foi fazer na linha de trem com 12 anos de idade, você –&lt;br /&gt;- Alguma coisa errada, professor Cardoso?&lt;br /&gt;- Não, senhora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou-se de volta para Larissa, num misto de sussurro e berro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Larissa, você ficou maluca, quer morrer, ser seqüestrada? O mínimo que acontece é levarem seu visto de maturidade D-4 se a CAM passar lá!&lt;br /&gt;- Mas eu consigo.&lt;br /&gt;- É proibido, Larissa, proibido, entendeu?&lt;br /&gt;- É uma proibição idiota! Além do mais, o Vinícius –&lt;br /&gt;- Não quero saber do Vinícius, você vai me prometer nunca mais fazer isso, está bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larissa quase não conseguiu encarar seu professor diretamente, abaixou os olhos, abriu um sorriso muito pequeno e involuntário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá bom, professor. Eu prometo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspiro aliviado, Aurélio passa a mão esquerda pelo rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu vi o Vinícius jogando King of Fighters XXII outro dia e ninguém fez nada com ele.&lt;br /&gt;- Ele jogando King of Fighters. Ótimo. O que tem?&lt;br /&gt;- É proibido pra baixo de B-2!&lt;br /&gt;- Ah, é? Que estranho.&lt;br /&gt;- Tá vendo, até você acha estranho. Não sei pra quê tanta regra.&lt;br /&gt;- Ah, Larissa. – novo suspiro. Já devia ter se acostumado, era coisa da idade deles, mesmo. – Olha, a gente precisa de regras, né?&lt;br /&gt;- É, mas pra quê tanta?&lt;br /&gt;- Olha, pensa assim, você quer ter bons professores, não quer?&lt;br /&gt;- Eu já tenho o melhor. – novo sorriso.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Quero, quero.&lt;br /&gt;- Então. Pra isso o governo criou o sistema de avaliação de escolas, pra manter todas as escolas com um nível de avaliação bom. E fez isso pras universidades também, e pra todos os professores. Porque a gente tem que se preocupar com a qualidade do ensino.&lt;br /&gt;- Arrã.&lt;br /&gt;- E com a qualidade profissional em todos os ramos. Então você não tem só a fiscalização dos professores, do MEC, do CAAD e da SED. Tem a FEJAN, pros funcionários do Judiciário, o MOSSA, pros deputados, a FUBA pros catadores de lixo. Agora, de que adianta você ter um professor que sabe tudo de geografia, se ele é uma péssima pessoa, um bobalhão ou um mau-caráter?&lt;br /&gt;- Nada...&lt;br /&gt;- Então, por isso eles criaram essas maneiras de analisar a evolução da maturidade. Você sabe como faziam antigamente para avaliar a maturidade de alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela até sabia, mas preferia ouvi-lo dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pela idade! Então, se você tinha 18, podia votar ou ser preso, ou comprar um imóvel, se tinha 35, podia tentar ser presidente, ou senador. E sabe quantos anos uma criança precisava pra andar de elevador?&lt;br /&gt;- 10.&lt;br /&gt;- Pois é, 10. Hoje em dia, se você já tiver passado no teste de arrumação de quarto e no de tomar banho sozinho, pronto, você pode fazer o teste do elevador, e andar de elevador!&lt;br /&gt;- Arrã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo sorriso. Ela já deixara de chorar há algum tempo, e o vermelho dos olhos sumia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Larissa. Por que o Vinícius pintou sua mochila toda e escondeu?&lt;br /&gt;- Porque é um crianção!&lt;br /&gt;- Mocinha... Tem um monte de coraçõezinhos escritos “Larissa ama...” e nomes riscados. Foi você que riscou o nome, não foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos baixos de novo, rubra, ela tenta encará-lo e falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fui.&lt;br /&gt;- Você está gostando de alguém, mocinha? É isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela apenas balança a cabeça positivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É alguém mais velho?&lt;br /&gt;- Hunrum.&lt;br /&gt;- Então o Vinícius só está com ciúmes. Eu também tinha, quando tinha a idade dele.&lt;br /&gt;- O Vinícius é um idiota, e não se parece em nada com você, professor!&lt;br /&gt;- Então, é por isso que você está triste? Por que quem você gosta não gosta de você?&lt;br /&gt;- Não, eu. Eu.&lt;br /&gt;- Você?&lt;br /&gt;- Eu sou uma besta, Aurélio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo choro. Lenços ignorados, ela busca os braços dele, que a afaga com um sorriso no rosto e boas memórias na mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tudo bem, Larissa. Tudo bem. Não tem problema chorar por isso. A CAM ainda não regula maturidade de gente apaixonada, não.&lt;br /&gt;- Não, né? – ela riu, entre os soluços.&lt;br /&gt;- Também, se regulasse, estávamos todos fod –&lt;br /&gt;- Professor Cardoso!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para Gaudêncio: sim, eu já aprendi a tomar banho sozinho, grato pela piadinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113994113342838108?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113994113342838108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113994113342838108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113994113342838108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113994113342838108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/02/agncias-reguladoras.html' title='Agências Reguladoras'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113890642838268748</id><published>2006-02-02T16:12:00.000-02:00</published><updated>2006-02-05T17:50:32.666-02:00</updated><title type='text'>Deve Ser Engano</title><content type='html'>Omar sacudiu na cama ao som manso e repetido da campainha. Nem ela nem a sua boca, seca pela cerveja do dia anterior, pareciam-lhe motivo o bastante para levantar. Tinha sido uma noite medíocre, porém regada por latas a perder a conta, e exaustiva. Olhou o relógio e calculou apenas 2 horas entre a última vez que o fizera. Então optou por apenas gritar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é?!&lt;br /&gt;- É A MUDANÇA. - uma voz suave e profunda ecoou do corredor.&lt;br /&gt;- Mudança? Olha. Deve ser engano!&lt;br /&gt;- ACHO QUE NÃO. AQUI É O 402, NÃO?&lt;br /&gt;- O 402 é aqui!&lt;br /&gt;- SIM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A merda do álcool ainda não tinha abandonado sua cabeça. Puta vontade de soltar um palavrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, moço, não tem nenhuma mudança, entendeu? Não tô me mudando daqui, quem vai se mudar é o vizinho aí, do. Aí do lado.&lt;br /&gt;- QUAL?&lt;br /&gt;- E eu sei lá porra! - pronto, soltou.&lt;br /&gt;- TENHA CALMA, OMAR.&lt;br /&gt;- Calma é o caralho, você vai conferir o número aí, ou então vai incomodar os vizinhos também um por um, mas eu não tô de mudança, nem vou tá tão cedo! Vai embora!&lt;br /&gt;- SE É O QUE QUER...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu passos se afastando, e mais nada, então voltou a dormir. Só muito tempo depois foi perceber que o sujeito havia dito seu nome; mas não permitiu que aquilo o incomodasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, pouco menos de uma semana depois. Outra ressaca, um pouco mais de tempo dormido, e a mesma campainha. Omar novamente recusa-se a levantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô caralho, de novo... - olha o relógio, vira-se pra porta. - Quem é?!?!&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;É o tempo&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;- Eeeeeita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;A partir do relato de &lt;a href="http://www.bobeatus.blogspot.com"&gt;Alexander&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Editado: as formatações nos textos dos interlocutores de Omar também foram sugestões do Alexander.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113890642838268748?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113890642838268748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113890642838268748' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113890642838268748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113890642838268748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/02/deve-ser-engano.html' title='Deve Ser Engano'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113640697189703974</id><published>2006-01-10T01:59:00.000-02:00</published><updated>2006-01-10T02:04:49.696-02:00</updated><title type='text'>Motivos, Impactos, Detalhes</title><content type='html'>Encontrei Cristóvam de novo outro dia, no centro da cidade, desta vez; uma destas coincidências que nos levam a suspeitar de um dedinho de teleologia transcendental. Exato oposto do último post, ando tão sem vontade de escrever que só o faço agora por um esforço convicto: a conversa ocorreu já há duas semanas, e desde então eu penso em postá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saia escoltado do edifício que, creio, seja sede de uma ou duas empresas ou subsidiárias nas quais ele tem parte - ou a totalidade - por dois assessores que falavam muito, sem dar-lhes muita atenção. Vendo-me, sua fisionomia abatida abriu-se com o que mais tarde mostrou-se uma possibilidade de fuga das responsabilidades tediosas do cotidiano - francamente, duvido que algo como feriados santos ou férias existam de fato para alguém como Cristóvam. Mandou ambos embora e chamou-me para almoçar num restaurante a quilo próximo, que embora não fosse propriamente pé-sujo, estava longe de ser o que se espera dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos minutos de conversa fútil e agradável foram cortados por um breve silêncio e uma observação inesperada dele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esta não é a expressão de um professor e pesquisador universitário estressado pelo fim do semestre e pelos feriados.&lt;br /&gt;- É exatamente como estou - respondi, estranhoso.&lt;br /&gt;- Não, doutor Lima, - eis como ele se refere a mim - você está apaixonado.&lt;br /&gt;- É um pretensioso!&lt;br /&gt;- Não finja, doutor, vai apenas constrangê-lo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expus a partir daí uma longa e persuasiva defesa acerca da pretensão irracional de Cristóvam, de saber de uma olhadela o estado de espírito de seu interlocutor. Ele retrucou perguntando-me o que eu conhecia de Walter Benjamin - um bom tanto, respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então certamente não negará a influência do pensamento comunista em sua obra?&lt;br /&gt;- Isso é óbvio, patente, está na cara.&lt;br /&gt;- Verdade, mas não o seria, não fosse por uma mulher.&lt;br /&gt;- Aquela moça do movimento bolchevique? Ah, vai partir agora pra teoria do "sempre tem uma mulher por trás de tudo"?&lt;br /&gt;- Não é o caso, Doutor Lima. Lembra-se daquela minha tese sobre o comportamento humano? De que por trás de atitudes complexas -&lt;br /&gt;- Sempre há um motivo simples, certo.&lt;br /&gt;- E mulheres não são um motivo maravilhosamente simples? Claro, também o dinheiro é simples, ou o poder, ou o medo, mas não são?&lt;br /&gt;- Para algumas pessoas.&lt;br /&gt;- Das quais o senhor não ousaria se excluir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calei-me, que é o que fazemos quando percebemos a razão alheia. De fato, não me excluía. Sempre julguei-me discreto; mas por hora penso que minha expressão tornou-se equivalente a um adesivo escrito "palerma apaixonado" grudado na testa - talvez nas costas também. Estou tentando evitar pensar-me como especial: "alguém como eu", no caso, vale para uma fatia muito boa da raça humana. Só que passou despercebido o quanto valia para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, que agora soma, no caso de meu sabe-se-lá-o-que-possivelmente-um-namoro com Carla, pouco mais de dois meses, tende a ludibriar-nos com a idéia de que os efeitos são pouco duradouros, ou que seu impacto se dilui. Falso. Eles apenas entranham-se e se enraizam a tal ponto que, seguindo-se à explosão inicial, tornam-se sutis. Exemplo? Eu não possuo um gravador de dvd; agora pego-me agindo como se o tivesse, tão acostumado fiquei com o dela. Ela, por usa vez, incorporou a carona à sua rotina. O corpo desacostumou-se ao espaço sobrando na cama, a dormir de bruços, à falta do peso sobre o peito, resultando num sono solitário mal dormido. O meu café da manhã passou a conter requeijão e pão de... enfim, detalhes. Adoro detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi bem isso que motivou o post, ou melhor, foi algo mais específico, uma releitura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Pelo feliz, ela tb nada demais faz: pessoas felizes têm a vida naturalmente repleta de poesia e podem, facilmente, criá-la, se acharem que precisam de mais, ou que sua felicidade deveria ser partilhada da melhor forma possível."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No momento, o sono e a falta de paciência põem-se no caminho de minha elaboração. Considerem-na adiada. Boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113640697189703974?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113640697189703974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113640697189703974' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113640697189703974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113640697189703974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2006/01/motivos-impactos-detalhes.html' title='Motivos, Impactos, Detalhes'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113264197424388975</id><published>2005-11-22T03:16:00.000-02:00</published><updated>2005-11-22T04:46:14.293-02:00</updated><title type='text'>Sou Eu Mesmo</title><content type='html'>Eu poderia gastar uma quantidade razoável de palavras agora, sobre como quando decidi postar em um blog, objetivava versar sobre outras coisas que não minha própria vida medíocre, como fazem a maioria das pessoas (e talvez também gastasse ainda mais palavras versando sobre como é impossível não falar da própria vida medíocre, e no fundo ao falar de outras coisas estou apenas me expondo de maneira pretensamente diferente, etc.). Nunca achei que fosse, novamente, por-me a público da maneira que estou prestes a por. Mas, assim como tenho por hábito enrolar muito, também o tenho de condenar aquilo que fiz ou virei a fazer um dia (ou não seria isso um dom humano genérico?). É o que Carla vive dizendo, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, Carla. Já chego lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então talvez você esteja no momento se perguntando, leitor, porque passei mais tempo que o normal distante deste blogue (embora eu não saiba bem o que seria o normal, no caso), ou ainda porque, em meus breves momentos de regresso, tenha resolvido apenas citar ou tergiversar sobre Sandman. É que, e eis aí outra destas coisas que também achei que não viesse voltar nunca a escrever ou dizer... bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo, mesmo, de verdade, como não me apaixonava desde a adolescência. Pra dizer a verdade, de certa forma, como nunca me apaixonei. Consigo dizer isso agora. Acho que preciso dizer: tenho certeza de que nunca me apaixonei da maneira como estou apaixonado agora, e é por isso que estou escrevendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Mas havia dias em que, ao chegar em casa, encontrava-me em tal estado, que a felicidade de estar apaixonado junto com a agonia da impotência diante do fato tinham de sair de mim de alguma forma."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Auto-citação... é o cúmulo, mas funciona. É assim que me sinto agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem só três semanas - minto, menos. Faz 17 dias hoje. Eu mal consigo acreditar que seja tão pouco, mas é. Foi quando fui apanhar o exemplar de "Casa de Bonecas" com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já a conhecia: Carla foi minha aluna em uma matéria extra no Doutorado, coisa de um ano atrás. Achei-a bonita, e só - à época, como tem sido há muito tempo, estava com outra(s) moças; e absolutamente, miseravelmente só e estranhamente desejoso de permanecer assim. Agora somos colegas na licensiatura. E tanto então como agora, nunca pude deixar de me entreter com suas estranhas escolhas de rumo profissional, visto que ela, que é formada em física, resolveu faz pouco mergulhar de cabeça no historicismo. Nem queiram saber sua matéria na faculdade de educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos reencontramos no início do semestre. Eu tinha superado minha fase "crise do XI cântico" e estava muito feliz em basicamente ser gentil com todo mundo, o que é uma raridade, vindo a jogar conversa fora a troco de nada. Ela tirou proveit0: o mais fácil mesmo ainda é jogar conversa fora com uma moça bonita e inteligente. Muito espertamente deixamos gancho para repetir a coisa; Sandman tendo sido mencionado, ela usou este específico. Deixou uma nota na minha sala, marcando de me entregar o 2° volume, já que eu só tinha lido o primeiro, e ela tinha certeza de que eu adoraria o resto. Então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu. Tenho respeito mínimo ao que deverá restar de minha privacidade, e não vou dizer exatamente como. Talvez porque eu também não entenda direito. Mas aconteceu: abri os olhos e estávamos nos beijando. E ela perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está rindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu estava sorrindo, sorrindo enquanto a beijava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que bonitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ela sorriu. Outro colega disse-me há poucos dias que Carla costuma vender o seu sorriso caro - logo, eu devo estar milionário, porque vejo-a sorrindo mais do que de qualquer outra forma. Talvez ela dissesse que, comigo, é outra pessoa - eu certamente diria que a recíproca é verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li "A Casa de Bonecas" antes de dormir, naquele dia, e pouco depois de acordar, pedi a ela que levasse todo o resto para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos os oito TPBs?!&lt;br /&gt;- Todos.&lt;br /&gt;- Tentando me impressionar, Pisandro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me chama de Pisandro. É a terceira pessoa no mundo a fazer isso. Deixei escapar que tinha sido meu apelido na conversa do dia anterior, ela cismou. Ainda estou tentando descobrir um apelido pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li tudo em dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou morto de sono, não tenho dormido direito. Talvez esteja estranhando o colchão alheio - não tenho dormido sempre aqui em casa. Aliás, minto: tenho dormido muito pouco aqui em casa. É uma maluquice, nem 3 semanas, e a bem dizer já não sei se o que estranho é mesmo o colchão dela, o meu, a ausência do cheiro do cabelo dela quando estou só, ou o bater irritante do meu coração a todo momento, meu estômago embrulhado. Meu estômago sempre pagou por meus amores, e nos últimos anos esteve achando que teria sossego, imagino. É ele quem insiste em avisar que eu estou fadado a me foder todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado, estou dizendo isso feliz da vida: não tem jeito, morto de amores do jeito que estou, não tem como eu não me foder; e não me importo, não ligo, não estou nem aí. Antes quebrar a cara do que... bem, não quebrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"- Duvido que eu tenha mudado tanto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Como quiser, meu irmão."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas mudei. Nós freqüentemente usamos a palavra "sempre" ao falar de personalidade, o que é paradoxal. Dizemos: fulano é sempre o mais teimoso, está sempre meio apaixonado, é sempre muito frio. Mas amanhã eles ficarão flexíveis, calculistas ou inconseqüentes, e ainda assim os chamaremos pelo mesmo nome e diremos que são eles mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Preciso dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113264197424388975?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113264197424388975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113264197424388975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113264197424388975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113264197424388975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/11/sou-eu-mesmo.html' title='Sou Eu Mesmo'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113151427975688788</id><published>2005-11-09T02:08:00.000-02:00</published><updated>2005-11-09T03:31:19.823-02:00</updated><title type='text'>Obra de Seu Tempo</title><content type='html'>Sabe, pode não ser do seu conhecimento, mas sou, ou fui, ou tendo a ser, um sujeito tremendamente preconceituoso com relação a mídias diversas. Não sou fã de cinema, escultura, fotografia, pintura; absorvo, mas não sou fã. Teatro, música, escrita, depende. Tive uma fase de muita leitura de revistas em quadrinhos, que ainda assim sempre achei bobos, e contra os quais tive um acesso de fúria um pouco mais velho, rapidamente me livrando dos números antigos de Homem-Aranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente por isso demorei tanto a por as mãos em Sandman. Também pode não ser de seu conhecimento, mas só fui por as mãos num TPB de Preludes &amp; Nocturnes, importado mesmo, em 2000, e não foi ele que me fez mudar de opinião sobre HQs, embora eu tenha visto alguns trechos muito interessantes, especialmente o epílogo, "Sound of Her Wings", que tinha trechos daquele belíssimo poema egípcio que jamais imaginei que veria numa revistinha. Mas fiquei curioso, era bom, e diziam que era tão maravilhosamente maravilhoso; dito e feito, este ano finalmente tive acesso à série toda. Lê-la gerou duas categorias de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira categoria, logicamente, é de que é muito, muito bom. É excelente, maravilhoso, sensacional, tudo isso, e o é em vários níveis. É maravilhoso pelo uso único de sua mídia (os variados estilos de desenho, posicionamento dos quadros, os balões, fontes...); pelo seu estilo de diálogo e narrativa, mesclando o fantástico ao mundano; pela sua mitologia e pela sua mescla de mitologias... Mas o mais impressionante mesmo, o absolutamente único, o que o distingue de qualquer outra coisa já feita no gênero, é sua coerência. Neil Gaiman não deixa um único ponto sem nó, e consegue lidar com um número absurdo de tramas e subtramas que são, quase inexplicavelmente, ao mesmo tempo um todo totalmente coerente, sempre variações do mesmo tema. Não há uma única estória, um único dos inúmeros contos soltos, que esteja lá à toa. E é maravilhoso perder-se nas inúmeras "referências a si mesmo" da série, ou mesmo nas referências a outras coisas, e tentar buscar, em todos os momentos e pistas veladas deixadas ao longo dos 75 números, a solução do enigma de Morpheus, que, em última instância, não tem nenhuma explicação clara: por que ele toma sua decisão? (e, conseqüentemente, porque o fazem, com suas respectivas decisões, Destruição, Hob Gadling, Shakespeare, Lúcifer...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceber tudo isto me levou à segunda categoria de opiniões: Sandman não é só muito bom. Ele é um marco de sua época. Posso estar equivocado por mil motivos, mas a princípio, escutem o que estou dizendo: daqui a muitos anos, esta série será lembrada como uma das maiores e mais típicas manifestações de seu tempo. Por que exatamente digo isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser mania de historiador, mas comecei a pensar isto quando reparei que a data em que Sonho fica aprisionado praticamente coincide com o "breve século XX" de Hobsbawn, antecedendo-o por um ano (16-88, ao invés de 17-89). Besteira? Não creio - embora não duvide - que Gaiman tenha escolhido este período propositalmente, especialmente pq ele o fez em 88, e não tinha como saber que o muro cairia dali a um ano (diga-se de passagem, no dia do seu aniversário). Mas parece-me sintomático que, não só a União Soviética tenha nascido e morrido enquanto Sonho estava preso, isto não seja sequer mencionado na HQ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente disto, Sandman reflete uma imensa instabilidade de valores: se até os Perpétuos, que têm este nome, mudam, abandonam suas funções, e chegam a morrer, então o que pode ser, de fato, perpétuo? É porque esta é a época em que a HQ foi escrita. Um tempo em que um "sonho" que se julgava morto, um sistema de valores antigos (a democracia liberal?) retorna, apenas para descobrir que até as coisas em que ele mais acreditava, até ele mesmo, mudaram - e que no fim das contas, tudo muda. Uma sociedade que não consegue encontrar solo firme para pisar, conforto, valores universais e/ou eternos. Mas que, por isso mesmo, busca desesperadamente afirmar a eternidade. Nas palavras de Destruição:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Deuses vêm e vão. Mortais lampejam, reluzem e se apagam. Mundos não duram. Estrelas e galáxias são coisas transitórias e fugidias que piscam como vagalumes e se desfazem em pó e frieza. Mas eu posso fingir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida, não só ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113151427975688788?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113151427975688788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113151427975688788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113151427975688788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113151427975688788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/11/obra-de-seu-tempo.html' title='Obra de Seu Tempo'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113097934691929763</id><published>2005-11-02T22:52:00.000-02:00</published><updated>2005-11-02T22:55:46.936-02:00</updated><title type='text'>Os Mortos Não Regressam, Os Deuses Não Caem - 3</title><content type='html'>- Diana? Diana, Kryptus. Ela morreu em missão. Você viu, estava –&lt;br /&gt;- Não me lembre daquele dia.&lt;br /&gt;- Eu. - Cyrian iria pedir desculpas, mas deteve-se; não saberia dizer se por medo da reação, de fato, ou se por sentir que seu antigo amigo não as merecia mais.&lt;br /&gt;- Como disse, nosso mestre não me contou muita coisa. Não contou o que acontecera a você. Não contou o que tinha planejado para mim.&lt;br /&gt;- Você quer dizer que acha que ele a matou? Que ele planejou a morte dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Para quê?", ele teria perguntado, mas a resposta completou-se sozinha em sua mente: para torná-lo o que ele é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como você pode achar isso, Kryptus?&lt;br /&gt;- Eu não acho, sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Típico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi vingança, então. Você o matou, vingou-se. Ótimo. Ótimo motivo. Então está resolvido.&lt;br /&gt;- Você não concorda.&lt;br /&gt;- Não, não concordo, mas principalmente, estou tentando entender duas coisas. Você matou o deus da morte, então porque ainda há um culto ao deus?&lt;br /&gt;- Não há.&lt;br /&gt;- Então o que é isto, o que você está liderando? Um culto a si mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu disto. Na maioria dos casos, uma gargalhada frente a uma ironia deste tipo costuma trazer alívio e descontração para a maioria das conversas. Se, como no caso, é a risada de alguém que apreciou a ironia, alguns talvez digam que certamente este é um claro chamado à leveza e à informalidade. Mas não o fariam, se tivessem ouvido Kryptus rir daquele jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cyrian tinha, embora tivesse dificuldade em recordar quando. Foi depois de Diana morrer – seu então discípulo jamais gargalharia daquele jeito enquanto ela estava viva. E alguém, muito tolamente, naquele dia buscara consolar o jovem dizendo-lhe que ela estava num lugar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro problema com a gargalhada de Kryptus era que ela era verdadeira, que ele estava realmente rindo; não estava tentando ser assustador, nem mascarar seu desconforto: só estava rindo. O segundo problema era que, apesar disto, não se parecia em nada com o riso de alguém que estava achando graça em algo; também não parecia o de alguém que tentava intimidar outros ou mascarar seu desconforto. Porque, e este era o terceiro problema, não se parecia com nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O murmúrio leve que nasceu em sua garganta cresceu para o riso, e para a gargalhada, sem ser o som, em nenhum momento, de nenhum deles. Quando murmúrio, assemelhava-se mais ao som de indiferença que alguns fazem quando, em algum momento, julgam que devem fingir interesse em algo que deveria ter-lhes parecido engraçado e não pareceu, sem, no entanto, esforçarem-se o bastante. Quando riso, era irritantemente uniforme e intermitente, curto, como um pianista com o dedo preso a uma tecla, um disco sujo. E quando gargalhada, a impressão que se tinha era de que ele estava, em cada sílaba de seu agora lento "ha, ha, ha", recuperando o fôlego, de que lhe faltava ar para emitir um som a altura de uma gargalhada verdadeira - uma que não fosse tão terrivelmente, medonhamente baixa, quase silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo baixa, a gargalhada ecoou pelas paredes da masmorra, como ecoara pela capela tantos anos atrás. E era como se ela só se propagasse pelo silêncio, só o fizesse porque havia tamanho espaço desocupado, vazio. E como se ela mesma, e as paredes, e Kryptus, e todos os que o ouvissem, não significassem nada, não servissem a nada, não fossem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você realmente não é inútil, Cyrian. - disse ele, entre restos de quase-riso. - Você me diverte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas significavam alguma coisa, eram alguma coisa, e nem Kryptus, nem nada nele, era assim tão vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A outra coisa que não entendo - mentiu Cyrian, tentando o melhor que pôde ignorar a reação de seu carcereiro. - é Diana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sobrara de riso morreu rápido ante a menção do nome, e a reação que talvez impedisse a fala de seguir, não chegou a surgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela morreu, e você a amava. E você é o Senhor do Mortos. E ela continua morta.&lt;br /&gt;- Sou, não era. - Kryptus conseguiu responder, mas sua certeza de antes mostrava sinais de enfraquecimento.&lt;br /&gt;- E quando se tornou? Há quantos anos se tornou? Há quanto tempo você já lidera esta igreja?&lt;br /&gt;- Não havia restos mortais, Cyrian. Não se faça de idiota, você sabe como essas coisas funcionam. - Tem razão, Kryp. Eu sei como essas coisas funcionam. Fui o sumo-sacerdote antes de você, e sei exatamente como se traz alguém dos mortos.&lt;br /&gt;- Não me chame –&lt;br /&gt;- E lembro muito bem que eu, embora certamente tivesse, e ainda tenha, muito menos poder que você, quando dominava as artes negras, não precisava de nenhum resto mortal para trazer alguém de volta. Nenhum mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cyrian finalmente se levantou, finalmente conseguiu olhar Kryptus nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era difícil, mas era possível. E pra você, Senhor dos Mortos, você que pôde até matar um deus, certamente é algo bem simples. Basta que se saiba o nome da pessoa, e que ela aceite voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto de Kryptus tornara-se agora, de alguma forma, claramente discernível por debaixo do capuz, mas de maneira alguma fácil de se descrever. Havia linhas e rugas que se tensionavam, que Cyrian jamais imaginara que estariam lá. Seus lábios, ligeiramente abertos, mostravam dentes trincados; fios de cabelo, muitos deles grisalhos, deslizaram para frente de seus olhos - cuja parte branca era agora visível - denotando um leve, e de outra forma imperceptível, movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você ainda lembra o nome dela, imagino.&lt;br /&gt;- Sim. - sua mão direita, que antes segurava o cabo da foice de forma desleixada, agora a apertava com força. - Lembro.&lt;br /&gt;- E ela, ou o que quer que reste dela, onde quer que ela esteja, lembra de amar um homem de coração nobre. Um pouco amargo pelas perdas prematuras, mas um bom homem, alguém que não fosse um monstro conquistador de mundos e assassino de. Quantos? Quantos você matou, Kryptus, em quantos lugares, quantos anos?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- Ela não quer voltar.&lt;br /&gt;- Não. - Kryptus abaixou a cabeça, mirou o chão. Não conseguia mirar mais nada. - Não quer.&lt;br /&gt;- Você pode ir embora a hora que quiser. Não tem mais um mestre, líder, deus. Não quer realmente conquistar mundos, levantar mortos, desafiar deuses. Nunca quis. Eu o conheço, Kryptus. Eu o vi crescer.&lt;br /&gt;- Não pude ter o que eu quis, foi tirado de mim.&lt;br /&gt;- E você desistiu. Não teve coragem para mudar.&lt;br /&gt;- Não, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kryptus estava de costas na parede, agora, e havia gritado, sem reparar em uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diana tinha razão sobre você. Você ainda é uma boa pessoa, de algum modo. Posso ver isso agora muito claramente: ainda é o mesmo garoto mirrado e assustado que vi chegar no templo, e que chorava por qualquer coisa, e escrevia poemas bobos e sinceros em segredo. Ainda é o pequeno Kryp. Mas não quer ser. E isso, isso eu não consigo entender.&lt;br /&gt;- Cyrian.&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;- Você vai morrer por isso. Eu vou te matar.&lt;br /&gt;- Por que você faria isso? Pra quê? Não vai ajudar em nada, não vai mudar nada.&lt;br /&gt;- Não. - ele respondeu, levantando a mão esquerda e fazendo dois sinais rápidos na direção de seu prisioneiro. - Não vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar da frase, Kryptus então estalou os dedos, e a perna direita de Cyrian explodiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O berro de dor dele foi ouvido por todos os que se encontravam na fortaleza acima. A maioria gostaria de pensar que havia se acostumado àquele tipo de som, mas não havia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ströhlm, que se dirigia para lá para dar um recado a seu mestre, por outro lado, estava tão acostumado que já podia dizer que aquele era o grito de um homem que perdera um membro, e que provavelmente fora um perna. Isto era uma predileção de seu mestre, porque, dificultando a locomoção, geralmente levava o prisioneiro a contato direto e involuntário com seus próprios dejetos e urina ao longo de muitos dias de cativeiro. Era um bom sinal: significava que Kryptus já estava terminando, e que não seria necessário aguardá-lo sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não vou te matar agora. - a porta abriu-se atrás dele, enquanto a forma espaçosa de Ströhlm já podia ser divisada descendo a escada da masmorra. - Vou torturar primeiro, fazer isso aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cyrian não conseguia parar de gritar de dor e, portanto, não conseguia responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eminência. - Ströhlm saudou seu mestre, ao terminar a descida. - O sr. Peters está procurando pelo senhor em seu escritório em Nova Iorque, senhor.&lt;br /&gt;- Não me lembro desse nome.&lt;br /&gt;- Peters? É aquele que chamam de Shade, Eminência. O detetive.&lt;br /&gt;- Não, quero dizer este lugar de que você fala. Nova Iorque. Não lembro desse nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda lançou um último olhar para Cyrian. O ferimento dele já estava cicatrizando - não queria que ele morresse assim, tão fácil - e a dor, passando, mas ele não disse nada. Seu rosto dizia o bastante: mostrava raiva, dor, desespero, e até desejo de vingança, mas, principalmente, e contrariando o que esperava dele, piedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Acho que minha memória não anda muito boa. - completou Kryptus, e subiu a escada; e a entrada fechou-se após sua saída, e as luzes se apagaram, deixando o prisioneiro sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113097934691929763?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113097934691929763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113097934691929763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113097934691929763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113097934691929763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/11/os-mortos-no-regressam-os-_113097934691929763.html' title='Os Mortos Não Regressam, Os Deuses Não Caem - 3'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113095839949075376</id><published>2005-11-02T17:03:00.000-02:00</published><updated>2005-11-02T17:06:39.506-02:00</updated><title type='text'>Os Mortos Não Regressam, Os Deuses Não Caem - 2</title><content type='html'>O outro pareceu não ouvir, seguindo até as barras que separavam a cela do corredor, e que se abriram para ele na forma de uma porta que, até então, não estivera lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É você? - prosseguiu o prisioneiro. - O que eu ouvi é verdade? É você, mesmo?&lt;br /&gt;- Cyrian. - Kryptus respondeu, afinal. - Você não pode estar vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prisioneiro aproximou-se, estendendo as mãos para frente, forçando os olhos para tentar enxergar o rosto debaixo do capuz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo Sétimo Céu, é você mesmo. Nome Louvado, o que. - ele chegou a recuar, ao avistar o brilho nos olhos negros de seu carcereiro. - O que houve com você, Kryp?&lt;br /&gt;- Não me chame assim, traidor. Você não pode nem estar vivo. - as portas fecharam-se atrás dele, assim que terminou de falar. - Não devia estar vivo.&lt;br /&gt;- Sinto decepcioná-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cyrian deu meia volta, alguns passos na direção da parede direita, onde se recostou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está com uma aparência horrível, Kryptus. Que diabos você andou fazendo?&lt;br /&gt;- Centenas de coisas que não são da sua conta, traidor. E você também não está grande coisa.&lt;br /&gt;- Ah, sim, aprisionado e torturado por fanáticos de um culto da morte. Não faz bem pra saúde.&lt;br /&gt;- Não. Não faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kryptus não moveu um dedo, aparentemente nem piscava o olho enquanto seu prisioneiro dava um riso abafado e se deixava escorregar até o chão, encostado à parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está mesmo horrível. Não dá nem pra dizer que é oito anos mais novo que eu.&lt;br /&gt;- Não sou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como estava apenas brincando, Cyrian demorou a perceber que o outro não estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;- Não sou mais novo que você, traidor. E você não é mais meu padrinho, mentor ou veterano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O riso que deu antes de responder foi incerto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém deixa de ser mais novo que ninguém, Kryptus.&lt;br /&gt;- Claro que não, Cyrian. E os mortos não retornam para caminhar entre os vivos, e os deuses não caem.&lt;br /&gt;- Do que você está falando, Kryp?&lt;br /&gt;- Não me chame de Kryp. Cyrian estava prestes a levantar o rosto para dizer que podia muito bem chamar do que quisesse alguém que tinha visto crescer e a quem gostaria de ainda poder chamar de amigo; mas antes disto foi ele mesmo levantado pela mão magra de Kryptus, fechando-se sobre sua garganta, não mais coberta pela luva, e prensado contra a parede. Os dedos tinham uma força que não correspondia a seu tamanho e formato, e emitiam um brilho fosco, cinzento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha ouvido falar daquilo, do toque gelado. Julgara ser uma lenda. A sensação horrorosa de ter sua força sugada, seu rosto gelando, os ossos paralisando, mostravam-no errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me pergunte nada. Você é meu prisioneiro. Eu vou lhe fazer perguntas, e você vai responder. E não vai me chamar de Kryp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas sarcásticas nas quais Cyrian conseguiu pensar não saíam da boca: faltava-lhe o ar. Quando Kryptus soltou-o e ele desabou no chão, sem forças, era duro admitir, faltava-lhe a coragem. Seu carcereiro afastou-se levemente, e prosseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você realmente não morreu; está ferido, então não pode estar morto. Mas isto ainda não explica como sobreviveu. Os acólitos foram todos massacrados, mas você está vivo. Como?&lt;br /&gt;- A Luz. - ele conseguiu dizer, embora ainda não pudesse levantar. - A Luz me salvou.&lt;br /&gt;- Ninguém nunca está a salvo.&lt;br /&gt;- Ele veio a mim, Kryptus. Eu era um acólito da igreja dos mortos, mas ele sentiu o bem em meu coração e me salvou. O Arauto Celeste, o –&lt;br /&gt;- Rei de Asas Prateadas, o Dragão Guerreiro, eu sei. Não quero sua pregação, traidor, quero respostas. O Lorde dos Mortos estava com os acólitos, e não pôde proteger nenhum de vocês, mal pôde escapar.&lt;br /&gt;- Eu sei, eu estava lá, eu –&lt;br /&gt;- Você não faz idéia de como escapou, faz?&lt;br /&gt;- Eu não. Não me lembro bem. Só da luz, e de acordar seguro, no templo.&lt;br /&gt;- Você não é só idiota, Cyrian. É um idiota inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já havia conseguido se reerguer o bastante para sentar, e para expressar em seu rosto o quanto estava, de fato, confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não falou com ele, depois? Com o Lorde? Ele não lhe contou?&lt;br /&gt;- Ele não me contou muitas coisas.&lt;br /&gt;- Onde ele está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era difícil dizer ao certo, mas Cyrian acreditou ter visto um sorriso formar-se no rosto de Kryptus, enquanto ele se aproximava e se agachava, ficando ligeiramente acima de si.&lt;br /&gt;- Ah. Intenções verdadeiras não conseguem nunca se esconder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele levantou o queixo do prisioneiro com a mão, já por debaixo da luva novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você provou não ser de todo inútil. Afinal, era atrás disto que você estava, não, Cyrian? Do paradeiro do seu antigo mestre, a deidade inimiga?&lt;br /&gt;- Nós ouvimos rumores preocupantes. Rumores impossíveis, sobre um homem que teria assassinado um deus. - ele engoliu em seco antes de completar - Onde ele está, Kryptus?&lt;br /&gt;- Não faça perguntas. Eu já lhe avisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cyrian desviou os olhos. Não conseguia mais encará-lo de frente, muito menos aceitar o que começava a parecer-lhe verdade. Tentou fazê-lo enquanto relembrava a imagem do garoto assustado que, antes de completar os nove anos, tinha sido levado ao templo, de dizê-lo que não tivesse medo e que ele estava seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não pode ser verdade, Kryptus. Eu disse a eles que não podia ser.&lt;br /&gt;- O tempo é igual para todos, os mortos não regressam, os deuses não caem?&lt;br /&gt;- Sim, sim e sim!&lt;br /&gt;- No entanto, eu não sou mais novo que você, e você morreu e não está mais morto.&lt;br /&gt;- Kryptus ofereceu a ele uma pequena pausa, para que, no lapso de um único inspirar ofegante, ele tivesse tempo de surpreender-se, indignar-se e, afinal, perceber que era verdade. - E aquele a quem um dia chamamos de mestre, não vive mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ele estava seguro agora, mais do que nunca. Não era apenas incrivelmente poderoso: era o topo da escala hierárquica. Nem mais uma ordem superior ele precisava temer. Cyrian devia saber que ele era perfeitamente capaz de fazê-lo, mas mais que isso, que inevitavelmente o faria.&lt;br /&gt;- Você fez mesmo isso. Como pôde? Como conseguiu?&lt;br /&gt;- De maneira não muito diferente das que sempre usei. Animal, planta, monstro, homem, deus: no final, morrem mais ou menos da mesma forma.&lt;br /&gt;- Ora, seu. Como você? Pelo Abismo, você não entende o que quero dizer?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Ele. Ele salvou sua vida! Criou você! Te ensinou tudo que podia! Ele, ele era quase seu pai, ele –&lt;br /&gt; - Ele não permitiu que o que eu tinha de mais precioso vivesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cyrian levou algum tempo tentando entender a que aquilo se referia. Não fazia sentido, mas só havia uma pessoa da qual ele podia estar falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113095839949075376?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113095839949075376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113095839949075376' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113095839949075376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113095839949075376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/11/os-mortos-no-regressam-os-deuses-no_02.html' title='Os Mortos Não Regressam, Os Deuses Não Caem - 2'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-113017856162240828</id><published>2005-11-01T05:08:00.000-02:00</published><updated>2005-11-01T16:48:13.776-02:00</updated><title type='text'>Os Mortos Não Regressam, Os Deuses Não Caem - 1</title><content type='html'>Ele tinha pressa, passos lentos à parte. Agira com indiferença ainda maior para com seus inúmeros assistentes no evento que abandonou, porque os julgava, agora, não apenas inferiores, mas também obstáculos a um objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errou o andar, parando no 13° antes, esquecendo que evitara combinar suas atividades com as superstições acerca das mesmas, e reservara o 20° andar para a sede local do laboratório, assim como para a saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Ericsson o aguardava na porta do elevador, com o que parecia ser uma assistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cristóvam. - o doutor principiou, assim que as portas abriram.&lt;br /&gt;- Erasmo. Esta não é uma boa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro olhou ao redor. Clientes, candidatos a cliente e candidatos a funcionários lentamente percebiam a presença do dono do lugar, e começavam a aglomerar-se em volta. A moça, de longos cabelos avermelhados, pareceu levemente decepcionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguma coisa errada? - Erasmo tocou-lhe o ombro.&lt;br /&gt;- Não, uma coisa certa.&lt;br /&gt;- Ah, entendo.&lt;br /&gt;- Não esqueci dos seus projetos, doutor, nem desisti.&lt;br /&gt;- Na verdade, vim aqui mais para lhe apresentar minha sobrinha, Anna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça fitou-o com um sorriso dúbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah.&lt;br /&gt;- Deixemos para outra ocasião. Ainda esta semana, talvez?&lt;br /&gt;- Não sei. Tenho que ver minha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ströhlm dobrou o corredor, quase impossível de distinguir entre o amontoado de gente que já se aglomerava em frente ao elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agenda? - interrompeu a jovem Anna.&lt;br /&gt;- Não. Digo. Não quis dizer que não. Eu.&lt;br /&gt;- Tem certeza de que não tem nada errado, Cristóvam? - indagou Erasmo.&lt;br /&gt;- Não. Não tenho. - o barulho das pessoas começava a perturbar sua voz grave e baixa. - William!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu grito mal chegava a ser de fato grito, mas Ströhlm ouviu e atendeu, e sua silhueta intimidadora foi o bastante para afastar o pequeno grupo de curiosos, quando se aproximou. Logan, que o acompanhara, e cuja estatura menor impossibilitava que fosse visto antes, encarregou-se das relações públicas, como lhe era natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma boa tarde e com sua licença, todos. Infelizmente o Dr. Ramirez está aqui para um compromisso urgentíssimo e não poderá dispensar atenção a nenhum dos senhores. Porém tenho certeza de que nossos terminais de atendimento tradicionais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele prosseguiu com o protocolo, sinalizando com o rosto, dando a entender que ficaria ali e seu líder podia sentir-se livre para fazer o que bem entendesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Doutor Ericsson. Senhorita. - Ströhlm aproximou-se dos três. Quase permitiu que o costumeiro "Vossa Eminência" deixasse seus lábios para cumprimentar seu mestre, mas conteve-se, e a ele não disse nada.&lt;br /&gt;- Não demoremos, William. Erasmo.&lt;br /&gt;- Nos vemos em breve, Cristóvam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem Anna lançou-lhes um olhar que não souberam responder à altura, vindo ambos a deixar a entrada sem dizer mais nada a ela, e sem maiores empecilhos. Seguiram por uma longa série de corredores, rapidamente alcançando os fundos do laboratório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eminência. - Ströhlm tentou principiar.&lt;br /&gt;- Vocês não estão enganados? - seu mestre o interrompeu, enquanto se livrava da gravata. - Têm certeza de que é mesmo ele?&lt;br /&gt;- Nunca o vimos, Eminência. Mas, pela descrição e pelos rituais de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ströhlm deteve-se ao ver seu mestre, já com o paletó na mão direita, surpreender um faxineiro em pleno serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eminência. A Saída é na terceira porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O serviçal nada fez, exceto assustar-se com o olhar daquele que ele possivelmente nem sabia ser, direta ou indiretamente, seu chefe. Este levou lentamente a mão direita à testa, deu meia volta e comentou, quase num murmúrio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Terceira porta, William. Não era a segunda?&lt;br /&gt;- Não, meu senhor. Não aqui.&lt;br /&gt;- Não aqui. Realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele caminhou até a terceira porta e a abriu, enquanto seguia com o raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, a segunda porta era... Metrópolis. A sede de Metrópolis, não?&lt;br /&gt;- Creio que sim, meu senhor.&lt;br /&gt;- Não creia, William. Verifique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu a porta e adentraram sem cerimônia. A escuridão da passagem não lhes era mais incômoda, se é que fora em algum momento de suas vidas; caminharam reto, no mesmo ritmo constante, enquanto os poucos resquícios da parede de concreto de um depósito no edifício desapareciam no nada, o chão reto dava lugar a degraus descendentes, e a escuridão era finalmente quebrada pela luz de tochas, presas a paredes de pedra. Os degraus deram lugar a um corredor, e as paredes mal-iluminadas, a uma pequena porta de madeira bem conservada, com palavras entalhadas em uma língua esquecida pela maioria dos homens em quase todos os lugares, prontamente aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos atravessaram para um enorme salão oval, cujas paredes estendiam-se até quase perder de vista, repleto de portas semelhantes, onde dois homens e uma mulher, vestindo longos mantos negros, os aguardavam. Seguravam, ela, um manto de mesma forma e cor, dobrado, sobre o qual repousava um medalhão dourado, losangular, e um par de luvas azul escuras; eles, uma grande foice de cabo de madeira, um, e uma armadura de placas metálicas com detalhes dourados, o outro. Ajoelharam-se em reverência, ante a entrada de seus senhores, e declamaram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós o saudamos, Eminência, Lorde da Escuridão, Senhor dos Mortos, Caminhante das Dimen –&lt;br /&gt;- Isto não é necessário. - seu mestre os interrompeu, tomando as vestimentas da mulher, deixando-a com o paletó e a gravata. Vestiu o manto, o capuz já lhe cobrindo a cabeça, com um único movimento.&lt;br /&gt;- Onde? - indagou Ströhlm.&lt;br /&gt;- Aqui mesmo, milorde, na primeira cela da masmorra. - respondeu-lhe a mulher.&lt;br /&gt;- Na primeira? Ridículo. Esta cela está ocupada.&lt;br /&gt;- Bom, mi. Milorde. - ela teve alguma dificuldade para prosseguir - É que Vossa Eminência esteve aqui outro dia e. Ele. Vossa Eminência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vossa Eminência fez com que a carne dele derretesse, e que ele de alguma forma continuasse vivo embora fosse apenas feito de ossos, e então deu vida à carne, virou-a do avesso, e a fez destroçar os ossos, e então o prisioneiro estava preso de novo na carne, e sabia que tinha se tornado um monstro, então tentou se matar com os restos de seu fêmur, mas não conseguia. Então o mestre arrancou seus olhos e o fez engoli-los, depois fez o mesmo com a genitália, que ele, algumas horas depois, defecou, intacta. E quando ele se preparou para fazer mais alguma coisa não agüentei mais e saí, e Eminência só saiu de lá uma hora depois, com a cabeça do homem, deixando o restante num estado que eu não saberia descrever."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o que ela gostaria de conseguir dizer, mas Ströhlm apenas acenou com a cabeça e respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entendo. - e, vendo que seu mestre já terminara de por as luvas, acrescentou - Mais alguma instrução, senhor?&lt;br /&gt;- Não me perturbem.&lt;br /&gt;- Perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tomou a foice das mãos de seu acólito e rumou para o centro da sala, quando o outro rapaz, como se quisesse lembrá-lo, o interrompeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eminência, a ar –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi um olhar rápido, nem qualquer expressão repressora no rosto de seu mestre, que fez sua voz falhar: não houve nem uma coisa nem outra. Foi a lembrança de que, da última vez em que o vira ser interrompido daquela maneira, ele permaneceu perfeitamente normal e sereno, e não precisou dizer uma única palavra para que o servo que o interrompera explodisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- madura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também nenhuma resposta foi necessária. Seu mestre apenas o fitou por mais dois segundos, e isto bastou para que ele tivesse certeza de seu engano, e no momento seguinte se ajoelhasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdão, Eminência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém disse nada. O lorde retomou seu trajeto como se nada tivesse ocorrido, parando cerca de quinze passos depois, abaixando-se, e abrindo um alçapão que ninguém poderia descobrir lá. Então desceu por pequenos degraus de madeira, fechando a entrada atrás de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A masmorra era simples. Consistia de um único corredor, cujo tamanho era difícil precisar, com celas ao lado esquerdo, separadas, umas das outras, por paredes, do vão central, por barras de metal muito pouco distantes umas das outras, cuja natureza mística o perfeito estado de conservação e brilho incomum podiam rapidamente delatar: olhar para elas era saber, no íntimo, que elas deteriam qualquer tentativa de fuga - mesmo as que não envolvessem cruzá-las. O que quer que emitisse a fraca luz que iluminava o lugar não estava ao alcance da vista. O chão era de um tom arenoso, as paredes, da cor do granito, mas ambos perfeitamente lisos, sem nenhum relevo que o toque pudesse perceber. E o teto era indiscernível; quem mirasse para o alto poderia dizer com certeza que ele estava lá, em algum lugar, mas não onde, nem bem qual seria sua cor ou sua forma, que parecia ora reta, ora côncava. E em nenhum ponto do corredor, nem em nenhuma das celas, havia mobília de qualquer tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira cela à esquerda, deitado, ligeiramente recostado na parede, estava um homem abatido, de longos cabelos castanhos claros e olhos de mesma cor, vestido com o que pareciam ser restos de uma robe branca, tornada cinzenta e avermelhada pela poeira e pelas manchas de sangue. Ao avistar o senhor da masmorra se aproximando, levantou-se o mais rápido que pôde e exclamou, absolutamente surpreso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Kryptus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________________________&lt;br /&gt;Só pra constar, este conto também terá 3 partes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-113017856162240828?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/113017856162240828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=113017856162240828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113017856162240828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/113017856162240828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/11/os-mortos-no-regressam-os-deuses-no.html' title='Os Mortos Não Regressam, Os Deuses Não Caem - 1'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112960505369583828</id><published>2005-10-18T00:59:00.000-02:00</published><updated>2005-10-18T01:10:54.543-02:00</updated><title type='text'>Dramaturgos</title><content type='html'>Eu reli meu maior calhamaço outro dia. E, depois, reli isto. Eu não me lembrava, não mesmo. Não tinha percebido as pistas que tinha deixado para mim mesmo nelas; nem muito menos o quão verdadeiro é este trecho - ou então percebi, e esqueci, que é o que fazemos com as coisas que nos incomodam.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O que quer que tenha acontecido comigo e minha vida, aconteceu na qualidade de dramaturgo. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Eu me apaixonaria ou me deixaria tomar pela luxúria. E, no auge de minha paixão, pensaria, "então esta é a sensação", e comentaria tudo com palavras bonitas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu testemunhei minha vida como se estivesse acontecendo com outra pessoa. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Meu filho morreu. E eu sofri muito, mas assisti à minha dor e até mesmo apreciei um pouco, pois agora poderia escrever mortes reais. Uma perda verdadeira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A dama negra partiu meu coração e chorei, em meu quarto sozinho, mas enquanto me lamentava, em algum lugar dentro de mim, eu estava rindo. Pois eu sabia que poderia tomar meu coração partido e colocá-lo no palco do The Globe, e fazer a platéia derramar suas próprias lágrimas."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Neil Gaiman, "Sandman - A Tempestade"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sujeitinhos citáveis, estes ingleses...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112960505369583828?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112960505369583828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112960505369583828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112960505369583828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112960505369583828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/10/dramaturgos.html' title='Dramaturgos'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112949616444294142</id><published>2005-10-16T18:50:00.000-02:00</published><updated>2005-10-16T18:56:04.450-02:00</updated><title type='text'>Chimerae - 3</title><content type='html'>“Eis aí a Quimera”, declarou, sabendo que ela era ou havia sido, também, Thelkterion; e por ele não derramou lágrimas, mas também não conseguiu tirar-lhe nenhum pedaço do corpo, cauda, garra, pata ou cabeça, que pudesse provar sua vitória. Sem olhar para trás, deixou a torre, retornando ao lugar de onde viera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era noite quando ela alcançou o trecho onde os arredores da estrada dividiam-se novamente em dois, e avistou a figura de Hain em seu manto de duas cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Saudações, companheiro!” Valina aproximou-se, alegre pela caçada bem-sucedida.&lt;br /&gt;“Saudações, caçadora.”, ele respondeu, ainda com a moeda em mãos.&lt;br /&gt;“Tuas direções foram certas, teus conselhos, falsos, e teus temores, infundados.”&lt;br /&gt;“E por que seria isto?”&lt;br /&gt;“Segui o caminho que me apontaste, encontrei a besta e a derrubei, sem que ela pudesse me ferir.”&lt;br /&gt;“És jovem e tola. Seguiste o caminho que apontei, é verdade. Mas não encontraste a besta, e a ferida que agora carregas é a maior que carregarás.”&lt;br /&gt;“Tolo és tu! Eu bem sei o que vi e pelo que passei!”&lt;br /&gt;“Tu vês apenas o que queres, e o que viste é apenas um lado daquilo que já conhecias e, como moeda, tem sempre outro lado. Dize-me: foi um monstro que tua espada perfurou? Ou um homem?”&lt;br /&gt;“Um monstro!”&lt;br /&gt;“Então retorna lá, Valina, filha de Valmont. Ninguém nunca pôde impedir-te de seguir teu caminho, nem poderá, senão o último juízo de Mire, quando a lua for da cor do sangue e o terror vier do Oeste.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que ela compreendeu que aquelas eram as palavras de um deus, a quem os antigos chamavam Ha, cujo nome principia o modo como até hoje alguns designam nosso lar, e que é o equilíbrio, a balança que tudo pesa, senhor das estradas, pai das medidas, e que não pode ter estado em todos os lugares porque é em todos eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela retornou, sem parar para descansar, comer ou dormir, para a caverna, tomada pelo desespero. Adentrando a torre e correndo até a sala de armas, encontrou um rastro de sangue que levava até o quarto, onde, na cama, jazia, agonizando de dor, Thelkterion.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“És tu que vem aí, Valina? Não consigo mover-me para ver teu rosto.”&lt;br /&gt;“Sou” ela respondeu, mas não conseguiu aproximar-se. “Que se passou contigo, como foi que te feriste desse modo?”&lt;br /&gt;“Não sei bem. Posso ter apenas delirado, ou sido vítima de um ardil.”&lt;br /&gt;“Que queres dizer?”&lt;br /&gt;“Sei apenas que um dia saíste para procurar a besta, Quimera, e quando regressaste, eras um bode. Apesar disso vi que era mesmo ainda tu, e disse que devias ficar na torre comigo, pois me sentia solitário, mas tu retrucaste que, pelo contrário, eu é que devia sair à caça contigo. Então, no dia seguinte, quando tentei fazê-lo, surgiste como um leão e me impediste, dizendo que não precisavas de minha ajuda, e quando voltaste, disse que procuraria mais um dia e, falhando, iria embora. Então, apesar de triste, fiquei contigo, mas acordei ao lado de um dragão; como ainda assim sabia que era na verdade tu, embora dragão, disse-te que não partisse, pois a queria sempre comigo, mas respondeste que nada te prenderia aqui, e que, se eu o tentasse, tu furarias meus olhos, derrubaria minha torre, lacraria minha caverna e arrancaria meu coração!”&lt;br /&gt;“Sim”, conseguiu murmurar Valina. “Foi o que eu disse.”&lt;br /&gt;“Custa-me crer”, retrucou-lhe o incrédulo Thelkterion, e prosseguiu. “Mas tinhas razão em não querer ficar aqui, pois minha torre tornar-se-ia prisão para ti, viajante. Por isso, quando terminaste tua última busca, fui ao teu encontro, e no caminho disse-te que, para onde quer que fosses, eu seguiria, e tu respondeste que eu em realidade não queria, nem poderia fazê-lo. Pois eu então disse que não queria nem podia era viver sem ti, e desci à sala esperando ver teu belo rosto, mas deparei-me com a fera terrível que tu procuravas, e que eu julgava nem existir! Então lutei com ela, e até pude feri-la com meu fogo e meus truques, mas ao final...”&lt;br /&gt;“Ao final ela perfurou-te o coração com uma estocada certeira, e o deixou moribundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thelkterion arregalou os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eras tu! Maldita seja, tu e tua maldita caça de monstros!”&lt;br /&gt;“Era? Eu nunca quis ferir-te.”&lt;br /&gt;“Pois foi exatamente o que fizeste. E se há não muito tempo eu te disse, que se fosses embora, não precisarias preocupar-se em arrancar meu coração, digo-te agora: deixa-me, que já o destruíste!”&lt;br /&gt;“Mas tu, teu ferimento! Vais ficar bem?”&lt;br /&gt;“Não. Mas que isso não te impeça de partir.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela partiu, lançando um longo olhar para ele, para o quarto, para a torre, para a caverna. Então principiou a chorar como nunca havia chorado, e entendeu qual era a ferida de que lhe falara Hain – que, ainda naquele dia, veio até ela nos arredores da entrada da caverna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Entendes agora?”, perguntou-lhe ele.&lt;br /&gt;“Sim. Entendo quem é o outro lado da moeda, e entendo aquilo de que me falaste da primeira vez em que nos vimos.”&lt;br /&gt;“Então alcançaste o equilíbrio, embora o preço pago tenha sido alto. E no futuro, que ele guie tuas ações e teus conselhos, e te permita sempre vislumbrar as moedas como devem ser vislumbradas, e distinguir as verdades das ilusões.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim disse ele. E algum tempo depois, quando os dragões atacaram e iniciou-se a Grande Guerra, as quimeras uniram-se a eles e às outras grandes bestas, diz-se que foi a ela que Ethos e o Imperador pediram conselho, e que foi ela quem lhes disse que lutassem, embora poucos, ou talvez ninguém, compreendam seus motivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112949616444294142?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112949616444294142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112949616444294142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112949616444294142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112949616444294142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/10/chimerae-3.html' title='Chimerae - 3'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112925288040262972</id><published>2005-10-13T22:11:00.000-03:00</published><updated>2005-10-13T22:21:20.413-03:00</updated><title type='text'>Chimerae - 2</title><content type='html'>Ele vestia azul, e seus cabelos enrolavam-se à frente de seus olhos claros como o céu, e sorria um sorriso despretensioso, como quem ri de uma criança tropeçando enquanto aprende a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem és tu?” indagou-lhe Valina, espada em riste.&lt;br /&gt;“Sou o senhor da torre. Não me chamaste?” riu-se ele, na resposta. Não portava nenhuma arma, nem tinha, aparentemente, nenhum medo.&lt;br /&gt;“Chamei.”&lt;br /&gt;“Pois agora me diz teu nome e o que tencionas em meu lar, viajante.”&lt;br /&gt;“Meu nome já disseste, e nada quero com teu lar, mas com o monstro que, me foi dito, encontraria aqui.”&lt;br /&gt;“Ah, certamente que não o disseram, pois aqui não se encontra nenhum monstro, Valina, nem eu permitiria que um aqui vivesse.”&lt;br /&gt;“E como devo chamar-te, senhor da torre?”&lt;br /&gt;“Chama-me de Thelkterion, e aceita minha hospitalidade, que já é noite lá fora, e certamente andaste muito para chegar aqui.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aceitou, hesitante a princípio, e adentrou a torre de paredes prateadas onde, guiada por seu anfitrião, conheceu maravilhas que jamais pensaria existirem. Viu animais multi-coloridos, pintados e listrados, alguns tão grandes quanto uma casa, outros que falavam na língua dos homens. Em um andar, podia caminhar pelos ares como se nadasse em um grande lago; em outro, subir pelas paredes como uma aranha. Num quarto, era rodeada por estrelas, e em outro, pelo brilho do sol, e o chão era como a areia úmida da praia. Havia uma biblioteca de livros que se escreviam sozinhos, multiplicando-se ao infinito, revezando em prateleiras que eram sempre limpas como novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Thelkterion, por sua vez, era quase tão inusitado e incrível quanto sua residência. Ele podia fazer fogo, água e gelo com as mãos, e a seu chamado, atendiam todas as aves da noite, ao lado dos quais podia voar como se caminhasse pelos céus. Podia fazê-la pensar que estava onde não estava, que via o que não via, e podia soar como qualquer pessoa, animal ou besta que ela conhecesse; e conhecia o nome secreto de mil homens e lugares, e tinha guardado em frascos a brisa do mar, o sopro gelado das montanhas do norte e a tempestade do deserto. Percebendo como ele sabia muito sobre tudo que habitava a terra de Heshna, Valina decidiu perguntá-lo sobre o alvo de sua caçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Apenas uma lenda, que eu saiba”, respondeu-lhe Thelkterion, “mas lendas dizem muito.”&lt;br /&gt;“E o que elas dizem sobre este monstro?”&lt;br /&gt;“Há um poema, que diz que não havia quimeras no mundo, pois elas não têm lar nem época. Até o dia em que surgiram, e então surgiram em todos os lugares e todos os tempos, e por isso nenhum mortal pode encontrá-las.”&lt;br /&gt;“Pensei que houvesse apenas um destes monstros.”&lt;br /&gt;“Como disse, não acho que haja nenhum. Mas havia um povo que dizia que a verdade é uma só, e as mentiras são muitas.”&lt;br /&gt;“Parece-me muito sábio.”&lt;br /&gt;“Parece-me uma tolice.”&lt;br /&gt;“É que tu gostas dos muitos lugares e dos muitos truques. E gostas de nomes longos como os teus, porque és como todos os homens.”&lt;br /&gt;“E tu dar-me-ia um nome curto, como fazem as mulheres?”&lt;br /&gt;“Se deixares, chamo-te, de agora em diante, Kterion.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu um sorriso dúbio ao ouvir isto, e ela entendeu que já o haviam chamado por tal nome uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se deixares.”, ela repetiu.&lt;br /&gt;“Deixo.”, ele respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como é natural às jovens, quando encontram com alguém belo e trocam com ele belas palavras e momentos, ela entregou-se a ele naquela noite, e dormiu o mais agradável dos sonos em sua cama, com a colcha adornada por estrelas reluzentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertou no fim da manhã, enquanto Thelkterion ainda dormia, vestiu sua armadura, apanhou suas armas, e já se punha na direção da porta, quando ele, despertando, a chamou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vais aonde, viajante, tão cedo? Não te agradas da minha cama e minha companhia?”&lt;br /&gt;“Tu, tua cama e tua casa em tudo me agradam. Mas sou o que sou, e vim aqui caçar uma besta, não usufruir de tua companhia.”&lt;br /&gt;“Fica aqui mais um pouco! Não há nenhuma besta lá fora, e há pães, vinhos e carnes para nosso desjejum, de que certamente nunca ouviste falar, e uma varanda da qual poderemos ver o sol se pondo, e um vidro de água na qual nadaremos como se estivéssemos no oceano. Fica!”&lt;br /&gt;“Não.”&lt;br /&gt;“Então ao menos volta, mais tarde, quando desistires de procurar lá fora aquilo que não está lá nem podes encontrar!”&lt;br /&gt;“Está bem, então: se, ao final do dia nada tiver encontrado, voltarei.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim fez: o restante do dia investigou a caverna, que era muito maior do que parecia, e todas suas paredes, rochas e passagens, mas nada encontrou; e ao final do dia retornou à torre, cuja porta estava para ela, agora, aberta. Mas quando adentrou o quarto onde havia deixado Thelkterion mais cedo, deitado sobre sua cama encontrou apenas um cabrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sai desta cama, animal”, gritou Valina com ele, e tentou afugentá-lo com sua espada, mas ele não saiu, e, para sua surpresa, retrucou.&lt;br /&gt;“Porque sairia? Esta é minha cama.”&lt;br /&gt;“Esta cama é de Kterion.”&lt;br /&gt;“Eu sou Kterion.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abaixou a arma, entendendo que era verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por que não ficaste aqui e cuidaste de mim?”, baliu a criatura. “Esta torre sem ti é vazia e sem encanto, e agora, sozinho, não consigo nem ao menos deixar este quarto ou encontrar os lugares onde guardo minha comida.”&lt;br /&gt;“Talvez,” principiou ela em resposta, apiedando-se dele, “talvez tenhas razão. Talvez eu deva cuidar de ti.” Porém então a piedade sumiu-lhe do peito, por ser ele tão fraco e suplicante, e ela prosseguiu com veemência: “Mas talvez tu também devesse ter me ajudado a descer e procurar o monstro, tu que caminhas no ar e faz fogo com as mãos, tu que sabes o nome de mil criaturas e guarda frascos de brisa. Se tu tivesses me ajudado, certamente eu teria encontrado minha presa sem correr nenhum risco, se tu também cuidasses de mim!”&lt;br /&gt;“Talvez tenhas razão”, o bode sussurrou. “Perdoa-me, deixa-me cuidar de ti, deita-te de novo aqui comigo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela deitou-se, e novamente dormiu com Thelkterion debaixo da colcha adornada por estrelas reluzentes, embora ele fosse um bode; e assim que o fez ele retornou à sua forma de homem, e tiveram ambos um sono agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando despertou, porém, Valina não encontrou ninguém a seu lado na cama, e descendo as escadas, próximo ao portão aberto, avistou um leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alto, quem és?”, ameaçou-o, sacando a espada.&lt;br /&gt;“Sou Thelkterion!”, o animal rugiu em resposta. “Sou Thelkterion celeste, posso caminhar no ar e fazer fogo com as mãos, e sei o nome de mil criaturas e guardo frascos de brisa. Se há uma besta lá fora, ela será minha presa, e eu não necessitarei da ajuda de ninguém para encontrá-la e matá-la eu mesmo!”&lt;br /&gt;“Talvez”, principiou ela em resposta, respeitosa de seu poder, “talvez tenhas razão”. Porém então o respeito sumiu-lhe do peito, por ser ele tão prepotente e arrogante, e ela prosseguiu com veemência: “Mas eu é que vim em busca desta besta, e foi a mim que o povo daqui pediu ajuda e instruiu. Eu é que devo caçá-la, pois sou Valina, espadachim, arqueira e domadora, assassina de monstros, protetora de homens, andarilha de todos os caminhos! E não necessitarei da ajuda de ninguém para encontrá-la e matá-la eu mesmo!”&lt;br /&gt;“Talvez tenhas razão”, o leão sussurrou. “Perdoa-me, não devo interferir em tua missão, não a impedirei; vai, procura e mata tua presa, se puderes. Mas ao menos volta aqui à noite, se ainda achar agrado por mim em teu coração.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi e, convencida de que nada havia na caverna, deixou-a e vasculhou a floresta, cada folha, árvore e arbusto, e não encontrando nenhum sinal do monstro, quando a noite baixou voltou, exausta, para a Torre, e encontrou Thelkterion, novamente um homem, esperando-a na porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mais uma vez, nada pude encontrar”, disse-lhe, “amanhã, procuro pela última vez, no único lugar em que não procurei. E se não encontrar nada, partirei.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele mostrou-se muito triste ao ouvir isto, mas nada disse, e passaram o resto da noite juntos como se nada daquilo houvesse acontecido, e dormiram o sono agradável, debaixo da colcha adornada por estrelas reluzentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou no dia seguinte, Valina dormia ao lado de um grande dragão de escamas vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sai desta cama, monstro!”, berrou, rapidamente saltando de espada em riste.&lt;br /&gt;“Quem não sairá deste quarto és tu, mulher!”, respondeu a besta com um rosnado que era como um trovão, e as paredes da sala tremeram e as janelas se estilhaçaram. “Pois é meu desejo ter sempre contigo conversas, e que sempre chame pelo nome que me deste. E quero sempre poder ouvir tua voz mansa, correr as mãos pelos teus cabelos lisos, sentir a tua boca, a pele macia de teus seios, teus braços, tuas coxas, o cheiro que deixas em minhas colchas de estrelas reluzentes. Tu ficarás aqui e farás tudo que eu te disser!”&lt;br /&gt;“Ou o que?”, disse-lhe Valina, e sua voz não era mais mansa.&lt;br /&gt;“Ou queimarei teus cabelos, dilacerarei tua pele, arrancarei tua cabeça de teu pescoço alvo, que eu prefiro-te morta a longe de mim, e não serei negado!”&lt;br /&gt;“Talvez,” principiou ela em resposta, temerosa de sua fúria, “talvez tenhas razão.” Porém então o medo sumiu-lhe do peito, por ser ela tão valente e habilidosa, e prosseguiu com veemência: “Mas é meu desejo estar sempre viajando, e que possa sempre mudar de lugar para lugar. E quero sempre poder ouvir o murmúrio do vento e do mar, sentir o cansaço das andanças nas pernas, o prazer de conhecer nova gente, de cavalgar, de uma boa luta de espadas, do dobrar das cordas dos arcos e do zunido das flechas, de uma vitória suada. Eu irei para onde quiser e tu não poderás me deter!”&lt;br /&gt;“Ou o que?”, urrou o monstro.&lt;br /&gt;“Ou furarei teus olhos, derrubarei tua torre, lacrarei tua caverna e arrancarei teu coração, que prefiro estar morta a aqui presa, e não serei negada!”&lt;br /&gt;“Talvez tenhas razão”, o dragão sussurrou. “Perdoa-me, não devo deter-te aqui, nem muito menos quero ferir-te, nem sei se poderia fazê-lo. Vai aonde te aprouver, apenas lembra de mim, e saibas que, se te fores, não deves te preocupar em arrancar meu coração.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Valina não saiu da Torre, pois era este o último lugar onde deveria procurar, e de fato as palavras de Thelkterion, dragão ou não, trouxeram-na as memórias dos momentos agradáveis, e ela não sentia mais o ímpeto de partir. Não encontrou nada, porém, e quando se sentava para descansar de sua busca frustrada, uma voz ecoou pela torre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Valina, onde estais? Para onde vais?”&lt;br /&gt;“Estou no salão das armas, e não vou a lugar algum.”&lt;br /&gt;“És viajante, estarás sempre indo a algum lugar”, prosseguiu a voz, que era, e não era, a de seu hospedeiro. “E eu desejo ir contigo.”&lt;br /&gt;“Não sê tolo, Kterion. Tu tens tua torre, teus livros e teus quartos para cuidar, e todas as maravilhas que quer. Não queres de fato sair daqui, nem acho que possa; não és viajante.”&lt;br /&gt;“O que não quero nem posso,” completou, aproximando-se cada vez mais, “é viver sem ti.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim que terminou de falar, adentrou a sala, mas não era mais Thelkterion. Seu corpo peludo era, sustentado por quatro patas terminadas em garras afiadas, e em seu ombro direito havia a cabeça de um bode, no esquerdo, a de um leão, e sua cauda era também o pescoço escamoso e avermelhado, que levava à face de um dragão hediondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valina sacou de pronto sua espada e defendeu-se do monstro, que tentou devorá-la; durante longo tempo lutaram, e ela feriu-se muito com o fogo, os chifres, os dentes e as garras, mas ao final perfurou-lhe na altura onde deveria ficar o coração, e a besta caiu derrotada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112925288040262972?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112925288040262972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112925288040262972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112925288040262972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112925288040262972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/10/chimerae-2.html' title='Chimerae - 2'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112829379619266505</id><published>2005-10-11T03:50:00.000-03:00</published><updated>2005-10-11T03:53:58.413-03:00</updated><title type='text'>Chimerae - 1</title><content type='html'>Há muito tempo atrás, quando o Grande Império cobria a Terra, e os dragões e os deuses caminhavam entre os homens, e as duas luas ainda eram brancas, viveu uma mulher chamada Valina, que entre os antigos significava "viajante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valina não conheceu seus pais, nem o lugar onde nascera. Foi criada por um caçador de monstros chamado Valmont, que dizia tê-la encontrado na estrada e não saber nada nem sobre uma coisa nem outra, embora ela mesma desconfiasse que lhe escondia algo. De todo jeito, amava-o como a um pai, e aos mercenários que o acompanhavam, como família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cedo aprendeu a caçar, orientar-se na selva, na montanha e na planície. Criança, era magra e tinha a pele muito lisa e suave; mas logo o exercício diário e as intempéries da vida de viagem e risco calejaram suas mãos, enrijeceram sua pele, alteraram a expressão suave de seu rosto. Ela não gostava de seus cabelos totalmente lisos, que denunciavam sua origem estrangeira e o não-parentesco com Valmont: buscava cortá-los, amarrá-los ou ao menos, desarrumá-los, em vão. Aprendeu, por observação e, mais tarde, por rebeldia, as artes da espada, da montaria, e do arco, e mesmo entre os do grupo seu talento era sem par, embora todos, por terem-na como irmã ou como filha, a poupassem de todos os riscos e a impedissem de participar das batalhas. Então, um dia abandonou-os sem aviso e foi viajar por conta própria, em busca de aventura, e de sua terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo havia também grandes bestas, muito mais terríveis do que as que hoje conhecemos, que a generosidade dos deuses lacrou em lugares remotos, junto com os dragões, após a Grande Guerra, que mesmo os maiores heróis temiam caçar. Pois diziam que no sudoeste, que hoje chamamos de Illwar, vivia uma enorme besta alada de três cabeças conhecida por Quimera, que surgia inesperadamente, trazia morte e fogo em seu encalço, e desaparecia, sendo qualquer herói incapaz de encontrá-la ou feri-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando por lá, Valina foi abordada por um homem alto, cujas vestes eram brancas de um lado e negras do outro, e que andava jogando para o ar uma moeda prateada. Ela normalmente o ignoraria, como costumava fazer com quase todos; mas percebendo que ele não possuía bagagem nem arma e, portanto, talvez estivesse perdido ou desabrigado, embora seu rosto fosse muito sereno, abordou-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Viajante”, aproximou-se, com a palavra que era também seu nome, “aonde vais desarmado e desprotegido? Acaso estás perdido ou em falta do lar? Se precisares, aceita aqui um pouco de minha comida e minha água, e te darei proteção e farei companhia pela noite.”&lt;br /&gt;“Diverso de ti, guerreira,” respondeu o homem, “não sou nem nunca serei viajante.”&lt;br /&gt;“Então, moras aqui?”&lt;br /&gt;“Este é meu lugar. Ainda assim, de bom grado, aceitarei tua oferta, se ela foi mesma sincera.”&lt;br /&gt;“Foi. Qual teu nome, estranho?”&lt;br /&gt;“Podes chamar-me Hain.”, ele retrucou, seu nome significando “medida”, do qual derivou a moeda que, por séculos, usaram mais tarde em Narn.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentaram-se então ao redor de uma fogueira e comeram, embora o estranho não despejasse a primeira gota da bebida para Heryina, como muitos de nós fazem para a Deusa até hoje, e tiveram uma conversa agradável, pois as palavras dele eram belas e ponderadas, e ele sabia de muitas coisas de muitos lugares onde ela ainda não estivera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E tu estiveste? Em todos os lugares de que me fala?”&lt;br /&gt;“Não.”&lt;br /&gt;“Então como sabes tanto sobre eles?”&lt;br /&gt;“Tu precisas ser outra pessoa para conhecê-la?"&lt;br /&gt;“Não, mas precisas conviver com ela, conversar com ela.”&lt;br /&gt;“Exatamente.”&lt;br /&gt;“Não entendo.”&lt;br /&gt;“Chegará o dia em que alcançarás o equilíbrio para aconselhar os homens a tomar a maior decisão que já tomaram. Então, entenderás.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela calou-se por um momento, sem conseguir dar sentido adequado às palavras do homem, até que, deixando de lado tanto o maravilhoso conselho quanto a profecia, sem se dar conta da importância de ambos, preferiu mudar o assunto e indagá-lo sobre outra coisa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hain, tua companhia me é muito agradável e tuas palavras parecem-me muito sábias, de modo que nem considero esforço dividir contigo minha água e comida, ou meu tempo. Ainda assim, pedir-lhe-ia um favor em retorno.”&lt;br /&gt;“Concedê-lo-ei, se em meu poder estiver; não há favor que não traga retorno.”&lt;br /&gt;“Este é teu lugar. Acaso sabes de uma besta conhecida por Quimera, que dizem viver por estas bandas?”&lt;br /&gt;“Sei. E diria para manter-se longe desta, se achasse que minhas palavras a dissuadiriam.”&lt;br /&gt;“Como posso encontrá-la?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pareceu suspirar levemente antes de prosseguir, embora tanto o suspiro quanto o seu respirar fossem quase inaudíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E o que farás à Quimera, espadachim?”&lt;br /&gt;“Eu caço monstros. E foi o que me ofereci a fazer para o povo das redondezas. Ela é minha presa.”&lt;br /&gt;“Pois bem.” disse-lhe Hain, em seguida apontando para uma trilha atrás de si e a sua direita. Era pequena e quase inteiramente coberta; à direita dela, a vegetação crescia frondosa com muitas flores de várias cores, e à esquerda, era um marrom uníssono, com grandes e velhas árvores de grossos troncos. “Se seguirdes por esta trilha, é certo que a Quimera cruzará teu caminho.”&lt;br /&gt;“Então devo andar aqui e supor que, por chance, a encontrarei, então?”, Valina retrucou, sem poupar uma pitada de ironia, talvez julgando que ele fizesse o mesmo.&lt;br /&gt;“Quimeras não se encontram, caçadora. Muito menos por chance.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizendo isto, deitou-se de costas em uma rocha próxima e, levando as mãos à nuca, acrescentou:&lt;br /&gt;“Durmo aqui também, se não te importas. E aconselho-te a fazer o mesmo, se desejas ainda empreender tua caçada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim o fizeram, e Valina dormiu um sono agitado, de sonhos em que seu pai e seus amigos tentavam, mais uma vez, dizê-la que não devia nunca caçar monstros, o que era trabalho para homens, e impedi-la de manusear a espada e armar o arco. Acordou num ímpeto e não viu sinal de Hain quando despertou, o que não a surpreendeu; arrumou suas coisas e seguiu pela trilha que ele indicou, impulsionada pelas palavras trazidas pelos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um tempo a trilha continuava como começara, com dois lados bem distintos, e Valina cruzou com alguns habitantes de ambos os lados: os da esquerda eram sóbrios, de poucas palavras, educados e voluntariosos; os da direita, brincalhões, risonhos, falastrões, mas, com freqüência, subitamente ríspidos e mal-humorados. Quando indagados sobre a Quimera, os primeiros diziam-na que tomasse cuidado com a caverna ao fim da trilha; os últimos, que nunca tinham visto nem ouvido falar de tal besta. Ao final de um dia, porém, o lado esquerdo gradualmente cedeu espaço para as flores e folhas coloridas, e quando deitou-se para dormir, Valina já se via rodeada por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na manhã deste dia, a trilha terminou em uma caverna, e como o povo da margem esquerda da trilha dissera-lhe que tomasse cuidado, ela supôs que o monstro lá estaria, e entrou com cautela, de armas à mão, enquanto descia na escuridão. Porém ao virar da primeira curva, deparou-se com o topo de uma enorme torre de prata, descendo rumo ao vão das paredes rochosas, que reluzia como a lua cheia e iluminava tudo com um brilho esplendoroso. Ela desceu até o portão, e bateu e exigiu falar com o senhor da torre. Ninguém lhe deu respostas, nem, aparentemente, desceu para falar – mas, quando ela virou-se de costas, ele já estava lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112829379619266505?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112829379619266505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112829379619266505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112829379619266505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112829379619266505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/10/chimerae-1.html' title='Chimerae - 1'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112337124592328310</id><published>2005-09-08T01:17:00.000-03:00</published><updated>2005-09-09T01:16:51.356-03:00</updated><title type='text'>Capítulo XI</title><content type='html'>&lt;em&gt;O desfecho da contenda contra os misteriosos agressores. Doloné infiltra-se em Neo-Ílio, descobre algo perturbador e tem um encontro inesperado. Primus tem uma reunião com 3 misteriosas figuras. Rowen, Karina e Gericault deixam Lafrëug, e conversam.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As seis figuras encapuzadas saltaram novamente para a escuridão das vielas, tão rápido quanto haviam saído; mas Rowen sabia e calculava, enquanto puxava a lâmina de seu sabre de dentro do peito do sétimo deles, que aquilo não era uma fuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu falei pra você não se meter! - gritou Karina, tendo pouco sucesso em recarregar sua arma, sem o braço esquerdo.&lt;br /&gt;- Obrigado, Rowen, eu sou uma moça muito educada e sempre agradeço quando matam o sujeito que estava prestes a me decepar - ele conseguiu brincar em resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximou-se dela de lado, os olhos rodando em volta; no momento em que fixou-os para verificar o ferimento no braço dela, Karina apontou a pistola em sua direção, berrou, com ares de indignada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cala a boca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E disparou um único tiro certeiro na testa do encapuzado que havia se aproximado por detrás de Rowen sem que ele percebesse, jogando sua cabeça para trás enquanto a inércia carregava o corpo para a frente, acelerando o encontro das costas com o chão duro dos becos de Lafrëug.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O seu braço. - murmurou Rowen, atônito diante da ausência do ferimento de Karina. - Como -&lt;br /&gt;- Depois, fenício.&lt;br /&gt;- Eles estão dando a volta. - interrompeu Gericault, com uma de suas cartas nas mãos.&lt;br /&gt;- Nos cercando. - concluiu Karina. Rowen, varrendo o entorno com a vista, indagou:&lt;br /&gt;- Você consegue vê-los?&lt;br /&gt;- Não. - respondeu o outro; guardou a carta e permaneceu parado, com os braços largados.&lt;br /&gt;- Bom, pelo menos eles parecem ser burros o bastante para não atacar todos de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uma sombra movendo-se muito acima seguiram-se duas silhuetas à esquerda, causando um breve e incômodo silêncio, que Rowen quase se viu incapaz de quebrar com um comentário irônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso, dá idéia pro inimigo.&lt;br /&gt;- Andarilhos das sombras. - Karina pensou alto.&lt;br /&gt;- Da luz é que não iam ser. - um leve ruído atraiu sua atenção - Impressão minha ou os corpos dos caras que matamos acabaram de sumir?&lt;br /&gt;- Agora. - sentenciou Gericault com sua voz fraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um instante após, brotando dos cantos mais escuros do chão, ressurgiram 3 dos mascarados desaparecidos, rodeando Karina. Do disparo que foi sua reação, o primeiro destes escapou com uma acrobacia mirabolante, saltando por cima dela, o corpo um aparente borrão negro pontilhado pela máscara branca enquanto caía do outro lado e, com um enrolar do manto, puxava o rosto dela rumo ao chão - apenas para, em seguida, cair com a garganta perfurada pela adaga cravejada de jóias arremessada por Rowen, e desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem fenício já se precipitava para ajudar Karina, quando 2 outras silhuetas caíram sobre si, aparentemente saídos de lugar nenhum. Mais rápido do que sua companheira, ele saltou para trás, evitando os mantos escuros, enquanto desferia um corte vertical que partia em dois o sorriso sinistro na máscara de um de seus oponentes - junto com o que deveria ser seu crânio. O esguicho de sangue escurecido resultante disto forçou-o a proteger a vista apenas tempo suficiente para que o outro agressor, saltando por sobre o corpo do anterior, arremessasse o sabre de Rowen para longe com sua estranha arma de lâmina curva, e preparasse um corte que muito possivelmente lhe custaria uma mão. O sabre arremessado raspou na jaqueta amarronzada de Gericault, que permanecia parado, fitando o vazio com seus olhos prateados como se absolutamente nada estivesse acontecendo - e os atacantes pareciam tratá-lo com igual desprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Karina, enquanto isto, mesmo às cegas pôde acertar a perna de um dos homens, e afastar o outro. Todas as tentativas de retirar o manto de sua cabeça eram, porém, vãs; e conforme o corpo inerte ia gradualmente desaparecendo, o tecido também apertava-lhe o rosto e sufocava. Rowen, que, com uma habilidade até então não demonstrada, pudera não só manter a mão intacta como tirar a arma do oponente, via-se agora numa disputa corpo-a-corpo, e descobria, da pior maneira, que este era muito mais forte do que supusera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, Gericault. - ele conseguia dizer, com os dentes cerrados, enquanto tentava manter os dedos do encapuzado longe de sua garganta. - Eu sei que você. Urgh! Não gosta muito de mim. Mas será que não dava. Pra dar. Aaaargh! Uma mãozinha aqui, não!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gericault puxou uma carta do casaco, fitou-a por um instante, guardou-a de volta e respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não.&lt;br /&gt;- Ah, seu filho de uma pu - um golpe violento do mascarado o interrompeu, seguido de outros dois, levando-o à inconsciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, Karina pudera atirar a esmo apenas até perceber que muito em breve ficaria sem ar, e tentar remover o manto de seu pescoço apenas até sentir a lâmina fria em sua nuca. O mascarado que mancava, ferido por ela, agora voltava-se para Gericault.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nos dará o que buscamos. - ameaçou, e sua voz era como um sopro de vento passando pelas frestas das janelas numa noite de tempestade - Agora.&lt;br /&gt;- Vocês não o matarão? - retrucou Gericault, voltando um olhar de soslaio para Rowen. Agora, os 3 homens de negro restantes o encaravam.&lt;br /&gt;- Nós mataremos a moça, andarilho. E depois mataremos você. Entregue, e o faremos rapidamente e sem dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nada fez, a princípio, além de puxar uma carta, e fitá-la, e depois outra, que dispôs sobre a primeira no ar em forma de cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu destino já está selado. - ameaçou mais uma vez o manco.&lt;br /&gt;- Não. - retrucou Gericault, e sua voz não era mais o costumeiro sussurro, seus olhos não mais aparentavam vagar pelos arredores. Ele fitou diretamente o rosto do homem, e com uma seriedade que derrubaria qualquer dúvida, prosseguiu. - Não o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um único movimento, sem mudar a direção do olhar, ele girou ligeiramente o corpo para a esquerda, fazendo com que a inércia afastasse seu capote da cintura, de onde puxou um de seus muitos dardos prateados, lançando-o na direção do manto que se enrolava por sobre o rosto de Karina. O brilho desapareceu ao tocar a superfície do tecido como se adentrasse por uma fenda e, no instante seguinte, como se atingidos no peito por uma lâmina invisível, os 3 agressores restantes tombaram no chão, e a moça viu-se livre para respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofegante, ela perguntou, enquanto os corpos desapareciam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele mostrou-lhe uma das 2 cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, o 3 de espadas. Entendo.&lt;br /&gt;- Você pretende levá-lo conosco? - apontou para Rowen, caído no chão inconsciente; já voltava à voz fraca e ao olhar perdido de sempre&lt;br /&gt;- Não posso deixá-lo aqui. - levantou-se - Acho que já faço uma idéia de quem é nosso perseguidor.&lt;br /&gt;- Eu também.&lt;br /&gt;- Não podemos mais ficar em Lafrëug. - guardou a pistola. - Porcaria, como eu queria que Doloné estivesse aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doloné saltou da abertura por debaixo do veículo em forma de cavalo, pisando macio no chão barrento do lado de dentro de Neo-Ílio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada. Nenhum guarda, passante ou artefato de vigilância - ela fez questão de procurar bem antes de começar a se mover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um lugar tão aparentemente largado assim tem mesmo que estar escondendo alguma coisa", pensou, lembrando-se das palavras de Cadmus, enquanto caminhava atenta na direção de uma das portas da fortaleza, seguindo as diretrizes do mapa que memorizara antes de partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta surpreendeu-a, abrindo-se para o lado, como, logo descobriu, todas as outras do lugar. Puxou da pequena lanterna, que trazia presa à bota, para iluminar as paredes negras dos corredores vazios, e seguiu cuidadosa pelo que lhe parecia, cada vez mais, ou uma investigação errada, ou uma tremenda armadilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela seguiu afastando a poeira, pisando e apalpando com cuidado; passou por quartos e salas vazios, contendo o esforço para não sair procurando objetos preciosos, nem perder tempo lendo os livros depositados nas estantes, ou decifrando os símbolos nas paredes e portas. Seguiu direto rumo à escada oeste, por ela descendo em círculos, um, dois, três andares. Um corredor em frente, outro à direita, ainda nenhum sinal de qualquer ser vivente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É", pensou, enquanto detinha seus passos e quase deixava a lanterna cair, "não era bem isso que estava no mapa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salão não tinha portas, e, embora este fato também não constasse no mapa, não foi o que impressionou Doloné. A bem dizer, até o tamanho impressionante, e a maneira como crescia em altura, com a inclinação do piso, abrindo-se por algumas dezenas de metros até terminar em rocha mal-esculpida, o que também não coincidia com o mapa, não a incomodou tanto. Mas aquela esfera azulada do tamanho de um boi, flutuando pouco acima de um maquinário gigantesco cheio de tubos e turbinas soltando vapor, com cabos presos à parede, penetrando pelo solo e se espalhando por toda a parte - aquilo sim era perturbador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bonito, não? - uma voz grave, abafada por ares metálicos, veio da direção da máquina, fazendo com que Doloné quase desse um salto para trás. Como a luz azulada mantinha o salão às claras, largou rapidamente da lanterna e sacou a espada e a faca, lançando olhares rápidos ao redor. - Ora, por favor, minha dama, você é uma convidada aqui. - prosseguiu a voz - Se quisesse lhe fazer mal, já teria feito.&lt;br /&gt;- Sei. - ela abaixou ligeiramente ambas as lâminas. - Onde você está?&lt;br /&gt;- Doloné, não acredita em mim?&lt;br /&gt;- Não, mas entro num acordo. Você finge que fala a verdade, eu finjo que acredito, e fica por isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gargalhada alta foi a resposta enquanto a voz se deslocava, primeiro para a esquerda, depois aproximando-se. Antes que a mesma terminasse, uma figura humanóide enorme emergiu de uma portinhola por entre o emaranhado de tubos, envolta por uma placa metálica, o rosto coberto por elmo e máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não mudou nada. - disse.&lt;br /&gt;- Na verdade, engordei um pouco. - ela aproximou-se. - E você, era pra eu ter reconhecido?&lt;br /&gt;- Não sei. - ele respondeu, retirou o elmo, e só então completou. - Era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doloné deixou cair as armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você só pode estar brincando com a minha cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme os grandes portões de pedra iam se fechando, a sala ia sendo deixada em escuridão quase completa, exceto pela parca iluminação próxima ao local onde Primus ajoelhava-se - ainda assim, ele podia enxergar perfeitamente o rosto dos três homens, que julgavam ter as identidades protegidas pela escuridão. Ele deu uma ligeira ajeitada na robe, enquanto deixava escapar pela boca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Idiotas.&lt;br /&gt;- Levanta-te, Primus de Lafrëug. - ordenou o homem do centro, mais alto deles, comando prontamente obedecido, até porque os joelhos do outro já começavam a doer.&lt;br /&gt;- Relata-nos o ocorrido. - disse o homem à esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primus pigarreou um pouco, sacudiu a poeira das pernas. Pensou em como poderiam limpar um pouco melhor aquele chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles deixaram a cidade, como esperado.&lt;br /&gt;- E o fenício? - indagou o mais alto.&lt;br /&gt;- Está com eles.&lt;br /&gt;- Ah.&lt;br /&gt;- Mas houve resistência.&lt;br /&gt;- Sim? - agora o da esquerda é que perguntava. Sua voz oscilava de maneira irritante.&lt;br /&gt;- Andarilhos das Sombras, pelo que meus agentes puderam ver. Imagino que isso signifique que -&lt;br /&gt;- Não significa nada, Primus. - interrompeu o homem ao centro.&lt;br /&gt;- Perdão, senhores. Mas não posso deixar de pensar que, desde que os muros de Ílio caíram, as atividades deles têm aumentado muito.&lt;br /&gt;- Os muros de Ílio caíram há mais de dois mil anos. - finalmente pronunciou-se o da direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, perfeito, enigmas. Deus, como ele odiava aquela palhaçada. O homem ao centro retomou a palavra, após breve silêncio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não perca aquele homem de vista. Em breve, será o momento de seu despertar.&lt;br /&gt;- E quando este momento chegar - completou o da esquerda - será a hora da nossa ascensão.&lt;br /&gt;- Não o perderei.&lt;br /&gt;- E prepare a Arca, Primus de Lafreüg. - continuou. - Há forças conspirando contra nós, de quem em breve teremos de nos defender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que ele não simplesmente dizia que os Trácios atacariam em breve? Velhos idiotas, idiotas, idiotas. Com quem pensavam que estavam falando? Ele sabia, sabia perfeitamente bem o que estava acontecendo. E quando chegasse a hora, seria ele quem ficaria com a Chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora vá. - sentenciou o homem do meio. - E não nos falhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primus levantou-se e fitou os rostos dos anciões, enquanto os portões se abriam novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ter certeza de que não falharei. - respondeu, e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu idiota. - murmurou Karina, enquanto roçava os dedos da mão pela barba mal-feita de Rowen. Olhou para ele durante alguns segundos, e virou-se para pegar mais um curativo para seus ferimentos no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haviam tomado um pequeno desvio da estrada, usando o cavalo para transportar Rowen, pouco depois de tomarem distância o bastante da primeira, para descansar e evitar eventuais perseguidores. Já anoitecera, mas Karina continuava tratando das feridas dele, e Gericault permanecia sentado, fitando cerca de uma dúzia de cartas tiradas aleatoriamente de seu baralho e dispostas em círculo a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rowen abriu os olhos, a princípio levemente, depois com firmeza, e observou Karina ajoelhada, de costas, por alguns momentos, voltando a fingir-se adormecido antes que ela virasse de volta - na verdade, já havia despertado há algum tempo, mas preferia deixá-la acreditar no contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornando, a moça passou-lhe um pano úmido pela testa, enquanto o fitava com tristeza, e um carinho que lhe era pouco comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se soubesse que receberia esse tratamento - Rowen subitamente abriu o olho esquerdo, e segurou-lhe a mão, gentilmente - teria me machucado muito antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela demorou a reagir, primeiro levemente assustada, depois, segurando um sorriso que quase não pode impedir de se formar em seu rosto; mas por fim, puxou a mão de volta e retrucou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que o único momento em que você se cala é quando dorme?&lt;br /&gt;- Não está feliz por eu estar bem?&lt;br /&gt;- Você nos atrasou. E quase morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sentou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, estou melhor agora. Graças a você. - olhou direto em seus olhos, e passou-lhe as costas da mão pelo rosto - Obrigado.&lt;br /&gt;- De nada. - ela retrucou, bruscamente empurrando a mão dele para longe e se levantando. - Agora vá preparar alguma coisa para comermos.&lt;br /&gt;- Quanta gentileza. - ele sorriu, e levantou-se também. - Bom, onde diabos estamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gericault, sem mexer-se um centímetro nem desviar o olhar, foi quem respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Numa clareira próxima à estrada para a Trácia, logo depois de passar a ponte do rio Levy.&lt;br /&gt;- Trácia?! - retrucou o outro, enquanto mexia nas coisas em sua mochila. - Trácia?! Você só pode estar brincando!&lt;br /&gt;- Eu estou jogando. Alguns diriam que é a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rowen, após alguns instantes de perplexidade teatralizada, virou-se para Karina, que cutucava a fogueira, e indagou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do que diabos ele está falando?&lt;br /&gt;- Da vida. De si mesmo. - respondeu ela, e ante o dar de ombros do fenício, suspirou e acrescentou. - Você não entenderia.&lt;br /&gt;- É, aposto que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele andou até onde Gericault estava sentado e observou as cartas de cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que é isso que você está jogando, então? Paciência?&lt;br /&gt;- Parece paciência para você? - respondeu o outro.&lt;br /&gt;- Nem um pouco. - passou os olhos pelas cartas - Então, o que está jogando?&lt;br /&gt;- Uma roda.&lt;br /&gt;- Ah. Esclarecedor. - mirou a carta mais a esquerda. - E aquela carta ali? Nunca vi! Qual é?&lt;br /&gt;- O nome dela está escrito.&lt;br /&gt;- Nunca vi isso. Nome escrito? Como se usa uma carta dessas?&lt;br /&gt;- Cartas são cartas. - Gericault ajeitou o lenço; era a primeira vez que se mexia em muito tempo - Ela nem sempre está aí.&lt;br /&gt;- Aí nessa posição?&lt;br /&gt;- Não. No baralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era definitivamente louco além de qualquer cura conhecida pelo homem, principava a pensar Rowen, até Karina cortar-lhe o raciocínio com palavras bruscas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pensei que tinha dito pra você preparar nossa comida.&lt;br /&gt;- E eu pensei que tinha dito que não seguia suas ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encararam-se. Karina jogou ao chão o graveto que carregava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, seu grande filho duma -&lt;br /&gt;- Olha a língua, olha a língua!&lt;br /&gt;- É assim que você nos agradece por salvar sua vida?!&lt;br /&gt;- Nós não salvamos a vida dele, Karina. - cortou Gericault, novamente sem tirar os olhos do baralho.&lt;br /&gt;- Como é? - indagou Rowen, novamente perplexo.&lt;br /&gt;- É o que você ouviu. Sua vida não estava em risco. Os andarilhos não queriam matá-lo. - retrucou o outro.&lt;br /&gt;- Hein? - franziu o cenho e virou-se para Karina. - Por quê?&lt;br /&gt;- Boa pergunta.&lt;br /&gt;- Boa pergunta porque vocês não sabem ou porque não vão me explicar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio incômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ótimo, gente. Ótimo mesmo. Eu estou aqui tentando ajudar, sabe? - foi pegar alguma comida para preparar. - Então mudando a pergunta. Que vocês querem fazer na Trácia? Além de morrer, é claro.&lt;br /&gt;- Há um. - as palavras travaram um pouco na garganta de Karina. - Há um, um artefato. Bom, achamos que haja. E certos agentes. É, bem. É complicado.&lt;br /&gt;- Arrã. Imaginei. - enfiou algumas fatias de carne no espeto, uma a uma. - É que eu me sinto um idiota, sabe?&lt;br /&gt;- Rowen, não -&lt;br /&gt;- Tudo bem, estou acostumado. Fico me sentindo idiota o tempo todo, mas normalmente isso não me irrita. O problema - terminou o espeto, abaixou-se e o aproximou do fogo - Desde que te encontrei lá na feira, fico o tempo todo com a sensação de que estou me metendo num monte de eventos que eu não imagino o que esteja acontecendo, e que, a qualquer momento, vou ser jogado pra fora deles antes de conseguir entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gericault, a voz totalmente alterada, com a certeza de uma adaga afiada, os olhos prateados mirando os de seu interlocutor como se pudessem perfurá-los, respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É assim para todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rowen quase derrubou a carne na fogueira, abanando os braços com irritação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, meu Deus! Do que você está falando, porque você nunca consegue dizer nada feito gente normal?&lt;br /&gt;- Da vida. De mim mesmo. - respondeu-lhe o outro, a voz lentamente voltando ao normal, os olhos retornando às cartas dispostas em círculo, que principiava a recolher. - Nada que você entenderia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112337124592328310?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112337124592328310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112337124592328310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112337124592328310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112337124592328310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/09/captulo-xi.html' title='Capítulo XI'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112397961152041839</id><published>2005-08-13T20:12:00.000-03:00</published><updated>2005-08-13T21:33:31.566-03:00</updated><title type='text'>A Roda da Fortuna Ainda Gira</title><content type='html'>Charles, não devia dizer, não sei se vocês sabem. Charles era sonâmbulo e escrevia bilhetes em seu sono. Charles mudou de nome. Charles explodiu uma cidade e foi embora pra vida. Caramba, ele sempre acaba fazendo isso, embora seu nome nem sempre seja Charles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles tem um monte de histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já morou em um castelo, já venceu uma guerra, um campeonato de dardos, um gladiador e um enxadrista. Ficou milionário na bolsa e perdeu tudo no dia seguinte. Matou um amigo e fez amizade com um morto. Caiu de um precipício ao contrário e quebrou o joelho. Charles já acertou um golpe numa sombra, já fez nevar, chover e secar. Teve uma moto com rodas laminadas, uma mulher sem nome, um baralho feito à mão, um lenço vermelho, um capote marrom, botas negras, um anel, um brinco, um relógio quebrado. Charles já pisou em dois mundos ao mesmo tempo, já morreu sem morrer, já tirou um coringa num jogo de pôquer e um pôquer num jogo de coringa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles quase nunca fixa os olhos. Charles não se importa com nada. Charles se acha especial. Charles é um atirado. Seus olhos têm a cor do exagero, seu coração, a anestesia do excesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele caminha pela Roda há tanto tempo, que já nem sabe se está na borda ou no meio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112397961152041839?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112397961152041839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112397961152041839' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112397961152041839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112397961152041839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/08/roda-da-fortuna-ainda-gira.html' title='A Roda da Fortuna Ainda Gira'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112397430185186701</id><published>2005-08-13T19:31:00.000-03:00</published><updated>2005-08-13T20:05:01.866-03:00</updated><title type='text'>Solidão (É Melhor Se Queimar Do Que Viver na)</title><content type='html'>Este post é só um recado, e o recado é o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu podia dizer "avisei". É o que eu faço, mas dessa vez seria mentira - e isso é porque as pessoas mudam, as coisas mudam; só que é devagar, e, às vezes, demoramos a perceber. E o que penso hoje, é que se vaticínio da própria vida é fácil de fazer, é difícil de absorver: o que fazemos é sinalizar a nós mesmos o caminho que escolhemos e que, com muita freqüência, sabemos mais ou menos onde nos levará (embora esqueçamos no meio do caminho). O adágio "cuidado com o que desejas" é uma idiotice inadequada, que quer pôr certas escolhas como erros e outras como acertos, e fazer de toda realização, desgraça; se eu hoje olhasse para meu presente e dissesse, eis aí uma desgraça que me foi imposta, estaria mentindo. Não há desgraça, não há imposição, há esta escolha feita e cumprida em algum ponto, cujos sinais um dia me mostraram e soube ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não olhemos, pois, os vaticínios com agouro e ódio - isto é não menos do que querer mal a si mesmo. Busquemos, ainda, os sinais, não mais para nos dizer o que será de nós, mas para que neles, nos vendo, possamos dizer: "isto sou eu!", e dizê-lo nos orgulhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não existem caminhos fáceis, só caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há não tanto tempo, um caminho foi escolhido e sinalizado &lt;a href="http://paginas.terra.com.br/arte/pisandro/contos/Urso.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;; não vejo, agora, motivo nenhum para dele se desviar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112397430185186701?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112397430185186701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112397430185186701' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112397430185186701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112397430185186701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/08/solido-melhor-se-queimar-do-que-viver.html' title='Solidão (É Melhor Se Queimar Do Que Viver na)'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112327525941231868</id><published>2005-08-05T16:53:00.000-03:00</published><updated>2005-08-05T17:54:19.463-03:00</updated><title type='text'>Emoi De Ke Kerdion Eiê Seu Aphamartousêi Chthona Dumenai</title><content type='html'>Heitor deixou-se cair sobre a cadeira, sem tirar os olhos da tela do computador e, ao mesmo tempo, sem enxergá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já nem sabia quantas vezes tinha relido aquela passagem, pois se havia algo que relia e decorava era a si mesmo em suas inúmeras auto-revisões. E se havia algo que quebrava eram as promessas que fazia a si mesmo, escritas em notas para que não esquecesse, por vezes escondidas em arquivos secretos, noutras, à plena vista do público, veladas por inúmeras auto-referências obscuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez em muito tempo, quis ver-se livre de suas crendices e de sua mania de dramatizar a vida. Quis voltar atrás o que lhe ensinara a experiência, e ver-se um pouco mais inconseqüente, sem medo, desapegado, exagerado. Ação apaixonada? Talvez esta não precisasse voltar atrás; mas voltasse a palavra não dita, o sentimento não expresso. Um pouco mais aberto, sincero, coerente com o pensar e o sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achava que tinha mudado, mas mudara pouco perto do que permanecia: era o mesmo em seu arrependimento, como há anos são as palavras de Andrômaca, que ele sem perceber direito buscava como expressão de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele preferia, como ela, que o chão se abrisse.&lt;br /&gt;____________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o imperdível sentimento de tornar-se persongem em seu próprio blog. Alguém acreditou que não teria volta? Vingança, vingança...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112327525941231868?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112327525941231868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112327525941231868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112327525941231868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112327525941231868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/08/emoi-de-ke-kerdion-ei-seu-aphamartousi.html' title='Emoi De Ke Kerdion Eiê Seu Aphamartousêi Chthona Dumenai'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112313408431158628</id><published>2005-08-04T01:53:00.000-03:00</published><updated>2005-08-04T02:41:24.326-03:00</updated><title type='text'>Em se tratando de gente</title><content type='html'>Aprende-se a odiar o descompasso de calendários entre certos estabelecimentos de ensino. É simplesmente maravilhoso; acho que é meu 5° ou 6° ano sem férias. Eu não consigo ter folga nem na greve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado a natureza semi-escrava de meu comprometimento com a profissão. Acredito que já me referi ao Dr. Ramirez aqui no passado; também espero que ele não tenha lido o que foi dito, pois se bem me lembro, duvido que ele viesse a gostar. Conheci Cristovam num encontro aleatório em uma lanchonete da UERJ enquanto fugíamos de nossos compromissos; ele não reside aqui - pensando bem, não reside em lugar nenhum - mas mantém um contato eletrônico razoavelmente freqüente (vejam, vejam, lembrei até da trema! Devo estar me curando!). E, descontando o nome de ator mexicano, é uma pessoa inusitada e muito interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou-me ontem de tarde estas opiniões, que diz ter formado a partir de uma conversa nossa de cujos detalhes irei poupá-los. Pensei em "Algumas Orientações Negativas Sobre o Comportamento Humano" como nome para o texto da maneira como ficou. O leitor reparará que não há nada de muito original nelas, mas, ainda assim, achei divertido; como ele dissesse que não via problema na publicação, não sou eu que verei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando de gente, o que tenho a dizer é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não conte com mudanças, elas são a exceção. Você pode torcer por mudança, mas amigo, não conte com ela, porque até os sujeitos que mudam o tempo todo acabam é não mudando de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também não conte com fidelidade ou ética total, nem de você pra você mesmo, porque afinal de contas nada como auto-sabotagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não espere que ninguém se diga dono do próprio nariz o tempo todo. Todo mundo só faz isso até o dia em que se fode todo e prontamente joga a culpa em outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também não existe ninguém que não se culpe nem se arrependa de alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por outro lado, não pense que todo mundo que se culpe ou se arrependa irá sempre admitir abertamente, porque essas coisas acabam escapulindo em todo tipo de lugar, menos onde deveria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não confie em palavras, confie em atos. Eu sei que palavras também são atos, mas quando você pensar nas palavras como atos e não como palavras, vai ver que faz diferença pra caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o mais importante, o que não dá pra fazer de jeito nenhum é pensar demais. Quem pensa demais sobre gente só viaja, se preocupa e inventa um monte de motivos malucos e coisas malucas que vai começar a pensar que a outra pessoa está fazendo ou pensando. Além disso, todos que teorizam que o ser humano é uma rede muito complexa e intrincada de motivos são idiotas. Certo que nossas atitudes são complicadas, às vezes, mas por trás de toda teia de atitudes complicadas, se você conseguir procurar certo, vai achar um motivo simples e um desejo simples, vaidade, prazer, atração, rejeição, culpa, frustração, tesão, essas coisas. Não tem erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, antes que alguém questione, Cristovam tem formação nas áreas biomédicas e não possui um pingo de autoridade acadêmica sobre o comportamento humano; sua suposta autoridade no assunto não vem de outro lugar além de sua própria experiência e presunção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112313408431158628?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112313408431158628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112313408431158628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112313408431158628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112313408431158628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/08/em-se-tratando-de-gente.html' title='Em se tratando de gente'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112252973494613301</id><published>2005-07-28T02:38:00.000-03:00</published><updated>2005-07-28T02:49:39.760-03:00</updated><title type='text'>Esclarecimento</title><content type='html'>Tive uma folga de alguns minutos e achei por bem de fazer um breve esclarecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que o encarecido Leo Corba, comentando o conto "Bilhetes", estava aludindo a esta pequena história:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Once I, Chuang Tzu, dreamed I was a butterfly and was happy as a butterfly. I was conscious that I was quite pleased with myself, but I did not know that I was Tzu. Suddenly I awoke, and there was I, visibly Tzu. I do not know whether it was Tzu dreaming that he was a butterfly or the butterfly dreaming that he was Tzu. Between Tzu and the butterfly there must be some distinction. [But one may be the other.] This is called the transformation of things."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer abusar de meu escarço tempo livre ou da boa vontade do leitor, ouso comentar que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Chuang Tzu (ou Tsé), embora tenha sido talvez o maior doutrinador taoísta depois do próprio Lao-Tsé (ou Tzu), não era monge merda nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Há semelhança entre um e outro, sim, é claro. Porém há também muitas diferenças, e eu diria que o tema mesmo é uma delas... mas pode ser só impressão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112252973494613301?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112252973494613301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112252973494613301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112252973494613301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112252973494613301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/07/esclarecimento.html' title='Esclarecimento'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112171645385976282</id><published>2005-07-18T16:50:00.000-03:00</published><updated>2005-07-18T16:54:13.860-03:00</updated><title type='text'>Fim de Semestre</title><content type='html'>Senhores e senhoras, fim de semestre é uma porcaria. Maldito seja o calendário atrasado da UERJ, malditos sejam os funcionários preguiçosos, a falta de contratações, e toda forma de tentativa de jogar o lixo pra debaixo do tapete e fazer tudo correndo em cima da hora pra apresentar pro MEC avaliar e parecer que somos uma maravilha. Não sei o resto; eu pelo menos sou uma farsa, e em alguns anos me conformei com o status.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é falta do que escrever, leitores, é a merda do fim do semestre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112171645385976282?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112171645385976282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112171645385976282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112171645385976282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112171645385976282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/07/fim-de-semestre.html' title='Fim de Semestre'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-112053999439026926</id><published>2005-07-07T01:41:00.000-03:00</published><updated>2005-07-06T01:40:08.563-03:00</updated><title type='text'>Bilhetes</title><content type='html'>Charles tinha uma vida razoavelmente normal. Solteiro, recém-chegado aos 35, morava em um apê meio medíocre no meio da Glória que pelo menos era melhor que a casa de sua mãe, para onde tinha ido após uma última tentativa de morar com estranhos, precedida por outra de morar com a ex-namorada (morar com namoradas, ele agora diria com certeza, tinha por hábito transformá-las em ex). Estava empregado no setor de cobranças de uma financeira - cooperativado, sem carteira, férias e essa coisa toda de, bem, de direitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, era uma vida bastante entendiante. E frustrante. Mas ele tinha geladeira, TV, um computador velho, renda fixa mínima e um diploma de 3° grau (que nunca servira pra absolutamente nada, mas tinha) e sentia-se pouco à vontade para reclamar, considerando como a imensa maioria da população humana vivia na pobreza, miséria e/ou inanição, e ele era um privilegiado e coisa e tal. Mas reclamava de quando em quando, baixinho, assim mesmo, em seus piores dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles era também um falso metódico, e tinha mania de deixar bilhetes para si mesmo grudados pela casa, lembrando-se de coisas ou fazendo piadinhas idiotas. Nada que tivesse o hábito de funcionar. Talvez por isso tivesse demorado a perceber um bilhete na geladeira - onde havia dezenas deles - que não estava escrito com seu garrancho habitual, e sim com uma fonte arial 14, com jeitos de fim de cartucho de impressora jato de tinta, onde se lia: "vamos tomar uma qualquer dia desses?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de eliminar a hipótese de ter feito uma brincadeira tão estranha consigo mesmo e esquecido, e arrancar dos demais possíveis suspeitos (seus poucos amigos) juras de inocência, Charles já estava um pouco temeroso quando, vendo um novo bilhete precisamente no mesmo lugar, quase teve um troço. Semelhante ao anterior, desta vez dizia "pode ser hoje, ali no boteco da esquina, o que acha?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou um bocado antes de decidir que não era esperto o bastante para decifrar o que diabos era aquela brincadeira ou para bolar um jeito de frustrá-la e pegar o culpado, nem muito menos possuía força de vontade o bastante para conter sua curiosidade e ignorá-la. Logo, fez exatamente o que o bilhete dizia, tomando uma cerveja enquanto esperava o engraçadinho aparecer, primeiro sozinho, depois com alguns amigos que costumavam perambular por lá, até levantar a hipótese de tratar-se de um ladrão que desejava apenas tirá-lo de casa para saquear seu pobre apartamento, pendurar a conta e sair correndo pra lá. Aliviado, constatou que nada se passara à suas escassas e preciosas posses; sentiu o peso do cansaço e acabou capotando na cama, vestindo apenas as mesmas calças que usara o dia inteiro - que eram, diga-se de passagem, suas melhores calças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou ainda as vestia, mas isso era a única coisa que não havia mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O despertador a seu lado era cerca de 4 centímetros menos largo, no mínimo 5 anos mais novo do que o que se lembrava de possuir, e marcava 10 e meia, precisamente 1 hora e meia a mais do que o horário no qual ele deveria ter se apresentado no trabalho, e 2 horas e meia a mais do que o momento em que a maldita máquina deveria ter cumprido sua função e tocado até arrancá-lo da cama. Essa foi a primeira diferença de que ele se deu conta. As demais foram, nessa ordem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dormia numa enorme cama de casal de forro branco. Seu quarto era uma suíte pelo menos duas vezes maior do que quando tinha ido dormir, com paredes limpas, armários gigantescos recheados de roupas caras, masculinas e femininas, aparelho de DVD, televisão 29 polegadas, e uma varanda. Seu apartamento era uma cobertura 5 quartos nos arredores do shopping da gávea, com acessórios extremamente interessantes como piscina, um lap top, um computador normal, 2 outras TVs, 3 estantes de livros, 2 de discos e CDs, uma mesa de jantar de vidro com 8 lugares, uma faxineira, e fotos de uma mulher lindíssima espalhadas pela casa, abraçada com ele em muitas delas. Ah, e sua identidade, que encontrou em uma carteira de couro negro de uma marca que ele nunca se dera ao trabalho de registrar o nome, de tão inacessível, junto com outra foto da moça, atestava com certeza oficial que ele era 5 anos mais novo como, de fato, se sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o telefone tocou ele ficou até com medo de tocá-lo, pensando se tudo aquilo não ia desaparecer por mágica. Do outro lado, uma voz alegre de mulher o chamou de querido, e ele subitamente soube que era a moça da foto, e que ela era sua esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Helena, e o convidou para almoço. Preocupado com o horário do seu trabalho, Charles não tardou a descobrir que agora era um escritor de renome (e vendagem) nacional, e que basicamente tinha o direito de fazer seu próprio horário, ou mais importante que isso, querendo, viver de renda. Tinha também um motorista-segurança, que tratou de dispensar após uma hora de conversa agradável, para ter o prazer de dirigir o Audi que encontrou na garagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve um almoço maravilhoso com Helena em um restaurante suficientemente confortável no centro da cidade, onde lembrou-se/descobriu (as duas coisas iam ficando mais e mais parecidas com o tempo pra ele) que ela na verdade lecionava na UERJ, longe dali, e naquele dia tinha ido apenas resolver burocracias. Passaram o resto do dia e da noite juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o acordou para ir ao trabalho e ele, mesmo sonolento, a acompanhou no café. Talvez por isso só depois que ela saiu ele tenha percebido o bilhete na geladeira, onde se lia, naquele mesmo arial 14 meio apagado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"19".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu muita bola, arrancou-o e jogou fora. Passou um outro ótimo dia descobrindo o prazer de escrever a primeira coisa que lhe veio à cabeça para uma coluna de jornal, e a segunda, para uma revista. De tarde, achou por bem de tentar transformar uma estória em que tinha pensado desde criancinha num romance, o que começou a fazer com muita facilidade - e mais erros gramaticais do que gostaria de admitir, mas nada demais para quem tinha revisores. Helena voltou cansada e dormiu logo; ele ficou feliz de servir-lhe de travesseiro, e observá-la até que, por volta de uma da manhã, entusiasmado demais para conseguir dormir, foi até a cozinha comer alguma coisa e notou outro bilhete, no mesmo lugar e da mesma forma, escrito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"18".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recusou-se a aceitar o óbvio e absurdo significado daquilo. Amassou o bilhete, jogou-o fora e foi dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte foi visitar a irmã e os dois sobrinhos de Helena, que não pôde disfarçar o encanto com eles por mais que dissesse que já estava cansada de crianças. Ele deu-se melhor com as pestes do que imaginara; podia ver nos olhos dela que iria querer uma, mais tempo menos tempo, e que ia acabar concordando. Mas não ainda. Gostava da vida de casado. Ou estava gostando naqueles dois dias, e era como se tivesse gostado pelos dois anos anteriores. Para mostrar isso, saíram à noite para uma peça, e depois para uma boite, onde encontraram alguns conhecidos e amigos, beberam, e voltaram pra casa com duas horas de prazo até o amanhecer, que foi quando realmente dormiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles tentou não olhar para o bilhete escrito "17". Fingiu que não estava lá enquanto descobria o prazer de encontrar a coluna que escrevera 2 dias antes nas costas do segundo caderno, e assim que terminou o café e soube que Helena tinha ido fazer compras, foi jogar futebol com os amigos no clube. Já não conseguia dizer quais deles eram seus conhecidos de muito tempo, e de quais ia se lembrando conforme via; parecia que os conhecia todos há muitos, muitos anos, e que via ao menos uma vez por semana aos domingos, quando colocavam a conversa em dia, riam, bebiam, e lembravam dos velhos tempos. De lá alguns ainda saíram para um bar na beira da praia, o que aparentemente também era tradicional. Muitos elogiaram a coluna dele, que haviam lido mais cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bilhete com o número 16 estava pendurado na geladeira quando chegou, sendo prontamente jogado fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou a segunda-feira que se seguiu escrevendo até ficar entediado, apagar tudo que tinha feito, e ir pedalar na praia. Quando sentou-se no Arpoador para assistir ao pôr-do-sol, conseguiu admitir para si mesmo que, por mais absolutamente insano que aquilo pudesse parecer, os bilhetes na porta significavam exatamente o que ele temia, e que provavelmente não podia fazer nada a respeito, fora aproveitar muito a oportunidade que lhe fora concedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à casa, conversou um pouco com Helena e a amiga do trabalho que viera lhes visitar, e dormiu um sono tranquilo. A esposa o despertou com beijos por volta das 8, e só saiu uma hora e meia depois, atrasada para o trabalho. Ele tornou a dormir, e só acordou para o almoço, passando o resto do dia escrevendo o tal romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"15".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte foi ver seu agente literário, seu editor e seu advogado, nesta ordem. A proposta para o novo romance foi aceita, e ele prometeu trabalhar com dedicação exclusiva nele a partir do mês seguinte. O contrato fechado lhe valeu uma quantia adiantada considerável. Helena chegou tarde em casa, mas teve ânimo para beber um vinho para comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"14".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não teria de dar aula nesse dia, por isso passaram-no juntos. Charles a convenceu a usar o dinheiro inteiro do adiantamento para fazer um cruzeiro de uma semana, assim de repente. Bastava ela aproveitar as férias letivas, que começavam semana seguinte. Ela comentou como adorava essas maluquices dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"13".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi comprar as passagens. Teve dificuldade em achar uma viagem que coubesse exatamente dentro das menos de 2 semanas que lhe restavam, mas conseguiu fazê-lo ao fim da tarde. Navegariam apenas 3 estados pela costa do país, pegando um navio que partira alguns dias antes do sul, mas era mais que o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"12".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreveu um poema que julgou particularmente bom, pensando em Helena. Caminhou pela praia com Bernardo, um de seus amigos, e surpreendeu-se ao ver que já não sabia dizer de qual vida, esta ou a anterior, o conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"11".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao suspirar enquanto via Helena entrar pela porta do banheiro da suíte, Charles não pôde deixar de pensar que tinha se acostumado com aquilo um pouco demais, e não imaginava como conseguiria retornar a sua vida anterior, se é que retornaria. Partiram de navio à tardinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"6".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizera muitos poemas no navio, em todo tipo de superfície de papel que encontrava. Tinha pego gosto pela coisa, depois que começara. Ela também gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"4".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gastaram quase todo o dinheiro restante em bebidas caríssimas, e jogaram-se de roupa na piscina. Não deu muito certo: a água fria quase curou-lhes da bebedeira, e ele resfriou-se. Mas rendeu boas risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"3".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles tinha dito "eu te amo" diversas vezes nas últimas duas semanas, mais por reflexo do que outra coisa, porque era o que pensou que deveria dizer para manter o "disfarce". Mas em dado momento do dia, enquanto observava Helena escovar os dentes, pensou consigo mesmo que, mesmo conhecendo-a há apenas 17 dias, na realidade não estava disfarçando coisa nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"2".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram à tardinha e, como tinham passado a madrugada e a manhã inteira no quarto sem dormir direito, desmaiaram sem desfazer as malas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"1".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfizeram as malas. Charles nunca pensara que seu falso metodismo pudesse encontrar algum par, mas, acompanhado de Helena, sua tarefa relativamente simples levou o dia inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi dormir abraçado a ela, com o rosto quase colado, fitando-a, meio temeroso de que alguma coisa a arrancasse de si no meio da noite. Em algum momento, despertou do sono com ela levantando para ir ao banheiro, e tentou impedi-la com toda força que a imensa sonolência lhe permitiu; ela apenas riu do que supunha uma brincadeira, e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não voltou mais. O resto da noite mal-dormida de Charles passou como num piscar de olhos, um desses sonos sem sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda se perguntou se não teria sido um sonho imensamente grande e elaborado, enquanto acordava em seu apartamento na Glória, com seu despertador velho, pronto para ir para seu emprego entediante de cobrador, viver sua vida medíocre de solteiro de quase meia-idade, num beco-sem-saída amoroso, financeiro e profissional. Depois pensou que não, que havia detalhes demais em seu sonho, e ele não os esqueceu conforme foi levantando da cama e vivendo a rotina. Sonhos mesmo, às vezes lembramos algo deles, mas dificilmente tanto. E não precisou nem anotar. Essa foi a primeira coisa que o levou a descartar essa hipótese. As demais foram, na ordem em que as descobriu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estava ligeiramente resfriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colada em sua carteira de identidade, havia uma foto de Helena. Estava incompleta, rasgada, e o material denunciava que aparentemente havia sido retirada de alguma revista. Também sua identidade teimava em deixá-lo 5 anos mais velho do que desejava. Mas era ela na foto, tinha certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ligou o computador mais tarde, descobriu em seu disco rígido o trecho do romance que tinha começado nos últimos dias. Como infelizmente não encontrou também o contrato com a editora, decidiu que seria melhor transformá-lo num conto, e o escreveu inteirinho de uma vez ainda naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes de ir pra cama, ao passar na cozinha para tomar uma pílula de vitamina para melhorar do resfriado, viu um bilhete na geladeira, escrito em letra arial 14 meio falho, onde se lia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"20".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-112053999439026926?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/112053999439026926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=112053999439026926' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112053999439026926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/112053999439026926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/07/bilhetes.html' title='Bilhetes'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111933302748883654</id><published>2005-07-02T18:45:00.000-03:00</published><updated>2005-07-02T18:44:28.420-03:00</updated><title type='text'>Perfeição</title><content type='html'>Há certos ódios meus que de maneira desmotivada tendem a assumir maior ou menor manifestação; ou motivada mas de forma imperceptível - o que, vá lá, dada minha percepção risível, não quer dizer grande coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana quando ouvi um candidato a geniozinho dizendo que, se tinha uma coisa que a vida tinha ensinado a ele (ao longo de todos os 19 anos), era que o ser humano é imperfeito mesmo e isso não pode ser mudado, senti vontade de enfiar sua cabeça na parede e esmurrar até virar paçoca. Piorou um pouco quando fui comentar isso em tom irônico com um colega novo, e ele retrucou no ato que, ora, pensar assim não pode nos impedir de progredir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog está então sendo forçado a assumir o posto de substituto de saco de areia, mas com o bem-vindo adicional de me ajudar a pôr a cabeça em ordem, sem falar na ilusão do público - como visto, tenho achado o público bom, o que muito me assusta. Então, senão vejamos porque ambos exemplares de homo sapiens são ou, ao menos, sabem com tremenda eficácia passarem-se por, completos idiotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, o rapazinho já ganha o prêmio de imbecil presunçoso do ano pela tentativa de creditar-se com a invenção da roda. "Uma coisa que a vida me ensinou"? Especificamente a parte da vida em que ele assistia as aulas no primário, imagino. Ou mesmo um sermão do pai, mãe, tia, avó, carteiro, leiteiro, atendente da loja de conveniência do posto, vai ver até do irmãozinho mais novo: essa é mais velha que cagar sentado, espertinho, parte integrante da milenar herança cultural ocidental - aliás, acho q foi o João Ubaldo que já disse isso uma vez, mas não é incrível como se esquece que a cultura ocidental também é milenar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos leva ao ponto aonde eu queria propriamente chegar, esta maldita fascinação com os números, com a quantificação, o progresso, a comparação criteriosa absolutizada e, talvez o pior de tudo, a aculturação que faz com que a população em geral nem desconfie de que esse tipo de coisa foi desenvolvido num certo período e local da história do mundo e não nasceu do ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O ser humano é imperfeito" pode parecer uma afirmação muito simples, incontestável e evidente, se não for seguida da reflexão que lhe é obviamente decorrente: o que, então, é perfeito? Falha minha, não posso afirmar com proficiência que a idéia de perfeição como entendemos hoje não tem precedente nenhum no oriente, ou em outras culturas que não a grega clássica (palavra que, por sinal, também implica a idéia de perfeição), onde nasceu em estreita ligação com os conceitos de bem, beleza, ideal divino e toda a parafernália pitagórico-platônica-aristotélica. Vamos lá, você já deve ter lido qualquer comentário de um dos milhares de novos pseudo-intelectuais que, como eu, leram um pouquinho de Nietzsche e julgaram ser sua missão na Terra destruir a noção de perfeição conforme construída ao longo de nossa história: significa que estou correndo o enorme risco de repetir uma ladainha que já lhe seja velha conhecida. Mas, que diabo, repetição nos ajuda a guardar as coisas, então digo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe esse negócio de perfeição absoluta. "Você quer dizer que não existe no mundo real?" Não, palerma, quero dizer que não existe mesmo. Perfeição requer critérios, critérios requerem metas, e metas requerem anseios. Você, ser humano de perspectiva parcial e limitada, a não ser que seja o novo Buda, não vai conseguir criar um critério de validade absoluta para toda e qualquer ação ou estado do ser, que responda a todos os anseios, até porque não preciso nem explicitar o quanto isso é paradoxal e, você adivinhou, uma visão particular do conceito de perfeição. Pra dizer a verdade, não vai conseguir criar nem para uma ação qualquer, excetuando-se situações de especificidade momentânea - pense em coisas que dizemos corriqueiramente, como "fulano é o mais rápido do mundo", quando na verdade o que dizemos é "fulano foi o mais rápido no dia tal, em tal lugar, tal hora, correndo em tal pista, tal distância, com tal roupa", frase na qual também levamos em conta o estado de espírito dos competidores, presença de coisas como torcida, vento, número de gotas de suor que desceram por sua pele, enfim: coisas do momento. Uma medição atemporal e acircunstancial? Que eu saiba, só na matemática que, você já deve ter percebido, é um tipo bem particular e parcial de ficção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111933302748883654?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111933302748883654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111933302748883654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111933302748883654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111933302748883654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/07/perfeio.html' title='Perfeição'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111810792122634352</id><published>2005-06-06T21:57:00.000-03:00</published><updated>2005-06-06T22:32:01.250-03:00</updated><title type='text'>Imperícia</title><content type='html'>Estou pasmo. Decidi levar hoje a cabo um experimento que me ocorrera tentar muito tempo atrás, e que consistia basicamente em vendar meus olhos, e mantê-los assim enquanto escrevia, contando com minha perícia ao teclado e meu tato para guiar-me. Uma dessas idéias estúpidas derivadas da cegueira dos profetas e dos olhos fechados dos monges.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De fato em termos de concentração acho que o efeito surtido foi positivo, e até mesmo o texto versaria sobre ela. Mas ao retirar a dita cuja venda e ler o texto, vi, primeiramente perplexo e depois, risonho, que tanto minha perícia quanto meu tato, que durante a redação já tinham me parecido muito mais ineptos do que eu imaginave, haviam falhado vergonhosamente, formando diversos parágrafos sem o menor sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lições para quem pretende teclar como um bom pianista: comece teclando, e não fechando os olhos; ou como quer o provérbio, bois e carro, necessariamente nessa ordem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111810792122634352?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111810792122634352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111810792122634352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111810792122634352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111810792122634352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/06/impercia.html' title='Imperícia'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111722154390175351</id><published>2005-05-27T16:01:00.000-03:00</published><updated>2005-05-27T16:19:03.916-03:00</updated><title type='text'>Assunto Novo</title><content type='html'>Ando ocupado, mas tive tempo de ir ver o Guerra nas Estrelas novo outro dia, e alguns comentários eu não posso deixar passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, ótimo, ele é melhor, diria que dos 3 novos é disparado. Também pudera, com tanta tragédia acontecendo, o George Lucas teria que ser muito mau diretor pra estragar a própria ótima estória (ele é definitivamente seu próprio pior inimigo). Há algumas cenas deploráveis que são difíceis de omitir, mas omitirei por falta de paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se querem ver o que um bom diretor pode fazer com guerra nas estrelas, não precisa nem de Império Contra-Ataca: pegue um episódio qualquer de Guerras Clônicas, do Tartakovsky. Sim, eu também torci o nariz quando me mostraram ele, mas tenha um pouco de tolerância às opções estéticas do desenho, que são meio estranhas mesmo, e você verá que é excelente, bem melhor que os eps. I e II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, e por falar em clichê... Darth Vader também matou a mulher. A monomania é universal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111722154390175351?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111722154390175351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111722154390175351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111722154390175351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111722154390175351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/05/assunto-novo.html' title='Assunto Novo'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111630764117243961</id><published>2005-05-16T21:23:00.000-03:00</published><updated>2005-05-17T02:37:27.456-03:00</updated><title type='text'>Vai Ter Debate no Céu (mas filósfo de boca grande não entra...)</title><content type='html'>Ao contrário do que diriam alguns defensores da democracia, Platão, quando morreu de sua morte morrida lá se vão uns 23 séculos e meio, foi pro Céu. Sua felicidade por confirmar a tese da imortalidade da alma e a existência de um único Deus todo-poderoso - que o fez caminhar até as residências celestes de alguns velhos sofistas, apontar-lhes o dedo e berrar "não disse?!" - foi logo interrompida por um discreto Xenofonte, que tratou de avisar o bobalhão que o Deus dos deuses era, na realidade, de um estranho tipo muitos-em-um (Pai, Filho, Espírito Santo e, sob divergências, um tal de Amém), e também que as almas não transmigravam porra nenhuma, que ele ficaria ali bestando até o dia do Juízo, e que o Céu era, na verdade, e de maneira incontestavelmente objetiva, exatamente como descrito pela cultura da popular anedota brasileira, que ainda levaria um par de milhares de anos para ser construída, tendo inclusive como porteiro um tal Pedro que, paradoxalmente, nem tinha nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem muita saída o grego conformou-se, e passou milênios alegres discutindo o sexo dos anjos com seus amigos, conforme foram chegando; adorava quando Sócrates, em dias inspirados, detinha alguns anjos nas paragens e indagava-lhes: "mas o que é o sexo, afinal?" Não foi de se espantar quando acabaram exilando o dito cujo para o Inferno por acusar Jesus Cristo de plágio, perguntar à Virgem Maria o que era, afinal, a virgindade e, cá entre nós, por ser chato pra caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí um belo dia, protestos do pessoal do "comunista come criancinha" e ateísmo do próprio à parte, Marx foi parar por lá também. Depois de passar algumas décadas em estado de choque por descobrir que... bem, que os metafísicos estavam certos, ele teve um curto período de contestação da autoridade da classe divina, que Deus tratou de apaziguar com argumentos muito simples:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha só, Marx. Desde que você chegou aqui, eu lhe dei alguma ordem ou mandei fazer alguma coisa?&lt;br /&gt;- Hã... pra dizer a verdade... não, Senhor.&lt;br /&gt;- Então vou mandar pela primeira e última vez: fica na tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixado para trás este momento de rebeldia, e diante da nova realidade celeste, Marx resolveu passar seus dias construindo uma nova dialética materialista. Protesto de Engels, que estava muito ocupado com descobertas mais práticas acerca do sexo dos anjos ("definitivamente fêminino!" dizia ele):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arranja outro nome pra essa merda, Karl, essa história de materialismo não pega bem por aqui, não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito e feito, não demora muito Marx leva um esporro de Miguel ("a Justiça parece material pra você?! E o fio da minha espada?! Hein?! Hein!?") e passa a chamá-la de dialética celeste, pra cair no agrado geral. Consistia basicamente em enunciar que o meio de "produção" do reino dos Céus - a vinda de almas da Terra, única coisa que chegava perto da idéia de produtividade - ditava a organização do meio social, e que a classe que detinha os meios de produção é que ficava no topo da pirâmida, dominando as demais ("mas um domínio benigno", acrescentava sempre, lançando olhares rápidos ao redor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então pois bem, um belo dia, não muito tempo atrás, está passando Platão de um lado, cruza com Marx vindo do outro, cumprimentam-se, apresentam-se, e o primeiro apressa-se a perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu caro Marx, vale dizer que sua teoria da dialética celeste já alcança grande fama aqui por estas paragens, e chegou por diversas vezes a meu ouvido, e não pude deixar de me incomodar por ela.&lt;br /&gt;- E porque viria a ser isto, camarada? (a esta altura já tinha pego o cacoete de Lênin)&lt;br /&gt;- Bem, veja. O que diz com sua tese é que, corrija-me se houver algum erro, a chegada de almas, que, vale notar, é fruto de um acontecimento terreno, material, que é a morte, é que determina a estrutura da pós-vida aqui, no Céu.&lt;br /&gt;- Correto.&lt;br /&gt;- O que implica que, indiretamente, o que ocorre na Terra é que determina o que ocorre no Céu?&lt;br /&gt;- Ora, Platão, esta é certamente uma ótica simplista. Veja bem que é Deus quem traça o destino de todas as vidas e mortes antes mesmo de nascerem, logo sendo Ele, no fundo, o verdadeiro determinante, e o que o senhor alega começar na Terra, começou, em verdade, no Céu mesmo!&lt;br /&gt;- Parece-me razoável que diga isto, mas poderia, então, responder o que leva Deus a planejar estes momentos?&lt;br /&gt;- Quem pode saber os desígnios de Deus?&lt;br /&gt;- Ora, certamente não pode crer que qualquer fator externo tenha o poder de influenciá-Lo?&lt;br /&gt;- Isto seria arguível.&lt;br /&gt;- Parece-me óbvio que Deus só pode extrair seus desígnios de um único lugar, que é a própria Idéia primordial, e que é também a Virtude, a Verdade e o Bem.&lt;br /&gt;- De maneira alguma. A Idéia é que foi gerada por Aquele que a pensou, ela é o produto de Deus e não sua Senhora!&lt;br /&gt;- Pois acredita então que é a matéria que cria a idéia e não o contrário?&lt;br /&gt;- Certamente que sim.&lt;br /&gt;- E na existência material de Deus?!&lt;br /&gt;- E o senhor não esteve na presença Dele quando chegou?&lt;br /&gt;- Nunca ouvi tamanho absurdo!&lt;br /&gt;- E acaso pensa o contrário, que a idéia é que gera a matéria?&lt;br /&gt;- Como pensar outra coisa?&lt;br /&gt;- É louco! A matéria é que veio primeiro!&lt;br /&gt;- Idéia!&lt;br /&gt;- Matéria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou nada pra coisa descambar pra velha discussão do ovo e da galinha (Platão pelo ovo, Marx pela galinha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platéia já formada e uma falta de ordem enorme no debate constatada, resolveram arranjar um árbitro. Platão rapidamente emendando com um "seria terrível que nos deixássemos arbitrar por alguém inferior ao grande Marx" - sob os violentos gritos de Protágoras ("Vira o disco, porra!") - resolveram que tinha que ser mesmo alguém de calibre divino, e foram convidar Deus. Mas Deus-Pai estava muito ocupado comendo seu churrasco, tomando sua cerva e torcendo pela merda do time do Flamengo que, de tão ruim que andava, nem Ele estava conseguindo ajudar; e o Espírito Santo por sua vez simplesmente não parecia... adequado ("O que você sugere, conversar com a pomba? Ou vamos só sentar e esperar por um bando de visões alucinadas?"). Então, depois de uma tentativa deveras frustrante com Santa Maria - que retrucou simplesmente que "os dois tinham razão", e deu um doce a cada um - a tarefa da arbitragem acabou mesmo sobrando pra Jesus Cristo. Com Pedro e Paulo de bandeirinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de experimentação concreta, põe-se um ovo de galinha entre ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então? - indaga Jesus. - Qual o debate, exatamente?&lt;br /&gt;- Bem, Santíssimo, - principia Platão - estávamos debatendo sobre a origem primordial da existência, e eu estou defendendo que o ovo, sendo o emanador, o originador da vida, que contém em si a estrutura, ou a idéia da mesma, é que veio primeiro.&lt;br /&gt;- Hm, sei.&lt;br /&gt;- Já eu, - intervém Marx - não posso aceitar um absurdo destes, tendo em vista que o ovo jamais poderia existir sem um animal que o pusesse. É seu pré-requisito material de existência.&lt;br /&gt;- Aham. - boceja Cristo. - Muito original.&lt;br /&gt;- Mas e de onde teria vindo o animal? De outro ovo!&lt;br /&gt;- Bem, o senhor obviamente não tem evidência material para este tipo de conclusão.&lt;br /&gt;- De onde mais viria?&lt;br /&gt;- Seria difícil lhe explicar, vez que se trata de um caso onde certamente se aplicaria a teoria evolucionista, um conceito que vocês, antigos, não alcançaram...&lt;br /&gt;- E baseado em que evidência material o senhor diz isso?&lt;br /&gt;- Houveram experiências e observações nas ilhas Gallapagos...&lt;br /&gt;- A observação humana é incapaz de obter tamanha Verdade, enxergando apenas as sombras da caverna.&lt;br /&gt;- O senhor está se desviando do assunto.&lt;br /&gt;- Pelo contrário, o senhor é que claramente ainda não compreendeu do que se trata. Permita-me ilustrar isto com um mito, que os gregos contavam, acerca da 2ª Tarefa de Hércules, que era encontrar o ovo -&lt;br /&gt;- A 2ª tarefa não era a da Hidra? - interrompeu Jesus.&lt;br /&gt;- Hã... sim, como eu ia dizendo, era de encontrar o ovo da Hidra.&lt;br /&gt;- A Hidra nasceu de um ovo?&lt;br /&gt;- Er, é, é claro.&lt;br /&gt;- E quem botou?&lt;br /&gt;- Arrá! - irrompeu Marx, triunfante.&lt;br /&gt;- Esperem, deixem-me ilustrar melhor com uma outra lenda. Suponha que Hera abrisse uma cantina onde fizesse salgados particularmente fresquinhos...&lt;br /&gt;- Ah, não, não e não, chega. - cortou Jesus. - Isso não está indo a lugar nenhum.&lt;br /&gt;- Bom, e qual seria Vossa sugestão, ó Filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio constrangedor, até Jesus finalmente se pronunciar de novo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É comigo?&lt;br /&gt;- Sim, convosco, quem mais seria? Parte do 3 que é 1, Pai, Filho, Espírito Santo!&lt;br /&gt;- Amém.&lt;br /&gt;- Cale a boca, Pedro. Sim, sim, sou eu, claro. Que tem?&lt;br /&gt;- Como o que tem? Quero saber vossa sugestão!&lt;br /&gt;- Ah, minha sugestão, claro.&lt;br /&gt;- Acabais de dizer que não estamos indo a lugar nenhum.&lt;br /&gt;- Suponho que o senhor saiba - Marx completou, levemente irritado.&lt;br /&gt;- Saiba?&lt;br /&gt;- Quem nasceu primeiro.&lt;br /&gt;- Ah, sim, claro. Hã, como era mesmo no livro, hein, Pedro?&lt;br /&gt;- "Faça-se a Luz!"&lt;br /&gt;- Não, não, mais pra adiante.&lt;br /&gt;- "Criador do céu e da terra..."&lt;br /&gt;- Mais, mais.&lt;br /&gt;- "Criou todos os animais e disse ao homem..."&lt;br /&gt;- Um minuto, um minuto. - Marx interrompeu novamente. - Certo, Ele criou os animais, mas criou também uma galinha pronta, sem que ela tivesse de sair do ovo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro dá de ombros. Jesus tenta de novo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aquela do João?&lt;br /&gt;- "No princípio era o verbo"...?&lt;br /&gt;- Bem, em se admitindo esta tese, restaria ainda saber: alguém pronunciou o verbo? E em que tempo verbal ele foi conjugado?&lt;br /&gt;- Chega! - bradou Platão. - Há uma maneira muito clara de demonstrar meu argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao dizer isso, pegou o ovo do chão e, com um golpe de mão, esmagou-o na mão, balançando-a em seguida para livrar-se da sujeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois então agora, sem ovo, é impossível o nascimento da -&lt;br /&gt;- O que é isto!?! - cortou um Marx furioso e melecado de gema. - Você, você... me ovou!&lt;br /&gt;- Foi sem querer.&lt;br /&gt;- Sem querer a putaqueopariu, seu desgraçado!&lt;br /&gt;- Ma, ma, que isso é jeito de falar?&lt;br /&gt;- Tá ofendida, bichona?&lt;br /&gt;- Ora seu filho da puta você vai se fuder, ouviu!&lt;br /&gt;- Você é que volte a dar a bunda!&lt;br /&gt;- Pelo menos não vai ser pra minha faxineira!&lt;br /&gt;- Repete, repete se for homem!&lt;br /&gt;- Pessoal, que é isso, vamos pegar leve aí. - Jesus ainda tentou dar uma apaziguada.&lt;br /&gt;- Você e a empregadinha ó, ó, assim. Como é, vai negar? Tá namorando, tá namorando!&lt;br /&gt;- Agora chega, vamos resolver isso duma vez, eu vou arrebentar tua cara, seu sacana!&lt;br /&gt;- Senhores, violência só gera mais violência, aqui é o Céu do Pai e do eterno Bem...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Marca a hora e o lugar, babaca.&lt;/div&gt;- Meio dia e meia no chafariz.&lt;br /&gt;- Armas?&lt;br /&gt;- De jeito nenhum, eu quero ter o prazer de sentir os ossos da tua cara quebrando debaixo dos meus dedos!&lt;br /&gt;- Pois eu vou arrebentar teus dedos primeiro! E você, aí, jotacê, é contigo mesmo, não se finge de besta não que tu vai tá de juiz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve silêncio antes de Jesus se pronunciar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é que é...?!&lt;br /&gt;- Eu falei que tu tá de juiz da -&lt;br /&gt;- Comigo? Tu tá falando comigo?&lt;br /&gt;- Hã, é.&lt;br /&gt;- Tu acha que pode chegar assim, apontar e pronto, "tu tá de juiz" e o caralho?&lt;br /&gt;- Mestre...?&lt;br /&gt;- Calaboca, Pedro! O negócio é o seguinte, bicha velha: eu sou o Filho do Homem, tá sabendo? Eu é que sou o maioral dessa porra, eu que sou a Verdade e o Caminho, a Salvação e toda essa merda! Num tá vendo que tem uma grande diferença entre nós dois?!&lt;br /&gt;- Mas -&lt;br /&gt;- Calaboca, Pedro! E tem mais, como você acha que eu aguentei aquela porra daquele tempo todo levando chibatada, prego, coroa de espinho? Condicionamento físico, rapá! Eu com 33 anos de idade quebrava 5 da tua laia só no café da manhã! E tu deve ser tão frouxo que até o Pedro, com a bosta da espada dele -&lt;br /&gt;- Mas mestre! Quem vive pela espada, morre pela espada!&lt;br /&gt;- Ô merda, Pedro, será que você ainda não reparou que JÁ TÁ TODO MUNDO MORTO NESSA PORRA!?!?&lt;br /&gt;- CARALHO GOL DO OBINA! GOL DO OBINA! - soou o vozeirão distante - PUTAQUEOPARIU NÃO ACREDITO, É UM MILAGRE! MEEEEENGO! MEEEENGO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: a filosofia não existe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111630764117243961?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111630764117243961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111630764117243961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111630764117243961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111630764117243961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/05/vai-ter-debate-no-cu-mas-filsfo-de.html' title='Vai Ter Debate no Céu (mas filósfo de boca grande não entra...)'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111578045823239208</id><published>2005-05-10T23:14:00.000-03:00</published><updated>2005-05-11T00:00:58.286-03:00</updated><title type='text'>Ganhou!</title><content type='html'>O homem ajeitou uma última vez o turbante alaranjado, que cismava em esvoaçar-se com o vento vindo das janelas escancaradas (fluxo energético, ele justificara). Uma lufada maior quase carregou o baralho, de modos que o sujeito rapidamente colocou uma pedra escura por cima do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem problema? - perguntou Neide, sem saber onde por as mãos.&lt;br /&gt;- Eton todas energissadas, mina cara. - respondeu-lhe em seu sotaque bisonho.&lt;br /&gt;- Ah, então tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio sem aviso, ele começou a virar as cartas já posicionadas para cima, uma a uma, como se tivesse resolvido pular a ritualística que tanto tinha prezado até o momento que o vento começou a soprar um pouco mais. Ela pensava em criticá-lo por isso um instante antes que o "v" puxado a interrompesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Vvocê etá muto inssegura... preocupada, muta precupaçons po sobe su cabecina... - a imagem estampada na primeira carta, com uma mulher chorando, ameaçada por diversas espadas pendendo do teto, dava-lhe aparente razão em sua interpretação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai meu Deus, estou mesmo.&lt;br /&gt;- Silêssciô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cala-se Neide, enquanto ele virava a carta seguinte, abaixo da primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poquê... vvocê dexô pa tás alguéin querido... foi einbora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neide faz que sim com a cabeça, lágrimas já quase deixando-lhe os olhos. Na imagem, um homem cabisbaixo segue rumo a uma estrada, deixando para trás oito cálices empilhados numa armação incompleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mass agora, o futuro tráss... - ele fez suspense enquanto virava a terceira carta, acima das demais; arregala os olhos e, súbito, salta da cadeira - Ganhou!&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carta, imagem de diversos sacos empilhados, com cifras no lado de fora e notas de dólares saindo pelas aberturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o arcano um milhão!&lt;br /&gt;- Quê?!&lt;br /&gt;- O arcano que aparece no futuro das pessoas que vão ganhar um milhão de dólares!!&lt;br /&gt;- Como assim!?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entram pela janela, voando, inúmeras notas de mil dólares; ouvem-se fogos de artífício pela vizinhança, faixas coloridas de felicitação nas paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tá rica, Neide, rica!&lt;br /&gt;- Rica?!&lt;br /&gt;- Rica!!&lt;br /&gt;- Rica!!! Tô rica!!!&lt;br /&gt;- A magia das cartas! - ele joga notas para o alto em grandes bolos, ela faz o mesmo.&lt;br /&gt;- Um milagre!&lt;br /&gt;- Um milagre do caralho, do caralho!&lt;br /&gt;- Ué, mas e o teu sotaque, guru?&lt;br /&gt;- Calaboca e num reclama porra! E vai pensando nos meus honorários!&lt;br /&gt;- Tá, tá...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111578045823239208?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111578045823239208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111578045823239208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111578045823239208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111578045823239208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/05/ganhou.html' title='Ganhou!'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111402045911493165</id><published>2005-04-20T15:03:00.000-03:00</published><updated>2005-04-20T15:08:52.030-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Oitavo</title><content type='html'>- Oi, Fernanda.&lt;br /&gt;- Oi, psor. – ela sentou-se lentamente, e completou. – Fazendo?&lt;br /&gt;- Estou montando uma pirâmide de latas vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa havia sete latas, quatro na base, três na segunda linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah. Emocionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa vazia era, ela pensava agora, até providencial. Afora Luciana e o próprio Alessandro, não havia ninguém ali com quem ela desejasse trocar notícias do presente ou reviver memórias passadas. Lê, Paulinha e Rétz não vieram, cada um por seus motivos, e até Picles, Zé Ruela ou a velha turma dos nerds ou não haviam chegado, ou não chegariam nunca. Lá estavam, por enquanto, apenas a tal Lara, de quem ela não se recordava de jeito nenhum, e o Pedro, que antigamente brigava horrores com o Rodrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra não falar no próprio Rodrigo, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha pensado horrores nele, ultimamente. Muito mesmo. Tinha a sensação urgente de que aquele reencontro, se acontecesse, aconteceria por algum motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha ligado pra Lê pra saber se ela iria, e ouvi-la novamente despertou uma memória do fim de seu primeiro namoro. Não do momento no qual ele realmente acabou, e sim de quando informou isto a Lê, que acabou sendo a primeira a saber. A reação dela agora era muito nítida em sua memória. Ela disse: “Como você deixou ele terminar contigo assim, sem fazer nada? O namoro de vocês era tão especial, eu não acredito que você vá deixar acabar! Como você vai deixar acabar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sou muito desapegada”, respondera-lhe Fernanda, à época. Desapegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de matar de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me ajuda aqui? – indagou Alessandro, oferecendo-lhe a lata de cerveja em suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ela deixou acabar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não deixei. – Fernanda pensou alto.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela caiu em si novamente, ao som da pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, nada. – respondeu, e pegou a cerveja, mas não bebeu do pouco que restava. Olhou novamente na direção de Rodrigo. – Fessor, desculpa, mas cê me dá licença um instantinho?&lt;br /&gt;- Não vai beber? – ele retrucou, como se fosse a coisa mais importante do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não ouviu, já caminhava até Rodrigo. Ele a percebeu com antecedência, parecia já esperar por aquilo; por conta própria pediu licença para Pedro e foi ao encontro dela. Usava uma camisa xadrez por fora da calça jeans, um tênis branco, e tinha a cara limpa; não fosse pelo cabelo um pouco mais ralo e o olhar mais maduro, não estava muito diferente do que era 6 anos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rod.&lt;br /&gt;- Fê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocaram dois beijinhos, com alguma cerimônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bom?&lt;br /&gt;- Acho que sim. Você?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- O de sempre, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela espantou-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De sempre?&lt;br /&gt;- É, de sempre. Você sempre dizia isso. “Tudo bom?”, “não sei”.&lt;br /&gt;- Dizia?&lt;br /&gt;- Você não lembra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balançou a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentaram-se, ela, depois ele, num banco ao lado de um canteiro de flores amareladas; ele, assim que o fez, retomou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, o que foi?&lt;br /&gt;- O que foi o quê?&lt;br /&gt;- Você levanta do nada e vem falar comigo, tá na cara que você quer falar alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foge com o olhar pra baixo. Ele, fixo-o na lateral do rosto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hm.&lt;br /&gt;- Além disso, eu ainda te conheço, Fernanda. O que foi?&lt;br /&gt;- Vai parecer estranho pra caralho eu perguntar isso.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Rod.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vira-se, fita-o nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que a gente terminou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ele vira-se para a frente, fita o vazio, e ela quem, mantendo o olhar sobre seu rosto, prossegue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cê não parece surpreso de ouvir essa pergunta.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Eu tenho outra pergunta.&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;- Quando foi que a gente terminou?&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Assim, quando foi que a gente terminou. Não lembro.&lt;br /&gt;- Como não lembra? Foi perto da primeira fase do vestibular, na véspera do meu show... você me chamou para passar na sua casa, a gente brigou.&lt;br /&gt;- Nesse dia?! – ele parecia, agora sim, surpreso. – Mas a gente não terminou nesse dia!&lt;br /&gt;- Claro que terminou!&lt;br /&gt;- Não, não terminou! Eu disse que sentia que o nosso namoro não tava mais valendo nada, aí você ficou calada. Disse que se continuasse assim, a gente ia ter que acabar, porque a gente se via de má-vontade, poucas vezes, e não tinha porque continuar se prendendo a um troço desse. E você disse que, na verdade, pra você era como se o nosso namoro já tivesse acabado muito antes, e só continuasse porque a gente ficava insistindo nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era verdade. Ia ressurgindo em sua cabeça praticamente ao mesmo tempo em que ele falava, estivera lá o tempo todo sem que ela pensasse em procurar. E era exatamente o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque achava que ele tinha que ter um final apropriado, uma coisa bem marcante – Fernanda concluiu, bem baixinho – ou que ainda tinha muito pra aproveitar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele levou a mão à boca, e começou a arrancar a pele da mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não disse isso, não.&lt;br /&gt;- Não, não, só pensei. E escrevi, acho. Mas e depois?&lt;br /&gt;- Depois, sei lá. Eu achei que a gente tivesse dando um tempo, mas você nunca mais ligou, não falou comigo, e eu pensei “bem, ela decidiu terminar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancou um pedaço grande da pele, e deixou escapar uma leve expressão de dor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tive muita raiva de você por isso. Por muito tempo. Acho que, se você vem falar comigo antes, eu virava a cara e continuava andando. Nunca achei que você. Sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olharam-se de novo, e ele completou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tivesse feito isso sem querer.&lt;br /&gt;- Me desculpa.&lt;br /&gt;- Que desculpa, o quê, não é nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu, fez-lhe um carinho no cabelo, e abraçou-o com muita força, num abraço bem demorado, ao final do qual ela levantou-se e ele, finalmente reparando na lata de cerveja, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá um gole?&lt;br /&gt;- Tem bem pouquinho. – responde Fernanda, passando-lhe a lata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo nem bem encostou os dedos, devolve-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa, tá quente, que horrível, joga isso fora.&lt;br /&gt;- Vou devolver, essa latinha tem dono.&lt;br /&gt;- Ah, é? E depois? Você não tá com cara de que vai ficar por aqui.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Vai pra onde?&lt;br /&gt;- Pra um show, fazer uma surpresa boba.&lt;br /&gt;- É, eu também não me demoro muito. É uma pena que a festa teja assim vazia, eu queria mesmo ter revisto o pessoal... e tadinha da Lú.&lt;br /&gt;- É, mesmo. – pegou a lata de volta. – Dá um beijo nela pra mim?&lt;br /&gt;- Dou. E beijo pra você também... não some, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocaram beijinhos nas bochechas novamente, mais um abraço, menor desta vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mesmo, eu ainda tenho uma puta saudade de você, Rod. Mas tu tá no meu orkut, não?&lt;br /&gt;- De todo rumo eu tô na lista.&lt;br /&gt;- Então, té mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela retornou para o salão, onde Alessandro observava, impassível, de mãos vazias. Sem dizer palavra, colocou a lata que tinha em mãos como início da terceira fileira, e assim que o fez, o outro cortou o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não bebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deu de ombros, aproximou-se e deu-lhe um beijo na bochecha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tô indo, já, psor. Desculpa não falar direito, fica pra próxima.&lt;br /&gt;- É uma pirâmide de quatro por quatro por um.&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;- Ainda faltam duas latas.&lt;br /&gt;- Por mim, podem ficar faltando. Té mais, vê se não some!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dizendo isso, Fernanda virou-se de costas. Sem sorrir profundamente, com passos até pouco vigorosos, e um pouco cabisbaixa, refletindo nas poucas palavras ali trocadas, no muito que significavam. Mas virou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://images.facade.com/i/t/rider_waite/l/r30.jpg" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111402045911493165?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111402045911493165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111402045911493165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111402045911493165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111402045911493165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-oitavo.html' title='Os Oito Copos - Oitavo'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111393943794388893</id><published>2005-04-19T16:32:00.000-03:00</published><updated>2005-04-19T16:37:17.953-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Sétimo</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Não, não, de jeito nenhum! – respondeu Rodrigo, cambaleando ligeiramente para trás. – Eu já misturei o vinho com caipirinha, se eu bebo mais uma lat – voltou-se para trás depois que percebeu estar pisoteando a tal Lara, de quem Fernanda não conseguira em absoluto se lembrar, ao rever – Opa, desculpa. Desculpa mesmo!&lt;br /&gt;            &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fernanda riu bastante, não conseguia evitar. Ainda não tinha álcool suficiente no sangue para livrar-se do terrível fardo da consciência: ela permanecia ali, no canto de seu eu, como uma rainha testemunhando impotente um golpe de Estado. Seu tato acusou esbarrões em pelo menos três direções diferentes, mas o aviso chegou tarde demais para que qualquer providência a respeito fosse tomada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Uma voz masculina, possivelmente Rétz, lhe disse qualquer coisa incompreensível – para a tirania do álcool, ao menos – mas passou rápido o bastante para que ela nem se incomodasse em virar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - E você? – seguiu Rodrigo – Não vai na caipivodka, não?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Fernanda ri de novo. A pista cheia não lhe impedia os movimentos espalhafatosos; na verdade, de certa forma a incentivavam. A festa, um sucesso de público, chegava exatamente então a seu ponto mais alto, e as vozes e o barulho eram uma incitação irresistível ao estardalhaço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Tá maluco, menino?! Quer que eu pare na glicose hoje?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Ele esticou o pescoço do jeito que costumava fazer quando ia dizer alguma sacanagem no seu ouvido, mas voltou balançando no meio do caminho, deu uma disfarçada absolutamente fracassada e ensaiou alguns passos. Rodrigo era um péssimo dançarino. Não por deselegância, por timidez, mesmo. Até bêbado. Fazia muito que ela não o via em uma danceteria ou em qualquer coisa parecida com uma.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Reencontraram-se num bar da orla, já devia ter um ano – sim, mais ou menos isso, mesmo. O longo tempo de sumiço e as boas lembranças renderam-lhes algumas horas de uma conversa de intimidade estranhamente baixa, e a promessa de fazê-lo novamente em uma semana. Eram dias frustrantes, que precederam a reprovação por desistência dela no projeto final, e do abandono do curso de desenho industrial dele; mas muito pior que isso, era um momento em que todos os bons amigos de ambos ou mostravam-se não tão bons, ou pouco disponíveis – boa parte deles, devido a comprometimentos amorosos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Viram-se, então, de novo e, como ela deveria esperar, ele ousou um pouco mais, aproximou-se durante a fala, fez um carinho em seu rosto. Mais ou menos no ponto em que ele pegou em sua mão, ela lhe respondia porque acreditava que se deixava voltar a vê-lo. O próprio Rodrigo lhe perguntara. Disse qualquer coisa previsível como “você não continuou pensando em mim nesse tempo, não sentiu minha falta?” e ela respondeu, muito sinceramente, que era claro que sentia, mas não tanto, sentia mais mesmo agora, porque se sentia – foi exatamente nesse ponto que ele pegou em sua mão, e a voz dela quase desapareceu – tão sozinha. E ele respondeu “eu também”, recostou-se sobre ela e a beijou; então pediram a conta, foram para a casa dele, e treparam como não faziam há muito tempo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Continuaram curando mutuamente sua solidão assim, de quando em quando. Viam-se, narravam seu dia-a-dia um ao outro, bebiam (ou não), fodiam (ou não), iam embora para suas respectivas casas. Eram companheiros em seus excessos de saídas, álcool e noites mal-dormidas, companheiros ao narrar suas vidas diurnas um ao outro e constatar que tudo dava errado. Rodrigo deixou escapar a palavra namoro uma vez, enquanto Fernanda encostava-se em seu peito. “Namoro?”, ela se indagou. Bem, eles se viam com freqüência, e se beijavam e compartilhavam da intimidade um do outro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Ele não a beijava agora na pista, no meio da festa de reencontro da escola, Fernanda tinha certeza, era porque também se perguntava a mesma coisa, também sentia que aquilo, embora parecesse um namoro por todos os critérios válidos, era como o prazer que se tem de comer um prato frio quando com muita fome, de um mijo após horas de contração.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Vou pegar mais bebida! – gritou-lhe Rodrigo ao ouvido.&lt;br /&gt;            - Tá bom! – respondeu. – Eu vou sentar em algum canto. Me traz uma uva?&lt;br /&gt;            - Quê?!&lt;br /&gt;            - Uma uva!... Deixa pra lá.&lt;br /&gt;            - Trago! Se tiver!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Rodrigo rumou para a cozinha, e Fernanda voltou-se para o grande conjunto de cadeiras cheias do outro lado. Turmas grandes se avolumavam. A velha gangue dos nerds comparecera em peso e, somando-se amigos convidados, namoradas e afins, enchia 20 lugares do canto direito numa mesa volumosa. Letícia, Picles, Zé Ruela, e uns três desconhecidos sentavam-se em outra, companhia demais para seu gosto. Luciana e o irmão, pelo visto não se viam há muito, no fundo, ao centro; nada que ela gostaria de atrapalhar. Procurou por Paulinha e o namorado, mas aparentemente tinham sumido, como era costume nos momentos em que ela precisava da companhia de amigos, ainda que de um casal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            E no canto oposto estava Alessandro, seu antigo professor de História, que ela jamais imaginaria presente, sentado de costas para a parede, uma lata de cerveja na mão. Ele tentou, enquanto a fitava, o melhor que pôde, sorrir, mas sua expressão cabisbaixa acabou por alterar-se pouco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Vendo o lugar vazio ao lado dele, foi para lá se sentar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Oi, Fernanda. – disse-lhe Alessandro.&lt;br /&gt;            - Oi, e aí. – sentou-se. – Fazendo o quê sozinho no meio desse povo todo?&lt;br /&gt;            - Estou montando uma pirâmide de latas de cerveja vazias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Na mesa, havia seis latas vazias, quatro na base, duas na segunda fileira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Seu bêbado. – ela sorriu.&lt;br /&gt;            - Me ajuda aqui?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Ele lhe estendeu a lata em suas mãos, que tinha apenas uns poucos goles sobrando; ela despejou o conteúdo garganta abaixo e depositou o recipiente vazio no pano azul da mesa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Tá fria ainda, você bebe rápido. – comentou ela. – Essa já é da leva que o Patrick foi apanhar agora?&lt;br /&gt;            - O irmão da Luciana?&lt;br /&gt;            - Ele mesmo.&lt;br /&gt;            - Sabe, ele foi um grande amigo meu, tempos atrás. Eu vinha muito aqui.&lt;br /&gt;            - É, ele me contou. Disse que você sempre se escondia dele na lixeira entre o play e o segundo andar, bem encolhidinho.&lt;br /&gt;            - Lá dentro. – sorriu Alessandro, e aquilo parecia ser algo tão diferente, como se seu sorriso naquele momento alterasse mesmo alguma lei do comportamento humano.&lt;br /&gt;            - Ele disse também que esse play não mudou nadinha desde que vocês eram crianças.&lt;br /&gt;            - Mudou. Acho que tudo sempre muda, só eu continuo igual.&lt;br /&gt;            - Você acha mesmo isso?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Ele não respondeu; deu sumiço no próprio sorriso e voltou a fitar o mesmo ponto difuso da festa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - O mundo não é imutável só em você, sabe, nem tão limitado. Olha só essa festa, o melhor exemplo prático. De quantos jeitos você acha que ela não podia ter acontecido? Quantas histórias diferentes essas pessoas aqui não trouxeram e poderiam ter trazido?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Alessandro nada ainda, fazia cara de incomodado com a bebedeira dela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - A Paulinha hoje, tá namorando o Daniel, beleza, mas você viu como o Rétz passou por ela sem nem falar nada? Eles podiam muito bem tá namorando ainda. O Rétz também podia tá todo certinho, ou podia tá mais loucão ainda, ele quase fez teatro, sabia? Aliás, eu durante um tempo achei que ele fosse gay. Aí eu achei que ele gostava de Lê. Aí eles dois sumiram, e Luciana sumiu... ela continua muito patricinha, mas podia não ter continuado, podia ter endoidado, mudado totalmente. Podia tá discotecando agora. A Lê podia tá discotecando. Acho que ela gostava do Rodrigo, ela mesmo podia tá com o Rodrigo agora, e não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Deteve-se assim que percebeu o que dizia. Alessandro, sem virar o rosto, respondeu-lhe:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Fernanda, até eu consigo dizer o que você quer me perguntar.&lt;br /&gt;            - Não consegue, não!&lt;br /&gt;            - Sim.&lt;br /&gt;            - Você acha que entende tudo que aconteceu entre a gente só porque viu desde o começo, mas você não sabe de nada, você não sabe o que tá acontecendo, não sabe o que vai acontecer. Você acha que sabe o que vai acontecer, fica sempre tentando adivinhar, porque acha que só uma coisa pode acontecer, mas quer saber? Isso é babaquice sua! Pode acontecer uma caralhada de coisa. Amanhã o Rodrigo pode vir e me pedir em casamento, e pode ser que eu aceite, e pegue o emprego no Ministério da Cultura que a minha mãe vive enchendo o saco pra eu pegar. E tenha uma vida comum e feliz. Ou que eu dê um pé na bunda dele, e mande ele me largar, e nunca mais veja ele, pense nele, e diga pra ele que, se tem uma coisa que eu consegui perceber, é que ele não é o homem da minha vida, que a gente não tem como dar certo, isso é só uma enrolação.&lt;br /&gt;            - Não.&lt;br /&gt;            - Não o quê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Nada, de novo. Alessandro mexeu levemente o braço esquerdo, mas desta vez Fernanda pôde sentir, na maneira como o fazia, inquietação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Você acha que eu não consigo fazer isso. E deve ter razão, porque eu não consigo fazer nada, eu não consigo fazer nada que eu queria da minha vida. Nem com o Rod nem com ninguém. E você tá errado quando diz que só você não muda, porque eu também não mudei, nem eu nem o Rod, eu. Não consigo largar isso, não consigo largar nada, não sei  pra onde ir se largar.&lt;br /&gt;            - Você não veria nem que estivesse do seu lado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            A inquietação se refletia nele agora de maneira mais clara, e, mesmo com a percepção embotada, Fernanda sabia que ele queria se levantar – mas não o faria.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Mas isso não vai durar pra sempre não, fessor. Um dia você também vai mudar. Pode dizer que é papo de bêbado. Mas um dia, assim do nada, eu vou conhecer e me apaixonar por uma outra pessoa, acho que alguém uns seis anos mais novo, assim, só pra eu morder bem a língua, e vou parar de usar esses suspensórios e vou fazer uma música diversificada, e vou ser contratada pra fazer a trilha sonora de um jogo japonês de criação de cachorros. Espaciais. E vou viajar pelo mundo e virar taoísta, e vou ajudar um bando de religiosos a lutar contra a tríade em Hong Kong. E vou aprender a ler o futuro no I Ching, e nem vou precisar estar bêbada! E você.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Alessandro virou-se para encará-la, pela primeira vez durante toda a conversa; ela continuou:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Você vai acordar um dia com um bilhete na porta da sua casa dizendo que você não se lembra do que fez no dia anterior, e não vai se lembrar mesmo. E você vai conhecer um sujeito chamado Gaio com uns cachorros que diz que é Deus, e conhecer uma língua secreta que altera ondas elétricas. Aí vai ser perseguido por uma organização para-militar que implantou chips em sua cabeça, e vai se apaixonar de novo por uma moça que se chama Helena mas se chama Andréia, e ter que fazer um ritual de sacrifício a Hades pra impedir que E.T.s invadam a Terra, e se oferecer e dar um tiro na própria testa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Olhou para ele e abriu um sorriso largo.            &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- E aí, gostou da minha previsão? Não vai dizer nada?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            Nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;            - Diz alguma coisa, Alessandro. Você não vai falar mais nada, isso é tudo que você tinha pra me dizer? Alessandro!?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111393943794388893?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111393943794388893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111393943794388893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111393943794388893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111393943794388893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-stimo.html' title='Os Oito Copos - Sétimo'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111387214013099400</id><published>2005-04-18T21:52:00.000-03:00</published><updated>2005-04-18T21:55:40.136-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Sexto</title><content type='html'>- Nossa, que música é essa? – riu Luciana, deixando-se cair mais um pouco na cadeira, enquanto ouvia os bipes ritmados do telefone celular da amiga.&lt;br /&gt;            - É o Jorge, ele que pôs. – respondeu Fernanda. – Não sei de onde é.&lt;br /&gt;            - Jorge?&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Fernanda olhou rapidamente para o visor do aparelho, apertou um botão e pôs-se a guardá-lo de volta na bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Ué? Não vai atender?&lt;br /&gt;            - Depois eu ligo pra ele.&lt;br /&gt;            - Ih, meu deus, já tá assim?&lt;br /&gt;            - Não, não, ele é um amor, mas.&lt;br /&gt;            - Mas?&lt;br /&gt;            - Muito bobinho, às vezes.&lt;br /&gt;            - Mais do que você?&lt;br /&gt;            - Ele é novinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Luciana abriu um sorriso e esticou os braços pra fora da manga larga da blusa rosada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Ora, ora, ora, ora!&lt;br /&gt;            - Ai, saco...&lt;br /&gt;            - Ai saco não, ai saco não! Quer dizer que eu esperei oito anos para ver dona Fernanda Dantas Nogueira se tornar a maior mordedora de língua da face da Terra?!?&lt;br /&gt;            - Lú!&lt;br /&gt;            - Lú não, minha filha, Lú, não!&lt;br /&gt;            - Olha.&lt;br /&gt;            - Quantos anos?&lt;br /&gt;            - Dezs...&lt;br /&gt;            - Não ouvi! Quantos?&lt;br /&gt;            - Dezessete, porra! Tá bom?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Luciana cai na gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Ah, se eu soubesse disso na época que fiquei com o Beto! Ah, se eu soubesse!&lt;br /&gt;            - Lú, eu era novinha e idiota, pelamordedeus.&lt;br /&gt;            - E ele? É idiota?&lt;br /&gt;            - Não. Bobinho só.&lt;br /&gt;            - Sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Deu uma olhada na amiga de cima a baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Cê mudou, Fê.&lt;br /&gt;            - Não, você é que mudou. Eu tô igualzinha.&lt;br /&gt;            - E paquerando um moleque de 17?&lt;br /&gt;            - Então. Igualzinha.&lt;br /&gt;            - Mas eu não penso em você assim, com esse suspensório, isso não é a Fernanda que eu conheci. Eu lembro de você de cabelo comprido e arco cor-de-rosa.&lt;br /&gt;            - E eu lembro de você sem esse piercing no nariz. Nem esse sotaque de gringo com ovo na boca.&lt;br /&gt;            - Eu não peguei sotaque!&lt;br /&gt;            - “Ieu non peiguei sutáqui!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Sua piranha.&lt;br /&gt;            - Vadia.&lt;br /&gt;            - Quer uma cerveja?&lt;br /&gt;            - Pode ser.&lt;br /&gt;            - Vou lá pegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Luciana levantou-se e rumou para a cozinha, e Fernanda se pegou varrendo o salão de festas e a parte visível do play com os olhos. Em frente à porta da cozinha Picles, sua namorada, cujo nome ela desconhecia (entrara muda e provavelmente sairia calada), Paulinha, a tal Lara, de quem ela mal se lembrava, e o Lucas “lata velha”, travavam uma conversa animada entrecortada por muitos risos; afastaram-se um pouco para deixar Lú passar, mas de resto seguiram como se nada tivesse acontecido. Lê terminava de organizar a lista de mp3 que tocariam ao longo da festa em seu laptop, e voltava a dar as mãos a Mateus, da velha turma de nerds da sala. Rétz dançava na pista com Rita, que na época da escola mal falava, e aparecera com o cabelo verde e um vestido rosa-choque, e um outro garoto novinho que devia ser calouro de alguém. Faziam aquilo para chamar a atenção, mesmo; nisso o Rétz não mudava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Rodrigo tinha vindo com um primo, ao lado de quem observava tudo, de fora do salão. Passara a maior parte do tempo conversando com ele daquela maneira familiar na qual simplesmente não se consegue parar de ligar um assunto ao outro, e dificilmente permitir a entrada de um novo interlocutor; coisa de quem não se vê há tempos, mas descobre-se ainda cheio de particularidades em comum. Tinha o rosto limpo, branco de falta de sol, os cabelos bem curtinhos, e vestia uma camiseta branca lisa, assim. Não parecia nem muito que tinha saído de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Rétz contara-lhe que Rodrigo criara um programa de geração de sabe-deus-o-quê operacional durante sua temporada nos EUA, que lhe valera uma fortuna. Aparentemente era estupidamente famoso no meio. Agora trabalhava em casa por vídeo-conferências, faxes e e-mails, com folga, resolvendo como investir o seu dinheiro, mas na verdade ninguém nem soube dizer se pretendia continuar por aqui, se estava de passagem – talvez ele mesmo não soubesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Rodrigo desviou o olhar do primo por um instante, e num movimento – ao menos aparentemente – desproposital, cruzou os olhos com os dela, que rapidamente jogou os seus rumo a um canto a princípio vazio do salão. A princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Pois lá estava Alessandro, seu antigo professor de História, que ela jamais imaginaria estar presente, sentado de costas para a parede, olhando para ela, com o celular ligado e aceso em sua mão. Ele tentou, enquanto a fitava, o melhor que pôde, sorrir, mas sua expressão cabisbaixa acabou por alterar-se pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ela sorriu de volta, e, meio sem perceber, levantou-se e foi lá falar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Oi, Fernanda.&lt;br /&gt;            - Olá, senhor Alessandro. – fez um pouco de tom de brincadeira. – Posso saber o que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;            - Estou montando uma pirâmide de latas de cerveja vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na mesa havia 5 latas vazias, 4 na base, uma iniciando a segunda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Nossa, você já sabe até quantas vai beber!&lt;br /&gt;            - Me ajuda aqui? – perguntou Alessandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele lhe estendeu a lata em suas mãos, que tinha apenas uns poucos goles sobrando; ela despejou o conteúdo garganta abaixo e depositou o recipiente vazio no pano azul da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Na verdade – retomou, enxugando a boca com as costas da mão – o que eu queria saber era com quem você tava falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Como resposta, Alessandro apenas mostrou-lhe o visor do celular, onde se lia o conteúdo de um torpedo de cerca de um minuto e meio antes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            “Pisandro, seu mongol! Eu tô em sampa. Dê um beijo na boba da minha irmã por mim! – Patrick.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Patrick?! – ela arregalou os olhos, enquanto devolvia-lhe o celular. – Você conhece ele?&lt;br /&gt;            - O irmão da Luciana? Sabe, ele foi um grande amigo meu, tempos atrás. Eu vinha muito aqui.&lt;br /&gt;            - Bem, a Lú foi só pegar uma cerva pra gente, mas deve tá muito cheio lá –&lt;br /&gt;            - Lá dentro.&lt;br /&gt;            - É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Fernanda brincou um pouco com a lata vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Eu nem sabia que a Lú tava morando na Inglaterra, ainda mais que o Patrick tinha mudado.&lt;br /&gt;            - Mudou. Acho que tudo sempre muda, só eu continuo igual.&lt;br /&gt;            - Acho que nem tudo não, nem tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Lançou um olhar para fora do salão, onde Rodrigo conversava com seu primo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Você não acha que o Rod. Eu sei que ele tá diferente. Mas o jeito como ele de vez em quando me olha ainda é o mesmo daquela primeira festa aqui. É, né, como é que –&lt;br /&gt;            - Fernanda, até eu consigo dizer o que você quer me perguntar.&lt;br /&gt;            - Então, não parece?&lt;br /&gt;            - Sim.&lt;br /&gt;            - Deve ser muita burrice achar que a gente ainda podia dar certo. Depois de tanto tempo. A gente tinha uma coisa tão boa e eu. Eu não sabia como ia ser a vida sem encontrar ele e jogar o jogo do dedão, ele não comendo feijão, deixando comida no prato. Caralho, eu odiava isso, eu odeio gente que come porcaria. E ele reclamando que eu demorava nos shows? Você sabe que ele fazia isso? Reclamava da gente começar atrasado. Todo mundo começa show atrasado. Eu nem sei se tocaria se não fosse por ele, eu fiz a minha segunda música pra ele. Acho que ele nem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Eu sou uma idiota.&lt;br /&gt;            - Não.&lt;br /&gt;            - Eu. Eu falaria com ele agora, eu quero mesmo falar, mas não sei o que, nem sei como começar. Tô com essa sensação de que a nossa história ainda não terminou, sabe? Tô tentando entender, fico lembrando das coisas. Mas imagina, eu nem ia saber como puxar assunto. Se eu tivesse uma idéia...&lt;br /&gt;            - Você não veria nem que estivesse do seu lado.&lt;br /&gt;            - Fê! – a voz de Luciana chegou baixa da outra ponta do salão; ela trazia não 2, mas 3 latas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Fernanda trocou com Alessandro olhares de compreensão súbita, e dirigiu-se na direção da amiga para interceptá-la. Tomou-lhe as duas latas da mão direita e, seguindo rumo à porta, puxou-a com a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Fê?! Que é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Soltou-lhe a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Olha, desculpa, isso é uma coisa que eu tenho que fazer. Cê é minha amiga desda 3ª série, me ajuda?&lt;br /&gt;            - Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Fernanda voltou a andar, e Luciana compreendeu para onde estava sendo levada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Você quer falar com o Rod? Fê –&lt;br /&gt;            - É burrice, né? Eu sei que é burrice, mas é só que. A gente se fode tanto na vida, eu acho que pode ser que eu não goste de falar com ele de novo, mas nem ligo mais, a gente depois de um tempo –&lt;br /&gt;            - Fê!&lt;br /&gt;            - Quê?&lt;br /&gt;            - Era só pedir que eu ia. – sorriu. – Mas essa cerveja era pro Alessandro.&lt;br /&gt;            - Ah, ele vai entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Foram. Rodrigo demorou a perceber que se aproximavam; ao ser avisado pelo primo e virar-se, quase deu um salto pra trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Oi Rod.&lt;br /&gt;            - Oi, Fêe – ele alongou o ê, claramente se evadindo da intimidade do apelido –eernanda. Oi, Luciana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Mostrou a ele a lata.           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer uma cerveja?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111387214013099400?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111387214013099400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111387214013099400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111387214013099400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111387214013099400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-sexto.html' title='Os Oito Copos - Sexto'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111376225233965524</id><published>2005-04-17T15:21:00.000-03:00</published><updated>2005-04-17T15:24:12.343-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Quinto</title><content type='html'>Andou com passos rápidos até a beira da piscina, onde estavam os dois casais. Eles compartilhavam uma mesma mesa redonda e conversavam animadamente – dera sorte, pensou, e aproximou-se deles vestindo seu melhor sorriso, sendo recebida da mesma forma.&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;Como ela mostrou dúvida sobre aonde se sentar, o próprio Rodrigo levantou-se e apanhou uma cadeira próxima, colocando-a entre si e Paula e oferecendo o lugar a Fernanda, que, deixando escapar um cisco de aflição pelo olhar, acabou aceitando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Fizeram, em vão, o melhor que podiam para deixá-la à vontade: perguntaram-lhe sobre sua vida, pediram sua opinião nos assuntos, buscaram lembranças em comum da escola. Falha na inserção social consumada, desistiram e retomaram seus assuntos casuais – festa de amigos em comum, show de bandas preferidas, último cinema, concurso público, a rotina peculiar do escritório de publicidade onde Rétz estagiava, com todas suas loucuras e apelidos estranhos, professores babacas de Letícia e Rodrigo (que eram colegas de turma na engenharia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Porra, é um velho tarado, aquele filho da puta! – ele xingava, por sobre as altas gargalhadas do restante da mesa.&lt;br /&gt;            - Nada, Rod, ele é é gay, já disse pra você, tá na cara que é. – interrompeu Letícia.&lt;br /&gt;            - Gay porra nenhuma. O jeito como ele te olha!&lt;br /&gt;            - Já te disse que naquele dia ele tava reparando na minha saia.&lt;br /&gt;            - Na saia! – Rétz explodiu em gargalhadas.&lt;br /&gt;            - Ele veio comentar comigo depois! – protestou Letícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Eles até chamaram o Mateus, um dos integrantes da velha turma dos nerds da sala, pra promover a integração da mesa – quem sabe, talvez, fazendo melhor companhia à Fernanda. Ele parecia freqüentar círculos sociais semelhantes aos dos outros 4 e, de fato, rapidamente pôde se inserir na conversa, conseguindo até arrancar algumas frases e sorrisos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Rodrigo chegou a comentar como ela estava diferente, e todos concordaram, Paulinha acrescentando que a Fernanda que conhecera ria o tempo todo. Mas a própria sabia que ainda ria muito normalmente, que não era ela que tinha mudado – muito pelo contrário. Eles é que tinham mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Talvez em algum momento ela tivesse se deixado enganar, pensando que o fato de eles terem mantido contato entre si, e com os demais colegas de colégio, os mantivesse apegados àquele estado anterior de coisas, àquele tempo. Mas estaria errada. Eles tinham mudado tremendamente, e aqueles não eram o Rétz, nem a Lê, a Paulinha, ou o Rod, caramba, nem mesmo o Mateus que ela conhecera no segundo grau (o Mateus que ela conhecera cagaria nas calças de vergonha antes de conseguir contar uma piada a uma garota).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             - Como, qual espinha? – a voz de seu antigo namorado cortou-lhe os pensamentos. – Essa aqui!? – completou, e com um grande estalo, espalmou a mão esquerda na coxa direita de Letícia.&lt;br /&gt;            - Ai! – ela reagiu. – Isso doeu, porra, Rod! Doeu pra –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Um beijo de Rodrigo a interrompeu. E prosseguiu por mais tempo do que o silêncio que surgiu com ele, acompanhado depois pela conversa amigável dos outros três ocupantes da mesa de plástico, que em tudo o ignoravam. Uma Fernanda muda observava, e em parte sentia-se satisfeita, em parte surpresa, de ver que seu ex não saiu rapidamente do beijo para um sussurro ao pé do ouvido, como fazia antigamente. Pôde suportar a cena somente até o momento em que Rétz e Paulinha decidiram acompanhar o casal de amigos com outro beijo; então se levantou e retornou para o salão de festas, sem que os quatro reparassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            No caminho pensou que talvez devesse ter sido no mínimo um pouco menos rude com Mateus, que chegou a tentar falar alguma coisa pouco antes dela se levantar; mas voltando-se na direção dele, que agora a seguia ao longe, irritou-a pensar que ele provavelmente só queria aproveitar o momento para abordá-la, formando um novo casal. Ele a fitou de relance uma última vez e mudou de rumo, praticamente fugiu. Foi então que ela levou as mãos ao rosto, e percebeu nele as contrações que costumam levar ao choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Aquilo a perturbou profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ela seguiu rente até a parede do canto assim que percebeu a presença de Luciana, conversando com um homem sorridente de rosto sardento. Não queria conversa com ninguém. Sentou-se o mais de frente para a parede que podia, tentando barrar a passagem das lágrimas, equilibrar a respiração. Repetiu à exaustão o mantra “merda”, até sentir as primeiras gotas escaparem por entre as pálpebras; então perdeu o controle dos soluços, que saíram saltitando por sua garganta feito sapos. A irritação virou fúria, e resolveu tentar, por conta própria, deter tudo com um murro vigoroso em uma das inocentes mesinhas estacionadas ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A música alta abafou o estalar e tremer do plástico, que se fez acompanhar imediatamente do ruído mais leve da queda de alumínio, e do despejar de líquido borbulhante; mas ela não teria levantado os olhos para ver do que se tratava, se uma voz não se sobressaísse no meio de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Oi, Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Alessandro, seu antigo professor de História, que ela jamais imaginaria estar presente, sentava-se de costas para a parede. Ele tentou, enquanto a fitava, o melhor que pôde, sorrir, mas sua expressão cabisbaixa acabou por alterar-se pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Fe. Fessor? Ai meu deus, me desculpa, eu. Não tinha visto você aqui no canto, eu não queria atrapalhar, é. – a lucidez retornava aos poucos, embora as lágrimas ainda lhe turvassem muito a vista. – O quê. O quê você tá fazendo aqui sozinho?&lt;br /&gt;            - Estou montando uma pirâmide de latas de cerveja vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na mesa, duas latas permaneciam em pé, outras três na horizontal, uma quieta e vazia, uma rolando na direção da parede, e a última deitada, estática, vazando um bom bocado de seu conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Me ajuda aqui? – perguntou Alessandro, secando o líquido com um guardanapo.     Fernanda rapidamente pegou outro e ajoelhou-se para tentar limpar o chão, para onde o líquido também se esvaíra.&lt;br /&gt;            - Ai, me desculpa, puta que o pariu, desculpa mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Do outro lado, o rapaz de rosto sardento andou na direção deles, sendo prontamente interrompido por um gesto amenizador de Alessandro, e retornando para de onde veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Eu não sujei você, sujei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Sujara, mas ele nada disse a respeito; apenas jogou os guardanapos úmidos no lixo mais próximo e aprumou-se de volta na cadeira, deixando as latas como estavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Fernanda ficou ali alguns instantes olhando-as, qualquer espécie de força invisível que os olhos de Alessandro emitiam impedindo-a de colocá-las de pé novamente. Até levantou a mão esquerda com essa intenção, mas deteve-se e acabou apenas se apoiando na mesa com ela, enquanto discretamente enxugava o rosto com a direita, tentando aliviar o desconforto com uma pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Você conhece o Patrick?&lt;br /&gt;            - O irmão da Luciana?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Sabe, ele foi um grande amigo meu, tempos atrás. Eu vinha muito aqui.&lt;br /&gt;            - Eles já saíram? Tô morta de vergonha. Onde eles tão? – olhou ao redor.&lt;br /&gt;            - Lá dentro.&lt;br /&gt;            - Mas a cozinha não era pra cá? Mudou de lugar?&lt;br /&gt;            - Mudou. Acho que tudo sempre muda, só eu continuo igual.&lt;br /&gt;            - Não. Eu também continuo. Eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Alessandro, ela teve impressão, pareceu esboçar um gesto em sua direção, talvez pensando em passar-lhe a mão pela cabeça ou qualquer outro carinho de cunho semelhante. Mas devia ter sido impressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Você não acha que. Caralho. – ela se esforçou para passar por cima dos soluços. – Você sabe a história toda, psor. Eu. Eu perdi ele, mas.&lt;br /&gt;            - Fernanda, até eu consigo dizer o que você quer me perguntar.&lt;br /&gt;            - A gente pensa igualzinho, né? – esboçou um sorriso.&lt;br /&gt;            - Sim.&lt;br /&gt;            - Não podia ter sido de outro jeito. Já faz tanto tempo, eu não achei que ainda me importasse. Eu não tenho –&lt;br /&gt;            - Não.&lt;br /&gt;            - Não tenho culpa. Eu perdi ele, mas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Voltou a chorar. Aconteceu bem mais rápido, dessa vez; faltaram-lhe forças para resistir, talvez porque já tivessem sido gastas antes. E agora ela desejava mesmo que Alessandro estivesse lhe passando a mão pela cabeça e lhe fazendo qualquer carinho daquele tipo, ou qualquer um. Queria ela mesma procurar recostar-se nele, e o teria feito se a mesa não a impedisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Perdi ele, pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Em lugar disso, esmurrou a mesa novamente, e de novo e de novo, até que três das cinco latas despencassem ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Onde é que eu vou achar ele de novo? – cessou os murros.&lt;br /&gt;            - Você não veria nem que estivesse do seu lado. – respondeu Alessandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            E o celular dela tocou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111376225233965524?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111376225233965524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111376225233965524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111376225233965524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111376225233965524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-quinto.html' title='Os Oito Copos - Quinto'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111367482916481301</id><published>2005-04-16T15:04:00.000-03:00</published><updated>2005-04-16T15:07:09.166-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Quarto</title><content type='html'>- Professor!&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;Fernanda tinha se sentado há poucos minutos numa das mesas de plástico do salão de festas quando a mão de Alessandro, seu antigo professor de História, que ela jamais imaginaria estar presente, a tocou no ombro. Só então reparou que ele tinha estado o tempo todo a pouco mais de uma mesa de distância, bebendo uma lata de cerveja, sentado de costas para a parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Oi, Fernanda. – ele tentou, o melhor que pôde, sorrir, mas sua expressão cabisbaixa acabou por alterar-se pouco.&lt;br /&gt;            - Puta merda, cê me deu um susto! – parou e observou-o. – Aliás, que cê tá fazendo aqui parado no canto?&lt;br /&gt;            - Estou montando uma pirâmide de latas de cerveja vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na mesa havia 3 latas vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Bem, você já tem a base. – ela riu, decepcionando-se em ver que ele não ria de volta.&lt;br /&gt;            - Me ajuda aqui? – perguntou Alessandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele lhe estendeu a lata em suas mãos, que tinha apenas uns poucos goles sobrando; ela despejou o conteúdo garganta abaixo e depositou o recipiente vazio no pano azul da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Houve um breve silêncio antes que Fernanda decidisse externar seus pensamentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Professor, você ainda mantém contato com seus amigos antigos? Tipo o –&lt;br /&gt;            - O irmão da Luciana? Sabe, ele foi um grande amigo meu, tempos atrás. Eu vinha muito aqui.&lt;br /&gt;            - É, o Patrick! O que houve com ele, se mudou, né?&lt;br /&gt;            - Mudou. Acho que tudo sempre muda, só eu continuo igual.&lt;br /&gt;            - Não, eu mudei. Acho que mudei. Não é como, assim, uma coisa que eu fiz por querer, eu sinto quase como se tivesse sido jogada de um lado pro outro. Mas ao mesmo tempo, eu sinto que fiz de propósito isso, me afastei dessa vida do colégio, dos meus amigos da época. Eu. Essa sensação que fica me impregnando na cabeça.&lt;br /&gt;            - Lá dentro.&lt;br /&gt;            - Você também não... Como se pode dizer? Eu não quero me intrometer.&lt;br /&gt;            - Fernanda, até eu consigo dizer o que você quer me perguntar.&lt;br /&gt;            - Então. É isso, né? Desculpa dizer assim, mas. Você também se sente assim, também se afastou dos seus amigos, da época.&lt;br /&gt;            - Sim.&lt;br /&gt;            - A gente é parecido, né. Não só nisso. Não parece, mas é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Paulinha passou com mais uma cerveja, que Fernanda polidamente aceitou, sem dizer nada. Sua amiga mostrou-se meio decepcionada, mas seguiu de volta para junto dos demais. Ela e Letícia aparentemente ainda eram unha e carne, e ainda viam muito Luciana, que era colega de curso da primeira na arquitetura da Puc. Fernanda chegou a participar de um princípio de conversa entre as três, antes de sentar-se ao lado de Alessandro; sentiu-se abissalmente excluída e abandonou-as rapidamente com uma desculpa tola. Afora isso, conversara rapidamente com Rétz, tendo ficado logo sem assunto e sendo pouco discretamente abandonada pela conversa com um dos antigos nerds, que agora, como o próprio Rétz, lidava com teatro – eram, pensava, ambos um pouco cheios de si demais para renderem uma conversa realmente interessante. Mas era um pouco mais que isso. Ela simplesmente não se importava com o que ele, ou qualquer um ali, fazia ou deixava de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Sabe como eu me sinto? – tornou a falar. – Às vezes, é como se eu só tivesse vendo a vida passar, sentada na frente de uma tela ou sozinha num ônibus, num trem. Eu fico olhando, as pessoas entram, as pessoas saem, parece. Você já viu Evangelion? Um desenho japonês, sabe?&lt;br /&gt;            - Não.&lt;br /&gt;            - É que tem um personagem que. Ah, deixa pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Tomou um gole da cerveja antes de voltar a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Teve motivo pra isso? Você? Quero dizer, nós dois, quero dizer.&lt;br /&gt;            - Você não veria nem que estivesse do seu lado. – concluiu Alessandro, e apontou com a cabeça na direção de Rodrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Foi como um estalo. Rodrigo conversava com uma garota cujo nome Fernanda não recordava, que tinha levado o filho de um ano e pouco à festa, mas na verdade uma grande roda havia se formado em torno deles – e ele eventualmente trocou ao menos algumas palavras com cada um, era amigo de cada um, mantinha contato com cada um. Ele ajeitava os cabelos longos e comentava sobre o mestrado que principiava a cursar em filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ocorreu a ela que nunca, ao longo dos dois anos de seu primeiro namoro, haviam tido sequer uma briga. Mais adiante aconteceria com mais freqüência o oposto, mas não com Rodrigo; com ele nunca havia brigado, nunca conseguira brigar, mesmo nos piores momentos. Nem quando ele a deixou plantada esperando por uma hora e meia na porta do Empório, nem quando ele já entrou em seu quarto berrando com raiva e ciúme do Lelo, ou quando deram um tempo por conta das cartas da Elisa, até mesmo no dia em que terminaram, a resposta dela variou apenas de um sorriso otimista a um leve biquinho de resignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Agora lembrava nitidamente do dia em que terminaram. Foi perto da primeira fase do vestibular e na véspera de um show, e ele a chamou para passar na sua casa. Ele a chamou. Nem se deu ao trabalho de ir até ela. E a recebeu com um beijo, para meia hora depois conduzi-la até a porta. Ela não chorou, não comentou, meio que já pressentia. Não era que não sentisse nada. Pelo contrário, por dentro explodia de raiva, decepção, ciúme; e mais tarde, com outros, também sentiu, e brigou, chorou, gritou. Mas desde aquela época, sentia-se anestesiada. E agora já imaginava o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha falhado miseravelmente em fugir dele durante oito longos anos. Pois o que lhe parecia é que a fuga era necessariamente para os braços de outro. Mas nada era assim tão simples, e na verdade nem poderia ser assim tão fuga. Os passos deveriam ser determinados, não rápidos, e somente seus.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Tomou um gole grande da cerveja e levantou-se da cadeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111367482916481301?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111367482916481301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111367482916481301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111367482916481301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111367482916481301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-quarto.html' title='Os Oito Copos - Quarto'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111359025122914394</id><published>2005-04-15T15:33:00.000-03:00</published><updated>2005-04-15T16:00:25.610-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Terceiro</title><content type='html'>- Um brinde! – Rétz berrou, levantou a lata de cerveja.&lt;br /&gt;- Caralho, outro? – interrompeu Letícia, que apesar da expressão de tédio, divertia-se muito vendo o velho amigo.&lt;br /&gt;- Ao quê, dessa vez, Rétz? – perguntou Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se pôs de pé, sorrindo afetado, depois voltando à expressão séria antes de proclamar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A velhos amigos!&lt;br /&gt;- De novo. – lamentou Letícia; mas levantou-se junto da outra e brindaram assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentaram-se; Rétz ajeitou o brinco na orelha esquerda enquanto o fazia. Súbito, esbugalhou os olhos e puxou Fernanda pelo braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, menina! Olha quem tá ali, olha!&lt;br /&gt;- Nossa, aquele não é o –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alessandro, seu antigo professor de História, que ela jamais imaginaria estar presente, bebia uma lata de cerveja, sentado de costas para a parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alessandro!&lt;br /&gt;- Quem? – intrometeu-se Letícia.&lt;br /&gt;- O professor de História, não lembra dele? – respondeu Fernanda.&lt;br /&gt;- Ah... é.&lt;br /&gt;- Ele continua igualzinho, uma gracinha. – emendou Rétz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letícia deu-lhe um tapa no ombro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rétz!&lt;br /&gt;- Que foi, menina?! É a mais pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda ria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não acredito, Rétz, você era a fim do professor de História desde o 2° grau?&lt;br /&gt;- Não, a fim, assim, não, mas. Ele tem jeito de quem tem um caralho enor –&lt;br /&gt;- Putaqueopariu, Rétz, seu tarado! – cortou Fernanda, ainda rindo.&lt;br /&gt;- Ora, tarado! Sou só sincero. E o que você queria, que eu tivesse tesão de quem? De você? Da Lê? Do coordenador?&lt;br /&gt;- Rétz! – agora Letícia interrompia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda levantou-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos lá falar com ele!&lt;br /&gt;- Hein? – Rétz quase engasgou.&lt;br /&gt;- Falar o quê? – indagou Letícia.&lt;br /&gt;- Sei lá, porra, qualquer coisa!&lt;br /&gt;- Ah, pra quê. Eu, hein.&lt;br /&gt;- Como é, Rétz, num vem?&lt;br /&gt;- Fala sério, mulé!&lt;br /&gt;- E que houve com a caralho enorme?&lt;br /&gt;- Não fale assim comigo, menina, sou um rapaz muito tímido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risos em profusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, sério, eu vou mesmo dar uma palavra com ele, eu gostava dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letícia consegue dizer, entre um riso e outro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, o Rétz é que gostava dele!&lt;br /&gt;- Tá, então vou só eu, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou, dirigiu-se até lá e foi se aproximando sem aviso. Ele parecia não estar ciente dela, mas, antes que ela tivesse a chance de falar, cumprimentou-a:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, Fernanda. – tentou, o melhor que pôde, sorrir, mas sua expressão cabisbaixa acabou por alterar-se pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deu um pequeno recuo de surpresa antes de responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, oi, é, Alessandro. Professor. É, tudo bem? Como você vai? Quer dizer, posso interromper, cê num tá fazendo nada, né?&lt;br /&gt;- Estou montando uma pirâmide de latas de cerveja vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia duas latas vazias na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, você é ambicioso. – ela sorriu.&lt;br /&gt;- Me ajuda aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lhe estendeu a lata, que tinha apenas uns poucos goles sobrando; ela despejou o conteúdo garganta abaixo e depositou o recipiente vazio no pano azul da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe que eu nunca bebo sozinha? – pensou em voz alta, já sentada ao lado dele. – Eu comecei a beber numa festa aqui na casa da Lú. Mas por isso passei a só beber com mais alguém, quer dizer, acho que é por isso, né. A gente tipo, era amigona.&lt;br /&gt;- O irmão da Luciana? Sabe, ele foi um grande amigo meu, tempos atrás. Eu vinha muito aqui.&lt;br /&gt;- Então cê conhece ela faz tempo né? Ela com certeza mudou muito. Era meio pati, mas depois daquela viagem de mochileira, virou outra pessoa.&lt;br /&gt;- Mudou. Acho que tudo sempre muda, só eu continuo igual.&lt;br /&gt;- Nem tudo muda, as pessoas continuam sempre as mesmas no fundo.&lt;br /&gt;- Lá dentro.&lt;br /&gt;- Sim, vê, eu continuo bebendo só entre amigos, e só pra celebrar alguma coisa, e de preferência, pra esquecer. E você vê, eu ainda –&lt;br /&gt;- Fernanda, até eu consigo dizer o que você quer me perguntar.&lt;br /&gt;- Consegue. É. Ele tá aí e eu não consegui falar com ele. Não quero. Se eu faço isso, vou acabar só. Cê entende o que eu quero dizer?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Sei que não posso sair daqui sem dizer alguma coisa pra ele, mas não sei o que é, não vou conseguir dizer enquanto continuar nessa festa, eu e meus amigos. Não quero quebrar o clima. Tipo, não deve ser o momento adequado, né?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Pois é. Preciso de mais bebida... vou lá pegar... e. Cê viu a Paulinha?&lt;br /&gt;- Você não veria nem que estivesse do seu lado. – ele apontou para Paula, que entrava pela porta da cozinha.&lt;br /&gt;- Ah, valeu! Té mais, fsor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda andou até a cozinha para, unindo o agradável ao agradável, encontrar a amiga e pegar sua cerveja. Paulinha tinha abandonado as camisetas escuras e calças jeans de outrora; vestia-se de branco, saia e blusa, deixara o cabelo passar um pouco do pescoço. No peito, a logomarca de um congresso de pedagogia. Conversaram durante uns bons quinze, vinte minutos, ali na cozinha mesmo, acompanhados durante um breve período de tempo por Luís, que tinha sido calouro dela com um período de diferença, na Puc – e as abandonou para encontrar-se com um dos poucos presentes do velho grupo nerd da sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula confessava a Fernanda estar tendo um princípio de envolvimento com ele quando, esticando os olhos à frente, se interrompeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih.&lt;br /&gt;- Que fo – a outra ia indagando e desistiu, vendo os olhos de Paula mirando Rétz meio ao longe, conversando com Rodrigo. – Ah, não, fala sério, vocês dois ainda tão brigados? De nem se falar?&lt;br /&gt;- Não, Fê, olha vai lá. Eu perdi a paciência com a bicha louca querendo ser estrela. Aprendi que é melhor nem chegar perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda mirou Rodrigo, demoradamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, né.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a olhou de volta, à distância. Vestia uma calça jeans velha e meio rasgada, tinha a barba grande demais, parecia meio maltratado, como se não tivesse tido tempo de se arrumar para ir a festa. Fez uma cara esdrúxula, de quem não sabe bem como agir, e foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele ainda gosta de você. – concluiu Paulinha.&lt;br /&gt;- Gosta nada.&lt;br /&gt;- Eu falei com ele. Ele queria saber de você e não sabia como perguntar.&lt;br /&gt;- E o que cê disse?&lt;br /&gt;- Que não sabia.&lt;br /&gt;- Hm. Mas, hã.&lt;br /&gt;- Não, ele não tá muito bem, não. Largou a faculdade, saiu de casa pra viver de um bico maluco num estúdio e acabou de voltar, e agora arrumou um trabalho quase escravo.&lt;br /&gt;- Sei.&lt;br /&gt;- Vai lá, a Lê tá chamando. A gente se vê depois. Diz isso pra ela, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto dito, virou-se pra trás e seguiu na direção para onde Luís tinha ido, e onde Luciana também estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Graças a Deus, Fê! – Rétz chupou um gole de caipirinha pelo canudo. – Aquela vadia saiu de perto de você! É contagioso!&lt;br /&gt;- Putaqueopariu, Rétz, eu simplesmente não consigo acreditar que cês dois continuam brigados! – retrucou Lê.&lt;br /&gt;- Até aí, eu ainda nem consigo acreditar que ele é gay. – finalizou Fernanda.&lt;br /&gt;- Porque é boba. Bichice tá no sangue, minha filha. Aliás, no genoma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letícia ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá vai ele.&lt;br /&gt;- Nasci bicha, vou morrer bicha, nunca duvide disso!&lt;br /&gt;- Beleza, beleza. – respondeu Fernanda, deu mais um gole na cerveja que apanhara enquanto se sentava. – Mas essa de cê e a Paulinha não se falarem, deixa isso de lado, isso já era, é passado.&lt;br /&gt;- Ó quem fala! – exclamou Letícia.&lt;br /&gt;- Que tem eu?!&lt;br /&gt;- Muito conveniente, você só voltar depois do Rodrigo sair, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rétz concordou com a cabeça, aproximou-se de seu ouvido antes de comentar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele ainda gosta de você, sabe.&lt;br /&gt;- Por que todo mundo fica dizendo isso?&lt;br /&gt;- Eu já tô me achando muito sozinha pra querer que você fique, menina. – respondeu Letícia, tornando a beber depois. Rétz afagou-lhe a cabeça.&lt;br /&gt;- Tadinha, crise de fim de namoro. Mas estamos todos sozinhos. Você, com seu namoro acabado, a Fê, que tem um, como é. O passado assombra ela, tipo volta pra persegui-la, uma coisa assim de efeito. E eu, que só sou querido pelos meus dotes sexuais, sem ninguém que me –&lt;br /&gt;- Putaqueopariu, Rétz! – Letícia o interrompeu, estapeando-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fê tentou xingar, por entre risos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, fala sério, vai tomar no cú!&lt;br /&gt;- Deus te ouça, querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos risos. Rétz ao final prosseguiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Enfim, minhas queridas. Está faltando álcool aqui, isto é uma festa. O álcool e os amigos são pra esquecer a solidão e não lembrar dela. Vamos brindar a isso de.&lt;br /&gt;- Um brinde ao álcool! – levantou-se Fernanda.&lt;br /&gt;- Não me interrompe, piranha! – berrou Rétz. – Como eu ia dizendo, aos velhos amigos!&lt;br /&gt;- Aos amigos! – repetiram os três, enquanto batiam as latas de cerveja umas nas outras, em torno da mesa circular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;_______________________________&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"continua"...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111359025122914394?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111359025122914394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111359025122914394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111359025122914394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111359025122914394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-terceiro.html' title='Os Oito Copos - Terceiro'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111351270569058730</id><published>2005-04-14T18:01:00.000-03:00</published><updated>2005-04-14T18:05:05.696-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Segundo</title><content type='html'>Rodrigo tinha esperado por ela na porta do prédio durante quase uma hora. Disse que sabia que ela se atrasaria, mas não se importava. Estava diferente, vestia uma camisa xadrez, mas agora com um ar de sério, por dentro da calça. Tinha deixado crescer o cavanhaque e cortado o cabelo até à altura do pescoço, repartido ao meio. Ela adorava aquilo, tinha tara por aquele visual.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;- Gostou? – ele perguntou, quando Fernanda comentou. O filho da puta sempre soube que ela preferia assim, desde a época do colégio. Quase lhe deu um soco; se ela gostou, ora é claro que gostou! Ele estava lindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Subiram no elevador comentando sobre a primeira vez que tinham vindo a uma festa naquele play, ele dizendo que sentia muita saudade daquele tempo – mas seu olhar deixava bem claro que, por “aquele tempo”, referia-se em grande parte somente a ela. Sorriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O play já estava cheio, e eles cumprimentaram, juntos, cada um dos seus antigos colegas de escola. Lê trouxera o namorado, um sujeito um pouco mais velho que estava com ela há mais de dois anos e terminava a faculdade de medicina. Ela pareceu espantada de ver que Fernanda vestia-se mais ou menos da mesma forma que há 6 anos antes, visto que ela mesma havia mudado totalmente de visual, de jeito, de tudo; não falaram muito, mas parecia feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Demoraram a reconhecer Rétz, sem o cabelo esdrúxulo e todos os antigos acessórios, conversando com Picles e o tal Pedro – muito curioso, já que, até onde Fernanda se lembrava, na escola eles tendiam a se esbofetear à primeira vista. Rétz lhe explicou que os três vinham se encontrando muito no foro de justiça estadual, ultimamente, e estavam discutindo a falta de segurança nos corredores do mesmo. Rodrigo concordou com as afirmações, e após acrescentar que o foro federal, que ele freqüentava mais, era o exemplo a ser seguido, perguntou-lhes se tinham visto a Paulinha ultimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Ah, eu tenho visto ela, sim. – respondeu Rétz, sorrindo, mostrando a aliança no anular esquerdo. – Ficou em casa cuidando da Vivica, tadinha. Tava morta de sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Vivica era a filhinha de 3 meses deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Os dois escapuliram um pouco da agitação, foram até a beira da piscina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Não é esquisito? – perguntou Rodrigo.&lt;br /&gt;            - O quê?&lt;br /&gt;            - Não é, quer dizer, você não sente, não é? Isso, assim, nós, aqui, esse tempo todo depois, em frente à mesma piscina. Parece que nada mudou.&lt;br /&gt;            - Parece.&lt;br /&gt;            - Uma festa na casa da Lú. A gente sozinho aqui. Igualzinho à primeira vez que a gente ficou.&lt;br /&gt;            - A gente veio aqui depois que o Rétz e o Picles brigaram.&lt;br /&gt;            - É.&lt;br /&gt;            - E começamos a jogar o jogo do dedão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ela lhe estendeu a mão, e ele, sorrindo, segurou-a, e começaram a jogar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Aí eu te ganhei, como sempre. – disse ele, enquanto pressionava o dedo dela sob o seu.&lt;br /&gt;            - Ai! Solta! Solta! – ela riu de volta, torceu o braço em vão para tentar se libertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele pegou em sua mão e a olhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Aí eu te beijei.&lt;br /&gt;            - É, nem disse nada antes.&lt;br /&gt;            - A gente nunca precisou dizer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele aproximou o rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Precisou, sim. – ela o interrompeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele a beijou assim mesmo, e ela não encontrou em si vontade para resistir. Voltou a falar, quando seus lábios se soltaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Precisou. – ele se aproximou de novo, ela desviou o rosto – Não, Rodrigo, não. Não vou passar por isso de novo. Ninguém merece essa burrice.&lt;br /&gt;            - Você fala e continua aí, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ela demorou a perceber o sorriso que tinha se formado em seu próprio rosto, e ele aproveitou-se do instante de hesitação para beijá-la novamente. Fernanda não sabia mais como evitá-lo, como não achar que seu beijo, seus braços, fossem a única coisa boa no mundo, ao ponto em que parecia mesmo que eles estavam ficando pela primeira vez. Nada mudara, nada fora abandonado, nem esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele a puxou pelo braço, e seguiram rindo para a escadaria interna do prédio, exatamente como haviam feito 8 anos antes. Ele dizia, enquanto deslizava a mão por entre as pernas dela, que nunca havia conseguido esquecê-la, que as outras mulheres eram idiotas, que ele mesmo era um idiota. Ela nada respondeu, mas era porque não tinha coragem de dizer que sentia o mesmo. Ele beijou seu pescoço, subiu o rosto e, pouco antes de alcançar a boca, enquanto apalpava por dentro da blusa, declarou, como quem não consegue se impedir de dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Eu ainda te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O barulho de uma porta se fechando, possivelmente apenas um andar acima, impediu o sexo, afugentando-os de volta para a beira da piscina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Vamos sair daqui. – Rodrigo sussurrou, pouco depois de mordiscá-la na orelha, já fora da escadaria.&lt;br /&gt;             - Já saímos.&lt;br /&gt;            - Não, daqui. Do play, da festa.&lt;br /&gt;            - Não sei...&lt;br /&gt;            - Tô de carro.&lt;br /&gt;            - Rod, eu, assim. Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ela tinha consciência da falsidade de suas palavras; os atos, mais genuínos, geraram outro beijo. Ele se afastou na direção do elevador:&lt;br /&gt;            - Me encontra no térreo? Daqui a uns 10 minutos?&lt;br /&gt;            - ... tá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Não achara outra palavra em sua boca, nem vislumbrava para si mesma futuro próximo que não envolvesse ela, Rodrigo, uma cama e nenhuma roupa. Teve um momento de sinceridade interna, enquanto rumava de volta para o salão de festas: aquilo era mais, melhor do que teria imaginado em qualquer um de seus sonhos. E ela sempre soube que não o esquecera, e que ainda sentia algo por ele, mas... não imaginou que seria tanto, tão forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            No salão, o bloco dos nerds chegava em massa, cerca de 8 deles. Aparentemente, ainda se viam quase toda semana, mesmo depois de todos aqueles anos, e iam cumprimentar Luciana, que discotecava, e namorava um dos amigos deles. Vinham da mesa onde Alessandro, seu antigo professor de História, que ela jamais imaginaria estar presente, bebia uma lata de cerveja de costas para a parede, e se despedia de um homem sorridente, de rosto sardento, que saia por outra porta em direção ao elevador dos fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Professor Alessandro!&lt;br /&gt;            - Oi, Fernanda. – ele tentou, o melhor que pôde, sorrir, mas sua expressão cabisbaixa acabou por alterar-se pouco. Ela manteve o sorriso bobo, involuntário, que cismava em não abandoná-la.&lt;br /&gt;            - Meu Deus, eu não acredito, não a-cre-di-to! O que o senhor está fazendo aqui nesta festa?!&lt;br /&gt;            - Estou montando uma pirâmide de latas de cerveja vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Havia somente uma lata vazia na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Ah. – ela riu. – Que exemplo pra sua primeira turma de ex-alunos!&lt;br /&gt;            - Me ajuda aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele lhe estendeu a lata, que tinha apenas uns poucos goles sobrando; ela despejou o conteúdo garganta abaixo e depositou o recipiente vazio no pano azul da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Muito bom. Mas e aquele outro camarada lá, quem era?&lt;br /&gt;            - O irmão da Luciana, sabe? Ele foi um grande amigo meu, tempos atrás. Eu vinha muito aqui.&lt;br /&gt;            - Irmão? Qual, o Patrick? Não acredito! – ela parou e ajeitou as latas, enquanto ele fazia sinal para que o Mateus, ao longe, lhe trouxessem mais uma ao voltar. – Mas ele tem sua idade, né? E aposto que esse play não mudou nada desde a época em que você vinha.&lt;br /&gt;            - Mudou. Acho que tudo sempre muda, só eu continuo igual.&lt;br /&gt;            - Você acha mesmo? Quer dizer. Mesmo no meu caso. Quer dizer. Você sabe que eu. Não mudei muito, assim... como posso dizer...&lt;br /&gt;            - Lá dentro. – ele completou.&lt;br /&gt;            - É. Nem o Rod. E essas coisas, assim... elas nunca mudam, no fundo, né?&lt;br /&gt;            - Fernanda, até eu consigo dizer o que você quer me perguntar.&lt;br /&gt;            - Sei. Você me viu ficando com ele de novo. Todo mundo viu.&lt;br /&gt;            - Sim.&lt;br /&gt;            - E acha que as coisas podem ter mudado o suficiente pra dar certo dessa vez, se eu tentar de novo?&lt;br /&gt;            - Não.&lt;br /&gt;            - É, sei. Eu entendo. Fiquei o último mês inteiro pensando em como ia ser isso aqui, quando eu encontrasse ele de novo, fiquei sonhando que ele ia me dizer que ainda me ama, porque eu ainda amo ele, sabe? E fiquei sonhando que as coisas aconteceriam meio que igual à nossa primeira vez. E tudo isso aconteceu. Mas eu continuo tendo a sensação de que tem alguma coisa de muito errado, e não consigo enxergar o que é.           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não veria nem que estivesse do seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"continua"...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111351270569058730?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111351270569058730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111351270569058730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111351270569058730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111351270569058730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-segundo.html' title='Os Oito Copos - Segundo'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111343231008443263</id><published>2005-04-13T19:40:00.000-03:00</published><updated>2005-04-13T19:45:10.086-03:00</updated><title type='text'>Os Oito Copos - Primeiro</title><content type='html'>Fernanda deu uma última olhada no convite – era exagero dizer convite, visto tratar-se apenas de uma mensagem de e-mail impressa em folha A4 parcialmente cortada, metade dobrada e totalmente amassada – antes de botar os pés pra dentro do salão.&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;   “Bom pessoal, agora vai! O reencontro da turma foi adiado pela última vez, para o dia 18 agora, a partir das 21 hs. e só acaba qdo a gente se acabar! O local ainda é o play aki da minha casa, q pra quem num lembra...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Parou de ler: lembrava. Tinha a impressão de que os momentos que tivera lá, por mais anos que se passassem, jamais ficariam distantes, e, embora um ou dois detalhes da decoração ou dos arredores tivessem mudado, ainda era basicamente o mesmo salão de festas, o mesmo playground. Sentia que, mesmo dali a seis décadas, poderia descrever em detalhes o salão a seus netos, que era meio que parte do que ela entendia por “eu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O play em si era grande. Havia agora uma piscina, de cara pro elevador, espremida entre a parede e a quadra, que pelo visto ainda era imunda e pouco usada – provável conseqüência do hábito perpétuo de alguns moradores jogarem água e ovos na direção de quem o fazia. O chão era claro, meio bege, e a maior parte da área, coberta; o que era uma benção de dia, mas, no momento, só deixava tudo abafado, piorava o calor já absurdo e fazia Fernanda pensar no custo em suor de sua calça comprida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O salão era pequeno, escuro, moldado pelas paredes na forma de um “L”. Estava quase exatamente igual à festa de 15 anos da Lú: uma mesa em frente à entrada com salgadinhos, o equipamento de som na outra ponta, algumas mesas de plástico – com as mesmas toalhas de pano azuis – espalhadas entre uma coisa e outra, encostadas na parede. E quase ninguém presente, ainda; nem mesmo a própria Luciana, que organizara a festa, ou o Picles, que para o desespero de Fernanda, ia discotecar. No salão de festas apenas Alessandro, seu antigo professor de História, que ela jamais imaginaria estar presente, sentava-se em uma das cadeiras, de costas para a parede, e bebia uma lata de cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - E aí, fsor! – ela se aproximou, sorrindo. – Não sabia que cê vinha!&lt;br /&gt;            - Oi, Fernanda. – ele tentou, o melhor que pôde, sorrir, mas sua expressão cabisbaixa acabou por alterar-se pouco. Ela manteve-se animada o melhor que podia.&lt;br /&gt;            - Fazendo?&lt;br /&gt;            - Estou montando uma pirâmide de latas de cerveja vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Não havia nenhuma lata na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Pirâmide, é? – ela riu. – É um idealista!&lt;br /&gt;            - Me ajuda aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ele lhe estendeu a lata, que tinha apenas uns poucos goles sobrando; ela despejou o conteúdo garganta abaixo e depositou o recipiente vazio no pano azul da mesa. Alessandro fez uma expressão de satisfação, e depois, lançando um olhar ao redor do salão, comentou, numa puxada meio deslocada de assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - O irmão da Luciana? Sabe, ele foi um grande amigo meu, tempos atrás. Eu vinha muito aqui.&lt;br /&gt;            - Porra, jura? Que bizarro! Cadê ele, taí ainda?&lt;br /&gt;            - Mudou. Acho que tudo sempre muda, só eu continuo igual.&lt;br /&gt;            - Arrãaaam... E a Lú?&lt;br /&gt;            - Lá dentro.&lt;br /&gt;            - Ahn. É, bem. E o. Hã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Silêncio incômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Onde tem mais dessa cerveja, psor?&lt;br /&gt;            - Fernanda, até eu consigo dizer o que você quer me perguntar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Tá. É. Meio óbvio. Dã.&lt;br /&gt;            - Sim.&lt;br /&gt;            - Ele ainda não chegou, né?&lt;br /&gt;            - Não.&lt;br /&gt;            - Hm. Então, bem. E a cerveja? Eu acabei não trazendo a minha, sabe.&lt;br /&gt;            - Você não veria nem que estivesse do seu lado. – respondeu, e apontou para a porta ao lado da mesa, que sem dúvida levava à cozinha, onde haveria a geladeira.&lt;br /&gt;            - Valeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Foi apanhar a lata. Pensando bem, tinha se preocupado e criado expectativa à toa. Dificilmente algum de seus velhos amigos, Rétz, a Lê ou a Paulinha, viriam, e a Lú com certeza teria se transformado ainda mais numa páti mala, e ela só iria esbarrar num bando de playbas inúteis que ficariam estranhando seu traje de calça e suspensório e olhando torto. E Rodrigo não viria, também. E ela já estava se condicionando à idéia de que iria passar as próximas horas bebendo e jogando conversa fora com Alessandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Então ouviu uma voz familiar e deixou a cerveja cair no chão. Não esperava uma reação tão forte de si mesma, era como se seu coração ricocheteasse pelas costelas e o estômago tentasse se enrolar na pele da barriga. Não sabia se devia se alegrar ou morrer de medo, ir correndo pra lá e dizer que morria de saudade ou passar calmamente pela porta, não sabia nem se apanhava a cerveja do chão ou a deixava lá. Apanhou. Correu até a porta, mas deteve-se quando o viu.          &lt;br /&gt;Era o Rodrigo, sim.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;_____________________________&lt;/div&gt;"continua"...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111343231008443263?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111343231008443263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111343231008443263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111343231008443263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111343231008443263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/04/os-oito-copos-primeiro.html' title='Os Oito Copos - Primeiro'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111224568630759905</id><published>2005-03-31T01:35:00.000-03:00</published><updated>2005-03-31T02:08:06.306-03:00</updated><title type='text'>Condicionamento</title><content type='html'>É impressionante como o ser humano é uma coisa falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje deixei a chave da minha sala em casa e vim com a chave dos fundos de casa no bolso. Não sou um sujeito atrapalhado ou esquecido - ao menos não com chaves; toda minha vida, fiz isso uma vez. Contando com essa de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão de condicionamento, como dirigir o carro, escrever ou falar. O corpo vai se acostumando e você para de pensar e só age intuitivamente - é uma coisa tão eficaz que existem correntes filosóficas inteiras baseadas nisso; "união da mente e do corpo", "quando se deixa de pensar em um gesto, alcançou-se a perfeição do ato". O problema com a prática: o hábito desleal de matar a teoria. Troca-se um par de chaves e um postulado-chave do zen-budismo vai pro caralho, o esquecer volta a ser só esquecer e nada de perfeição, o confie em seus instintos, Luke, modificado para confie em seus instintos, mas com moderação, Luke. Na dúvida, mande a mira automática te dar um toque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou enfim, talvez a perfeição até exista, só não sei como ter certeza de alcançá-la. Daqui de minha limitada visão de mortal - particularmente a do mortal trancado do lado de fora de sua sala de trabalho, mais particularmente ainda do mortal também sem seus livros - cada gesto, por mais condicionado, treinado e preciso, vai ser sempre como um lance de moeda a la david hume: hoje cara, amanhã... vai saber. Pelo menos minha vida não costuma estar frequentemente sob alto risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra-me aquele caubói da piada. Você sabe, atira, assopra, atira, assopra, atira, assopra, assopra...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111224568630759905?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111224568630759905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111224568630759905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111224568630759905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111224568630759905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/03/condicionamento.html' title='Condicionamento'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111128532623297075</id><published>2005-03-19T20:52:00.000-03:00</published><updated>2005-03-19T23:22:06.240-03:00</updated><title type='text'>Shakuhachi</title><content type='html'>Katsuro afastou o par de folhas secas da face, com o maior esforço que já fizera para mover algo tão leve. Era um gesto absolutamente inútil, claro. Podia ouvir o farfalhar de dúzias e dúzias de outras folhas exatamente iguais a seu redor, sentir o vento soprando em seu rosto, pacientemente desfazendo o nó em seus cabelos, e tinha a impressão de que breve seu corpo inteiro estaria coberto por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sangue em sua mão esquerda já tinha gelado. E Inoue ainda estava lá, a seu lado, talvez sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hideaki-san? - indagou.&lt;br /&gt;- Sim. - a voz veio de sua direita, não muito acima do chão. Sentado, com certeza.&lt;br /&gt;- Porque você permanece aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melodia suave do shakuhachi foi sua única resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Katsuro buscou apoio ao seu redor, lembrando-se de que havia uma pedra não muito distante - provavelmente  o mesmo local onde agora Inoue sentava-se. Deixou que a música e a lembrança o guiassem à superfície sólida da rocha, que, pensava, se não lhe parecia tão fria, era apenas porque o calor já abandonava seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hidea - um pigarro ensanguentado o interrompeu momentaneamente - Hideaki-san.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hideaki-san. Como você consegue tocar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música parou, não subitamente, mas porque chegava já a seu final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não é monge. Nenhum ensinaria a você.&lt;br /&gt;- Palavras duras. - Inoue, afinal, respondeu.&lt;br /&gt;- Nenhum samurai ensinaria você. Nenhum ensinou. A sua postura. Não tem nenhum estilo. Você não tem nenhuma conduta, não segue, nada. Não fez uma saudação.&lt;br /&gt;- Poupe seu fôlego e medite, Morita.&lt;br /&gt;- Não. Não. Você vai me dizer. Como consegue, como pode.&lt;br /&gt;- Como pode o quê, Katsuro-kun?&lt;br /&gt;- Hideaki-san. Porque. Por que você permanece aqui?&lt;br /&gt;- Poupe seus últimos momentos do delírio, Katsuro-kun. Você não merece isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pôde segurar o riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mereço? Não mereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras não lhe acompanhavam o raciocínio, tinham o peso multiplicado pela dor. Katsuro queria dizer-lhe que, se merecer tivesse algo a ver com aquilo, era Inoue quem estaria deitado no chão naquele momento, morto e devidamente velado, sem sofrimento adicional. Katsuro não reservaria para ninguém aquilo pelo que passava agora. Ele era um guerreiro honrado, e tinha aprendido a respeitar seus inimigos. Ah, sim. Tinha aprendido muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicado a vida inteira, inteira, toda ela, ao Bushido. Treinava desde os 7 anos de idade. Estivera com os melhores mestres, enfrentara as mais duras provações a que eles o puseram. Uma vez, a pedido de Kagemura sensei, passara dois meses na floresta, sozinho e desarmado. Matou um tigre com uma katana de ossos que poliu sozinho. Subiu um monte de 50 metros com a mão esquerda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... amarrada. Depois de um dia inteiro sem comida e bebida. Você sabe o que é isso, Hideaki-san? Sabe qual é a sensação?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a procurar por oponentes valorosos, juntamente com Matsumoto. Foi logo depois de Sekigahara. Já tinham estado em muitas guerras, e em nenhuma encontraram oponentes realmente valiosos. Separaram-se. Eram 1 ano e 7 meses depois, já tendo Katsuro derrotado ao menos uma dúzia de valiosos duelistas em combate, alguns a mando de seu Tono, quando recebeu a notícia de que Matsumoto morrera pela espada de um andarilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hideaki-san. Você não é ronin. Não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inoue Hideaki. Filho de um criado dos Morita. Katsuro lembrava-se bem dele, com os cabelos longos e muito lisos desde pequeno, sempre sério. Brincara com ele, apesar de ser um tanto frustrante, já que ele não gostava de brincar de samurai. Lembrava-se de vê-lo, de dentro do dojo, Hideaki sempre deitado em cima de uma árvore, fitando o horizonte enquanto ele treinava 6, 7 horas por dia. Um dia, quando ambos tinham pouco mais de doze anos, Hideaki sumiu; não tinha ao menos um sobrenome nessa época. Podia-se apenas especular como ganhara um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Katsuro o rastreou, em parte porque queria mesmo vingar-se pelo amigo morto, mas também por curiosidade: afinal, que tipo de homem teria se tornado um vagabundo como Hideaki? Teria Matsumoto se descuidado? Teria ficado mais fraco com os anos - enquanto Katsuro se fortalecia? Na verdade, Matsumoto sempre fora mais fraco que ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrera com a perna cortada fora pela espada de Inoue, numa briga em uma estalagem. O dono disse a Katsuro onde encontrar o assassino e como identificá-lo, mas negou saber sua origem, estilo ou motivos. Contou que brigaram porque Matsumoto recusara-se a pedir desculpas após derrubar-lhe o saquê, mas não disse como se deu o duelo, nem porque fora permitido que seu amigo sangrasse pela perna até a morte. Agora já podia imaginar a cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcou com Inoue na estrada à beira da vila, e ele surgiu acompanhado da melodia do shakuhachi, em suas vestes negras e vermelhas, alvo, magro, o mesmo rosto sério. A aparência de um frouxo, mas Katsuro não subestimaria nunca um oponente. Trocaram poucas palavras, e Hideaki nada lhe respondeu ao ouvir sua intenção de matá-lo. Tampouco sacou a espada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não vi.&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;- Eu nem ao menos vi. Onze anos de Iaijutsu e eu nem vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cabelo solto de Inoue subindo-lhe por sobre o rosto fora a última coisa a passar por seus olhos, antes que a visão desaparecesse num borro escuro e levemente avermelhado. A dor alcançou-lhe apenas no segundo golpe, que não trespassou-lhe o ombro como era de se esperar, mas apenas cortou-lhe na altura do peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganmen Ate. Rápido demais. Saído sem nenhuma postura, um movimento até deselegante. Inoue segurava a bainha como quem carregava um graveto. Enquanto caía no chão, já sem condições de lutar, e compreendia que seus olhos haviam sido cortados por um primeiro ataque que ele não fora capaz de perceber, Katsuro entendeu também o quão melhor seu oponente era. Em uma luta onde as diferenças são menores, um descuido pode levar à vitória; mas no seu caso, somente um milagre poderia ter decidido em seu favor. Inoue tirara-lhe os olhos sem nenhum esforço. Deixara-o lá para sangrar até a morte porque quis, podia muito bem tê-lo matado antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho do criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é justo. A minha vida inteira. Como pode você. Tocar shakuhashi? Rápido demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hideaki parou de tocar, e declamou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"As folhas caem sempre no outono&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O homem não pode ver:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O tigre é que mata sua presa"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hai-kai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem... onde?&lt;br /&gt;- Eu. Agora.&lt;br /&gt;- Hideaki-san. Eu. Mate-me.&lt;br /&gt;- Já fiz isso.&lt;br /&gt;- Não. Não! Mate-me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tosse de sangue o interrompeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como você -&lt;br /&gt;- Achei no chão de um templo abandonado. Aprendi sozinho.&lt;br /&gt;- O quê? O shakuhachi? A espada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hideaki-san.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melodia voltou a tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque você permanece aqui?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111128532623297075?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111128532623297075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111128532623297075' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111128532623297075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111128532623297075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/03/shakuhachi.html' title='Shakuhachi'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111083738569261917</id><published>2005-03-14T18:02:00.000-03:00</published><updated>2005-03-14T18:56:25.693-03:00</updated><title type='text'>Apoga^Lênizô, Héktor...</title><content type='html'>Já ouvi muito que a quantidade de tempo que se aproveita é inversamente proporcional à quantidade de tempo de que se dispõe.  Longe de mim querer discutir a veracidade absoluta deste paradoxal axioma - ou suas terríveis implicações sobre a crescente expectativa de vida da raça humana - apenas observo que por diversas vezes ele simplesmente funciona. Tenho estado terrivelmente ocupado na última semana; mas é em momentos como este que a necessidade da escrita torna-se irresistível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aluno, um bom aluno, chegou-se pra mim outro dia lamentando o mal resultado de uma prova, que se deveu a seu estado altamente tenso. Então perguntou-me como eu conseguia ficar calmo, como eu tinha conseguido toda aquela serenidade ao apresentar minha tese de doutorado (ele estivera assistindo na ocasião), e eu respondi sofrendo de um desses ímpetos de sinceridade: não consegui. Ele não entendendo, expliquei, não estava calmo, não estava sereno, estava explodindo por dentro, fazendo o melhor que podia para canalizar a tensão na forma de entusiasmo, ou uma oratória mais aguçada, ou o que quer que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhemos muita coisa na vida, mas ninguém escolhe ficar calmo. Não é uma escolha, e sim consequência do que se escolheu valorizar; como o medo é sempre aquele de se perder algo querido (eis aí a sabedoria popular, quem tem cú tem medo - quem ousa dizer que não valoriza o seu?). Em um momento importante, fica-se tenso, se algo te emociona, você vai ficar emocionado, se algo te enraivece, você vai ter raiva; as escolhas que o levarão a estas situações, e o que você faz com as emoções depois, são por sua conta. Mas o controle absoluto de si mesmo? estou pra ver ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi coisa assim que eu lhe disse. E percebi então que tinha mudado de opinião acerca de algo - o que torna-se, aliás, incomodamente mais frequente desde o XI cântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pelo menos agora já consegui me recuperar o bastante para acertar a pontuação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111083738569261917?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111083738569261917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111083738569261917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111083738569261917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111083738569261917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/03/apogalniz-hktor.html' title='Apoga^Lênizô, Héktor...'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-111040555440026205</id><published>2005-03-09T18:07:00.000-03:00</published><updated>2005-03-09T18:59:14.406-03:00</updated><title type='text'>Os Manuscritos II</title><content type='html'>Apresento agora mais alguns trechos traduzidos dos &lt;a href="http://pisandro.blogspot.com/2004/12/os-manuscritos.html"&gt;"Manuscritos da Lagoa Rodrigo de Freitas"&lt;/a&gt;, com algumas revelações surpreendentes sobre os rumos do cosmos e da vida na Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Então é a 5ª sub-espécie de réptil gigante que Eu faço esta rodada. É bônus multiplicador, então soma aí... quanto é 37 vezes 182?&lt;br /&gt;- 6734.&lt;br /&gt;- Isso, muito bom.&lt;br /&gt;- Cabou?&lt;br /&gt;- Espera, deixa eu ver, deixa eu ver. Hmmm não, acho que não tem mais nada. Cabei, sua vez.&lt;br /&gt;- Ótimo. Vou mover meu meteoro 3 casas e colidir ele no planeta.&lt;br /&gt;- ... Vai o quê, meu Filho?&lt;br /&gt;- Mover meu meteoro 3 casas e colidir ele no -&lt;br /&gt;- Não, não, não! Meteoros não movem mais 3 casas. Isso era nas rodadas de 250 milhões de anos!&lt;br /&gt;- E nas de meio bilhão e um bilhão também.&lt;br /&gt;- Sim! Mas, quer dizer, mas aí era diferente.&lt;br /&gt;- É? Como?&lt;br /&gt;- Bem, eles se moviam 3 casas com no mínimo 250 milhões de anos de lapso temporal, quer dizer, com certeza Você entende que, agora, com rodadas de 5 milhõezinhos só -&lt;br /&gt;- Olha só. O que eu entendo é o seguinte: movimento é por rodada. O que regula o movimento é a rodada, você disse isso quando moveu sua primeira galáxia!&lt;br /&gt;- Mas de 250 pra 5, é exceção!&lt;br /&gt;- Ah, é exceção? Como que é exceção, tá escrito em algum lugar, tem a regra escrita?&lt;br /&gt;- Tem! Tem!&lt;br /&gt;- Ah, é? Cadê? Mostra, então!&lt;br /&gt;- Não! Não, que é isso, Eu é.&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;- Eu vou demorar muito pra buscar.&lt;br /&gt;- Eu espero.&lt;br /&gt;- Não, que, que, Você. Assim... vai ter muito trabalho!&lt;br /&gt;- Num me incomodo, não.&lt;br /&gt;- Mas só por uma regrinha assim, não, não precisa, que bobagem.&lt;br /&gt;- Escuta aqui, meu Irmão. Assim não dá pra continuar, não. Você diz que tem uma porra duma exceção de regra escrita, eu acredito, mas se você não me mostrar nada, aí eu vou começar a achar que Você tá inventando regra. E se você inventou essa, pode ter inventado tudo. E se -&lt;br /&gt;- Na verdade, acabo de me lembrar.&lt;br /&gt;- Hm?&lt;br /&gt;- Essa exceção é pra cometas em rodadas abaixo de 100 milhões de anos só.&lt;br /&gt;- Ah. Tô sabendo.&lt;br /&gt;- Como era o cálculo de dano por área?&lt;br /&gt;- Sei lá... Chuta uns 7 milhões e meio por km por alto aí, não faz diferença, os bicho vão tudo morrer, mesmo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-111040555440026205?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/111040555440026205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=111040555440026205' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111040555440026205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/111040555440026205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/03/os-manuscritos-ii.html' title='Os Manuscritos II'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110962821623255567</id><published>2005-02-28T18:59:00.000-03:00</published><updated>2005-02-28T19:03:36.240-03:00</updated><title type='text'>Ethos</title><content type='html'>(OBS: Extraído do log de campanha de &lt;a href="http://www.haradrynn.blogspot.com"&gt;Haradrynn&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;____________________________&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;O 18º Dia do Mês da Fênix, do 998º ano da Terceira Era.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Percebendo nos rostos de seus companheiros que havia algo acerca do ocorrido na noite anterior que eles sabiam e não lhe contavam, Himme perguntou a Gaspar acerca disto. Este lhe respondeu com a &lt;a href="http://haradrynn.blogspot.com/2004/09/lua-escarlate.html"&gt;Canção da Lua Escarlate&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegando não ter conseguido compreendê-la, Himme pede a Gaspar que lhe explique do que ela trata. "Bem, meu caro orelhudo", principia ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Esta é mais uma daquelas histórias sérias e épicas, do que dizem que se passou na primeira era, quando o mundo era novo, os dragões andavam entre os homens, e a paz reinava entre os do primeiro povo - de quem os seus dizem descender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa Era teve muitos heróis, porque teve muitas guerras, mas houve um considerado o maior entre eles, chamado de Ethos. Ele era jovem, mas um bravo líder de homens, um desbravador de segredos ocultos da terra, e o maior espadachim de todos. Como seu coração era puro, e como amava muito a natureza e a liberdade, opondo-se muitas vezes aos atos do Império, foi desde cedo o favorito da Deusa, que o abençoou. Ela mostrou-se ao jovem, majestosa, numa caverna próxima ao topo da Rarododreth, o pico do relâmpago, e lhe disse que desejasse dela o que seu coração pedisse. 'Uma vida rica de aventuras', respondeu ele, e no dia seguinte partiu em jornada pelo mundo por muitos anos, conquistando fama e riqueza, e fazendo um grande amigo, o fora-da-lei e trapaceiro chamado Darlis (mata-dragões).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E assim, após regressar de sua volta ao mundo, Ethos voltou à caverna, e lá viu a Deusa novamente, e ela novamente lhe concedeu o que seu coração desejasse. 'O poder para unir os homens', ele respondeu, e após isso grandes grupos passaram a segui-lo por onde fosse, e todos lhe davam ouvidos e seguiam suas palavras. O Imperador, Liternoarnas, ou Nimrod, embora seguidor de Lothar, reconhecendo sua influência e valor, recebeu Ethos, e cedeu a várias de suas exigências.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas os olhos de Ethos fixaram-se na Lâmina Solar, a mais poderosa espada já forjada, que Nimrod levava na cintura, e só ele podia empunhar. Por isso retornou à caverna, econtrou-se com a Deusa, e pediu a ela para que conseguisse usar a Lâmina, ao que ela respondeu: 'isto nem precisavas me pedir.'&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pois agora, amigo do Imperador e conhecido por toda Heshna, Ethos julgava ter tudo que seu coração podia querer. Mas veio o dia fatídico em que chegou do Oeste Yeda, a mais bela das donzelas, de cabelos cor de fogo, que nos dias de hoje sobe aos céus pouco após escurecer na forma de estrelas, para visitar a côrte; no instante em que a viu Ethos perdeu-se de paixão e, correndo de volta à caverna, pediu à Deusa que lhe concedesse seu amor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;'Três vezes me pediste o que desejava teu coração, e três vezes o atendi; mas essa foi toda a benção que poderia dar a ti. A este desejo agora não atenderei.'&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;'Pois bem', retrucou o tolo Ethos, em sua pretensão. 'Eu mesmo a conquistarei, sozinho.' Mas isto estava fora de seu poder: eis que Yeda amava Darlis, seu amigo, e ele a amava, mais do que tudo no céu e na terra, mais até do que à Deusa. Percebendo isso, e que a donzela jamais seria sua, Ethos amaldiçoou aquela que só tinha querido seu bem; ele arremessou sua espada, herança da família, na morada da Deusa, e a atingiu causando uma ferida tão profunda, que o sangue manchou a Lua de vermelho. Por isso hoje a Lua da Deusa tem esta coloração escarlate; e diz-se que sua ferida até hoje não se curou e por vezes torna a sangrar, nos dias de lua cheia, fardo que todas as mulheres da terra dividem com ela.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Donde se pode dizer que és um pouco mulher, tu e tua ferida em forma de lua, meu caro Himme! Ora vamos, não se ofenda, é só uma brincadeirinha. Enfim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Deusa é bondosa, mas sua fúria é terrível, e nunca ela odiou alguém como odiou Ethos naquela hora. Ela jogou-lhe uma maldição, que as donzelas do Castelo de Petrius cantaram quando ele partiu para a guerra, e é esta que eu acabo de lhe cantar, embora provavelmente seja muito mais bela em seu idioma de origem. E diz a lenda que, de tempos em tempos, nasce outra vítima da maldição: fadado a ferir e matar aqueles que mais ama, a lutar e perder, portador da marca da Lua Escarlate.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não Himme, não acho que você devesse ficar feliz de ouvir isso."&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110962821623255567?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110962821623255567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110962821623255567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110962821623255567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110962821623255567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/02/ethos.html' title='Ethos'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110875779292273834</id><published>2005-02-18T16:20:00.000-02:00</published><updated>2005-02-18T18:16:32.930-02:00</updated><title type='text'>Canção II</title><content type='html'>&lt;em&gt;"you don't want a boyfriend&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;what you want is mr. spock&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; to come to your wasteland&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; and destroy the robot&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; something more than human&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; someone with blood that's cold and green&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt; you want something better &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;than me"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- &lt;/em&gt;Nerf Herder, &lt;em&gt;"Mr. Spock"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Diz alguma coisa, Fernanda, porquê você não diz nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faz assim comigo, eu não mereço isso. Você sabe que eu te adoro! Eu não paro de pensar em você, não consigo ficar longe, não consigo ficar sem falar com você! Não consigo, você tá me ouvindo, Fernanda, você tá aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava, e não conseguia acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe que eu te acho a mulher mais especial do mundo! Eu adoro tudo seu, seu jeito de falar, como você tá sempre rindo, suas músicas, as suas roupas, gosto até do jeito que você come batata frita! Caralho, Fernanda, eu. Me dá outra chance, não faz isso comigo, você sabe que eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ele não ia fazer isso, não assim, pelo telefone, choramingando desse jeito, não era possível; o Carlos era bobão mas já era um homem adulto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... eu te amo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, pelo amor de deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Carlos, não ama, não. -  ela respondeu, e desligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E unhas de quê? - Dolfo conseguiu perguntar, entre os risos. - "Meleca plastificada", é isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É, isso. - respondeu Fernanda. Ele voltou a rir, foi diminuindo enquanto seguiu falando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fico bobo com você, Dininha. Eu já ficava bobo desde a primeira música que te vi cantar, passei esse ano e meio todo que a gente vem tocando junto bobo, porque você, porra! Cê é engraçada pra caralho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ai, meu deus. - ela sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, fala sério, olha só essa letra! O cara construindo o monstro, aí casando com ele, as coisas que você colocou no monstro, caralho, é muito bom, quando você for cantar isso no palco vai ficar do caralho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A música não tá muito boa, ficou meio rockzinha melosa. Tenho que mudar o teclado, dar um jeito nos metais...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Culpa dessa merda de Nerf Herder que você anda ouvindo, mas deixa isso pro ensaio. Mas o que eu ia dizer, é que eu sempre fiquei me perguntando como você conseguia isso, ser sempre engrçada, eu ficava imaginando você sozinha pensando nas paradas e se matando de rir antes de sentar pra escrever. Mas aí naquele dia da loja, com o Fábio, aí eu entendi, e aí passei a te achar ainda mais sinistra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Entendeu, Dolfo, entendeu o quê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- De onde você tira suas idéias! Quer ver, aposto que isso aqui saiu de alguma coisa que o Carlos te disse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não! Quer dizer, um pouco, assim, indiretamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, tá bom, você acha que me engana!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Dolfo, não tô te enganando, menino!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você é muito boazinha pra admitir que fez uma música zoando teu ex! Hahahaha!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Dolfo, pára com isso, eu não tô zoando ele, tô falando sério!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Seríssimo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas estava. Ela não tinha feito aqueles versos pensando em Carlos; tinha feito como sempre fazia, zoando a única pessoa que sempre zoava:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela mesma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110875779292273834?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110875779292273834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110875779292273834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110875779292273834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110875779292273834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/02/cano-ii.html' title='Canção II'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110737761119791234</id><published>2005-02-02T18:41:00.000-02:00</published><updated>2005-02-02T18:53:31.196-02:00</updated><title type='text'>Inteiro</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Para ser grande, sê inteiro: nada          &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Teu exagera ou exclui. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sê todo em cada coisa. Põe quanto és          &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No mínimo que fazes."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Ricardo Reis (Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio ser no mínimo curioso que um homem que se dividiu em heterônimos coloque como conselho, mandamento até, a integridade. Não posso ver aí falta de atenção ou mesmo contradição, nem muito menos, como se costuma sugerir na maioria dos cursos secundários de literatura, apologia ao empenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nada Teu exagera ou exclui é q são elas, parece-me; a voz de alguém que julga ser mais proveitoso chamar seus demônios internos para um piquenique do que trancafiá-los junto aos dejetos do inconsciente. Mas mais que isso, talvez, Pessoa tenha sido um promotor da (pós?)moderna quebra de identidade em sua forma artística, onde o menor contém também o maior, uma coisa pode ser duas, princípio segundo o qual não há unidade indivisível mas, por sua vez, não há divisão que altere a essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a grandeza está, talvez, em entender que, por ser do todo, nenhuma das partes pode vê-lo - mas pode sempre sê-lo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110737761119791234?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110737761119791234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110737761119791234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110737761119791234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110737761119791234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/02/inteiro.html' title='Inteiro'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110693842708995841</id><published>2005-01-28T16:19:00.000-02:00</published><updated>2005-01-28T16:55:30.863-02:00</updated><title type='text'>Tira De Mim</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://www.villarevak.org/g_td/hv_3s.jpg" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"eu não acredito em tudo que eu mais quero&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mas vivo a sonhar com você a me beijar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e essa dor que sara faz viver e acordar pra mim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eu quero ver você dançar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;em cima de uma faca molhada de sangue &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;enfiada no meu coração"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mombojó, &lt;em&gt;"Faca"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a pedra é fria sob minhas costas nuas e já são mais de três da noite e o caçador já desceu no horizonte fugindo e agora a sétima estrela é visível nas garras do escorpião e o canto está começando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são três cantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela não me mostra o rosto mas eu sei que está sorrindo e eu ainda estou segurando a faca firme e ainda estou morrendo de medo mas não é um medo como os outros é como um medo do sucesso e não vou mesmo ficar vivo muito mais tempo não quero. ela soltou os cabelos. está me pedindo a faca e eu imediatamente lhe dou segurando na ponta e ela pega pelo cabo pesado encrustrado de jóias vermelhas que dizem ser a cor do meu coração que eu não posso mais suportar que continue assim batendo desse jeito e agora estão começando o segundo canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu a amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não posso mais suportar isso que continue assim batendo assim me enchendo desse sorriso estéril me tornando uma pessoa pior inútil sem rumo. ela está se despindo. eu fiquei ainda mais feliz quando o velho disse que eu estaria no altar quando a sétima estrela estivesse de novo nas garras do escorpião e aquilo me deixou perturbado mas quando soube que seria ela comigo eu não fiquei mais porque eu a amo e agora estão começando o terceiro canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quando terminar eu vou estar curado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu fico quase paralisado e digo a ela enfia a faca logo me mata me faz sentir dor deixa a dor me curar eu quero ver meu sangue quero morrer vendo meu sangue manchando a sua pele a sua boca me enfia a faca e me beija. ela enfia a faca e me beija. bate na faca com a mão. a dor é tão grande que eu não grito não consigo gritar e mesmo que tentasse ela me tapa a boca e me suga o ar e eu solto só um gemido fraco e ela diz eu te amo e eu quero responder também. e ela chora. e eu também devo estar chorando e é tudo tão triste e eu não sou mais estéril não sou mais inútil sou a morada da tragédia e da poesia eu digo a ela chora por tudo que é sagrado chora chora muito lamenta e sofre e agradece sempre quem te machuca e me dá a solidão me dá a tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tira de mim a alegria.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110693842708995841?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110693842708995841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110693842708995841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110693842708995841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110693842708995841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/tira-de-mim.html' title='Tira De Mim'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110693612334847589</id><published>2005-01-28T15:45:00.000-02:00</published><updated>2005-01-28T16:15:23.346-02:00</updated><title type='text'>Vates</title><content type='html'>Já foi dito, e há quem diria que eu mesmo fosse defensor ardoroso desta tese, que a arte nasce somente diretamente do sofrimento, da dor, da solidão; e o q questiono aqui é apenas o tal "diretamente" - pois q não são a felicidade, o prazer e o amor, senão a cura dos anteriores? mas tal discussão não terá mais espaço neste post. Admitamos q a arte nasce também da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em q resulta tal arte? Para o solitário sofrido, ela é de pouca valia, uma máscara de desejo para  a realidade da qual ele deseja se distanciar, mas raramente motivadora. Pelo feliz, ela tb nada demais faz: pessoas felizes têm a vida naturalmente repleta de poesia e podem, facilmente, criá-la, se acharem que precisam de mais, ou que sua felicidade deveria ser partilhada da melhor forma possível. Ela pode até torná-los ainda mais felizes, mas mesmo nesta função a arte nascida da dor a superará; não há motivo melhor para a felicidade do q perceber como se deixou a tristeza para trás, o quão longe ela ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para o solitário, o melhor remédio não é a ilusão da felicidade, que não passa de qquer forma de anestésico. Ele precisa de grandes doses de sofrimento compartilhado - a vacina não passa de uma forma levemente diferente da própria doença, a cicatrização vem da dor. O doente de tristeza precisa de álcool na ferida, da brasa cauterizante; a alegria o fará ainda mais triste, a arte estéril da felicidade pode pouco para além daquele que a criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro q há exceção, q há mediocridade e esterilidade na tristeza, e superação na alegria. Mas os melhores vates são quase todos uns fodidos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110693612334847589?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110693612334847589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110693612334847589' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110693612334847589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110693612334847589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/vates.html' title='Vates'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110677370192112050</id><published>2005-01-26T18:45:00.000-02:00</published><updated>2005-01-26T19:08:21.920-02:00</updated><title type='text'>Escolha</title><content type='html'>Vivemos a ascensão da geração shopping center; Toffler quebrou a cara: seu "prossumo" continua a anos-luz de distância, e do lado de cá permanecemos só consumindo, mesmo. a vida ainda é como um longo passeio por corredores entupidos de lojas onde adquirimos nossas identidades - roupas, músicas, livros e filmes favoritos, possivelmente em kits de tribos ou turmas, dentro das fileiras das quais por sua vez adquiriremos também nossos amigos e amantes. A vida é escolha, e a escolha, uma sucessão de fragmentos inconciliáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconciliável é precisamente a palavra. Vê, Angela? O que acontece com os fragmentos de tua vida? A escolha é como um trio de jovens apaixonados se matando pelo afeto de sua amada: ela mesma é que opõe e divide, separa, fragmenta. A escolha é a morte anunciada de toda possibilidade, de tudo que você também gosta mas não priorizou. O arbítrio é a suprema intolerância, a limitação humana, e sua maior ferramenta de criação: assassino e pai de todas as histórias. É risível, trágico, almejar a totalidade enquanto nos fragmentamos, buscar a tolerância enquanto rejeitamos; a contradição interna é a alma da existência - e por isso mesmo emocionante, verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O beco sem saída da escolha é a maior mentira dos propagandistas do arbítrio, é a letra miúda do contrato de compra assinado pelas almas inocentes rumo ao útero materno: não podemos escolher não escolher. A escolha é obrigatória, e a obrigação, a negação da escolha; lados da mesma moeda cuja existência vai mutuamente se anulando e magicamente regenerando logo após, mais um episódio em que o rabo da cobra tornará a crescer depois de mordido. O fardo do arbítrio é a raiz de toda a necessidade; a escolha, a mãe da injustiça.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110677370192112050?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110677370192112050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110677370192112050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110677370192112050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110677370192112050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/escolha.html' title='Escolha'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110662696686516933</id><published>2005-01-25T01:08:00.000-02:00</published><updated>2005-01-25T02:22:46.866-02:00</updated><title type='text'>A Cor De Seus Olhos - Angela</title><content type='html'>Cruzador espacial Merkabah. O futuro distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael é o bio-engenheiro chefe de pesquisa. Marcos é o capitão. Ivan é o psico-supervisor da tripulação. Angela é uma andróide data com chip emulador de emoção ativado. Seus olhos são prateados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan a analisa, como parte das investigações do funcionamento do chip; percebe que ela está se apaixonando por ele, mas, como corresponde o sentimento, não consegue afastar-se da função. Raphael percebe, faz queixa formal a Marcos; Ivan está prestes a ser preso por desacato quando os neo-sofistas atacam a nave. Angela se põe na frente de Ivan para protegê-lo, arremessando-o num módulo de fuga. Só ele escapa, amaldiçoando ter sido fraco, pensando que deveria ter sido ele a se jogar na frente dela, com a estranha sensação de que, em algum outro lugar e momento, foi ou viria a ser exatamente isso que ele faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A República, como Platão imaginou que seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael é um guardião. Marcos é um guardião. Ivan é um guardião. Angela é uma guardiã. Os olhos dela são da cor do mel. Na noite do ritual, quando os homens deitam-se com as mulheres designadas pelos conselheiros, Raphael é designado para Angela por ser considerado superior como aluno. Mas ela deita-se com Marcos. Ivan os delata. Angela é capturada e Ivan a executa no cativeiro, por vingança. Marcos condena o modo de vida da República e inicia uma rebelião. Mata Ivan, Raphael e os conselheiros. A República cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Encruzilhada das Dimensões. Uma raça de imortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael é o Sábio. Marcos é o Guerreiro. Ivan é o Adivinho. Angela é a Sacerdotisa. Os olhos dela têm cores diferentes entre si. Ela escolhe Raphael, mas entre os imortais, Sacerdotisas só podiam gerar filhos de Adivinhos. Angela e Raphael são exilados. Refugiam-se num plano distante e vêem Angela escolhendo Marcos e, de outra feita, Ivan; aquilo perturba o Sábio, guia das viagens planares. Sem a concentração, eles se perdem, e permanecem perdidos um do outro para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena comunidade  matriarcal de agricultores. O passado distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael é mestre dos tecelões. Marcos organiza a defesa da vila. Ivan consulta as estrelas para saber a época das colheitas. Angela é a chefe. Seus olhos são castanhos claros. Ela se dá o direito de escolher os três ao mesmo tempo, casa-se com todos. Deitam-se juntos, na mesma noite; não podem saber de quem é o filho. O ciúme, em 3 anos, leva Marcos a matar Raphael com a lança; Ivan a matar Marcos com um dardo envenenado; a tribo a executar Ivan numa grande pira; Angela a jogar-se de um penhasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se importa com a cor dos olhos dela. Ela se muda para a Inglaterra antes de ter de escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos dela são castanhos escuros. Ao ver a briga no meio da peça, ela berra dizendo que eles são todos iguais, e escolhe a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos dela têm a cor do breu. Na praça onde Angela morou quando criança havia uma árvore, na árvore havia uma jóia multi-facetada. A Jóia do Mundo de Kardios, companheiro de Ethos, artefato lendário, de alguma forma a mesma jóia; Angela vê tudo nela; vendo tudo, é tudo, e, sendo tudo, não escolhe nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há totalidade na escolha, nem escolha na totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há, na realidade, apenas uma Angela, apenas uma história, apenas uma escolha, apenas um dos três é seu amor. Sempre houve somente uma história. Sempre haverá somente uma. Somente uma cor para seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda não se sabe qual.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110662696686516933?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110662696686516933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110662696686516933' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110662696686516933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110662696686516933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/cor-de-seus-olhos-angela.html' title='A Cor De Seus Olhos - Angela'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110662229010725210</id><published>2005-01-25T01:04:00.000-02:00</published><updated>2005-01-25T01:04:50.106-02:00</updated><title type='text'>Aplausos</title><content type='html'>Essa é pra quem sabe do que estou falando. não acho que ninguém vá saber. e não vou contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou normalmente pessimista; na verdade, o verdadeiro pessimista o é porque até alegre é pessimista, até otimista é pessimista, fatalista, o fatalismo lhe é intrínseco. Eu não costumo gostar do rumo que os eventos seguem, talvez você diga, "porque és um babaca", mas sinceramente, acho q é simplesmente pq nunca sai como quero... mais provavelmente, ambas as coisas. pensando bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, não gosto, não sou obrigado a fingir q estou gostando, estou feliz; tenho ódio mortal de gente me dizendo "sai dessa, alegre-se". alegro-me quando quiser retardado, não quero alegria forçada e falsa, muito obrigado; não sorrio bobo com uma musiquinha, uma flor, uma comédia pastelão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem vez que é foda. Você olha pro q está acontecendo e tem essa distanciada, apesar de ser contigo você consegue distanciar, e mesmo que as coisas não estejam indo bem, seja lá o que estar indo bem queira dizer, mesmo assim não consegue evitar de pensar que, porra. é muito bom. é muito, a palavra é inadequada, eu sei; muito "bem-feito", todas as situações, a maneira como cada historinha pessoal vai se encaixando uma na outra, a maneira como tudo fica sempre na medida do dramático sem ser brega, ou até brega dependendo do gosto do freguês. numa hora dessas eu acabo sempre olhando pro alto, aplaudindo e dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Boa deus. Boa mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu não teria feito melhor."&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110662229010725210?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110662229010725210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110662229010725210' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110662229010725210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110662229010725210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/aplausos.html' title='Aplausos'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110659322376373853</id><published>2005-01-24T15:40:00.000-02:00</published><updated>2005-01-24T17:02:39.123-02:00</updated><title type='text'>A Cor de Seus Olhos - Axioma de Maria</title><content type='html'>Suíça. Entre Guerras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael veio para uma conferência acerca da mecânica quântica. Marcos é militar alemão de férias. Ivan é aluno de Carl Gustav Jung. Angela mora sozinha, toca piano no restaurante onde os três costumam jantar. Seus olhos são cinzentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael envia-lhe poesias escritas nos guardanapos, ao custo da caríssima caneta que recebera da organização do congresso e ostentara como símbolo de seu crescente prestígio como jovem pesquisador. Ela gosta das poesias e vem agradecê-lo pessoalmente; passam a ter longas conversas sobre música, poesia e arte moderna em passeios pelas praças de Geneva, mas ele teme, possivelmente com razão, que ela, embora agrade-se dele, não o corresponda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos a encontra sendo intimidada por alguns de seus compatriotas nacionais socialistas, e os rechaça usando da patente. Percebe então o quanto veio a se importar com ela, mesmo nunca tendo trocado palavras. Ela diz pouco ou quase nada, e ele se preocupa, pois imagina, possivelmente com razão, que ela esconda algo. Escolta-a até em casa e, aprendendo o endereço, passa a vigiá-lo de quando em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus medos não são infundados: os nazistas tentam invadir e vandalizar o apartamento de Angela, vindo Marcos a intervir e frustrá-los novamente. Agora ele lhe pede explicações, e ela diz que a perseguem por ser alemã e judia, refugiada. Marcos, é um entusiasta de sua pátria; ao ouvir isto, dá-lhe as costas e vai embora, como se agora considerasse os vândalos justificados em sua atitude. Ela cai na cama e chora, percebendo que também se importa com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan observara tudo, à distância: Angela e Raphael, os vândalos, Angela e Marcos. A sensação de que tudo aquilo era, de alguma forma, uma repetição, o assombra; as teses de seu professor encaixam-se feito luva na realidade. Arquétipos humanos dentro dos quais a experiência é assimilada. Símbolos quase universais de personalidades, situações que no fundo são sempre as mesmas. O masculino rejeitando mas, também, desesperadamente buscando o feminino - Maria, o 4º pilar de Deus. Fogo, Terra, Ar e Água; e quem era qual? Quem tinha sido qual, em cada momento, e quantas vezes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele aborda Angela em um beco escuro, quase a mata de susto. Tenta explicar-lhe tudo que pensa, mas sua linguagem é, como sempre, cifrada, só sabe falar sem falar, a ação direta está além de seu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você tem que fazer alguma coisa", é o melhor que ele consegue lhe dizer, antes que ela se afaste como quem escapa de um pedinte, "tem que fazer parar, tem que impedir de acontecer de novo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos volta para a casa um dia para encontrar o apartamento de seu tio, onde passava as férias, destruído. Amaldiçoa a vaca judia que lhe valera tanto tormento, mas suas palavras soam vazias. Ele corre para o apartamento de Angela e a encontra retornando de um passeio com Raphael. No momento em que Marcos, sem nem trocar uma palavra, está prestes a esmurrar o rosto do físico, Ivan surge do nada e intervém. A essa altura já está enlouquecido, balbuciando fórmulas astrológicas e cabalísticas incessantemente; Angela parece entender parte do que ele diz, põe-se a proteger ambos de Marcos, que agora ameaça agredi-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela insulta-o e o ameaça. Ele a ama e a odeia; não consegue aceitar que o destino de uma das porcas de Davi lhe importe tanto, não consegue negar o que lhe foi ensinado. Raphael percebe e entende o que eles sentem entre si e, no instante antes dele tentar falar, os nazistas surgem, armados, com juras de vingança. Raphael põe-se na frente de Angela e recebe as balas, dando tempo a Marcos de revidá-las, eliminando seus algozes. Ela chora sobre o corpo de Raphael, mas ele morre vendo em seus olhos cinzentos que ela escolhera o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos a abraça até quase machucá-la, a todo tempo perguntando se algo tinha lhe ocorrido. Beijam-se. Ele já esqueceu o exército, já esqueceu sua devoção à pátria; Angela agora é sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan caminha calmamente até a residência de Carl Jung e tenta assassiná-lo, como quem culpa uma luneta pela queda de um cometa. A pedido do médico, preocupado com seu aluno, o caso não é registrado, mas Ivan é enviado para uma casa de saúde, aonde, frequentemente, dizia a seus médicos e companheiros de tratamento a única coisa que Angela havia entendido naquele dia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O nome de Deus tem 3 letras que se tornam 4."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110659322376373853?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110659322376373853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110659322376373853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110659322376373853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110659322376373853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/cor-de-seus-olhos-axioma-de-maria.html' title='A Cor de Seus Olhos - Axioma de Maria'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110635759907170016</id><published>2005-01-21T21:06:00.000-02:00</published><updated>2005-01-21T23:33:19.070-02:00</updated><title type='text'>A Cor De Seus Olhos - Bodas de Canaã</title><content type='html'>Baixa Idade Média. Uma Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angela, órfã de camponeses vítimas da peste, é acolhida lá. Raphael é o mais jovem padre local, com os votos recém-feitos. Ivan é estrangeiro, veio do leste, uma mistura de bruxo, vidente e vendedor de bugingangas na vila mais próxima. Marcos retorna das cruzadas, a caminho de receber o título de Barão de El Ferrol, na costa oeste da Galícia. Os olhos dela são azuis claros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael passara muitos dias de sua vida tentando, em vão, converter Ivan à sua fé, pois julgava que ele era no fundo um bom homem, e que podia levar uma vida moralmente correta e gratificante, longe dos afazeres do demônio. Ivan, que normalmente falava pouco, sempre sorria-lhe de volta seu meio sorriso e retrucava com citações de algum evangelho apócrifo, mestres gnósticos ou ensinamentos da igreja ortodoxa. Aquilo durara até que Ivan lhe perguntasse, sem nada que aparentemente o levasse a fazê-lo, de quem tinham sido as bodas de Canaã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E que importa isso?", retrucou Raphael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Importa", respondeu-lhe Ivan, "porque foram as bodas de Jesus e Madalena. Ou pensas que é por acaso que João diz ser ela quem mais chorava, e a quem Cristo mostrou-se primeiro?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como podes pensar que Cristo casaria-se com uma prostituta?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E o que te faz pensar que ela era uma?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi enquanto discutiam esta hipótese que Raphael e Ivan avistaram Angela pela primeira vez, enquanto o Coroinha a trazia para a Igreja, inconsciente, e pela primeira vez o jovem padre vacilou em sua fé; nunca sentira emoção tão forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan trama para conquistá-la. Em uma noite chuvosa, usa um feitiço que aprendera com os galeses para tornar fraca sua vontade e imbuí-la de desejos. Ela surge na madrugada pelos corredores dos fundos da igreja berrando e rasgando suas vestimentas, enquanto corre para fora, na direção da cabana de Ivan. Raphael, percebendo que ela não é dona de sua vontade, a detêm e exorciza, quebrando o feitiço; ela cai desmaiada em seus braços, e no instante em que abre os olhos, pouco depois, passa a corresponder os sentimentos dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela lhe oferece sua gratidão eterna por ter sido salva da perdição e, mais tarde, por meio de uma carta, oferece-lhe também o seu amor, ainda que ele nunca viesse a consumar-se. Ele recusa-a sempre, mas, no fundo, vacila - afinal, porque devia ele, um mero pecador, ser casto, se nem o filho do Homem o havia sido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos está de passagem pela cidade, e vendo a moça durante a missa, mesmo prestes a casar-se, passa a desejá-la mais que qualquer outra coisa. Aborda-a, oferece-lhe até um lugar na corte, próxima a ele, mas ela o recusa, escolheu Raphael, tem apenas espaço para ele. Marcos tenta violá-la, ali mesmo, nos fundos da igreja; Raphael aparece e intervém. Marcos é poderoso e influente, mas não se arrisca a enfrentar o clero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angela decide que, se não pode passar a vida com Raphael, prefere então dedicar-se a Deus, como ele; viajará para um convento para tornar-se freira. Ivan vê nisso oportunidade de uma aliança. Ele aborda Marcos, e o convence a usar mercenários para capturar a moça quando ela se dirigisse ao convento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na véspera da viagem de Angela, porém, Raphael a encontra, às escondidas, quebra seu voto e deita-se com ela. Também escondido, acompanha-a na carroça que a leva para o convento, sem saber dizer o porquê. Os homens contratados por Marcos cercam-nos ao amanhecer, matam o cocheiro e, estando prestes a violentar Angela, desobedecendo seu contratante, são detidos por Raphael, mesmo desarmado, que dá a ela chance de fugir. Ele não tenta acompanhá-la: põe-se na frente de diversos golpes de espada, cai ferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre feliz, pensando em Cristo, seu senhor, e na cor dos olhos da noiva de Canaã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110635759907170016?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110635759907170016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110635759907170016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110635759907170016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110635759907170016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/cor-de-seus-olhos-bodas-de-cana.html' title='A Cor De Seus Olhos - Bodas de Canaã'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110607686706542386</id><published>2005-01-18T17:22:00.000-02:00</published><updated>2005-01-18T17:34:27.066-02:00</updated><title type='text'>Dependência</title><content type='html'>Da próxima vez em que o camarada leitor se pegar pensando coisas na linha de "não tem problema pegar uma prova final", "vou sem estudar mesmo", faça um favor e pense duas vezes. Se vir alguém com essa atitude, dê-lhe um esporro: professor é gente e deveria ter direito a um tempo de postagem mínimo, como aliás todo mundo; o blogger deve ser institucionalizado. Escrita causa dependência, a escrita pública é pior, e eu estou com síndrome de abstinência, em uns anos vai ser quase como respirar ou falar sozinho. E qdo vc fala sozinho ninguém responde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso a pior coisa é o feedback. O feedback prum solitário é pior q heroína, mesmo pouco. dê-me uns meses e eu talvez até precise sair de casa; talvez saia por aí mostrando uma prosa qquer e berrando "vamos, digam o q acham disso, digam pelo amor de deus! digam q gostam do q eu fiz, ou q não gostam, digam alguma coisa, falem comigo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não quero ser negado!"&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110607686706542386?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110607686706542386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110607686706542386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110607686706542386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110607686706542386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/dependncia.html' title='Dependência'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110575110496347249</id><published>2005-01-14T22:44:00.000-02:00</published><updated>2005-01-14T23:05:04.963-02:00</updated><title type='text'>A Cor De Seus Olhos - Lua Escarlate</title><content type='html'>A Era dos Heróis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos é Ethos, Ivan é Darlis, Raphael é Kardios, Angela é Yeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ethos é abençoado pela Deusa, espadachim valente. Darlis, seu grande amigo, um trapaceiro, trambiqueiro e falsário, que abusa da falsa fama de seu nome (cujo significado é "Mata-Dragões") para sobreviver. De Kardios sabe-se muito pouco, mas sabe como ninguém contar uma boa história. Yeda veio do oeste, da Terra dos Dragões, onde lhe ensinaram a fazer coisas fantásticas, como flutuar ou conjurar uma tempestade; seus olhos são como esmeraldas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yeda escolhe Darlis. Ethos amaldiçoa a Deusa, que lhe negou sua amada, e arremessa a espada da família sobre a Lua, onde ela morava, ferindo-a; o sangue divino pinta o astro de vermelho. É o sinal de todas as profecias de desgraça, que começam a se concretizar, precipitando o fim de uma Era. Os dragões vêm do oeste para destruir os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ethos lidera os 12 heróis, portadores dos artefatos lendários - inclusive ele mesmo, que, segundo a profecia, seria o segundo dos 3 únicos mortais dignos de portar a Lâmina Solar, a mais poderosa espada já feita; Darlis, Kardios e Yeda - contra os monstros. Têm vitória após vitória, e ele decide partir para o oeste e enfrentar o perigo em sua origem; de todos os heróis, apenas seus 3 amigos o seguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em batalha contra um Rei-Dragão, Darlis cai. Yeda acusa Ethos de não ajudá-lo quando pôde, e desesperada pela perda do amado, insulta e ameaça o guerreiro. Ele a ama e a odeia, mais que tudo na vida; odeia por não ser sua e por ela agora odiá-lo. O amor e o ódio transbordam na forma de fúria; ele berra aquilo que seus inimigos, os dragões, um dia lhe disseram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não serei negado!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E perfura o estômago de Yeda com a lendária Lâmina Solar, só percebendo o que fazia quando o corpo dela caiu inerte em sua direção. Incapaz de viver com o que fez, ele se atira de um penhasco rumo à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kardios retorna para contar a história. E dizem que até hoje, por vezes, nascem herdeiros do espírito de Ethos, que sofrem a mesma maldição, fadados a serem rejeitados e ferirem aqueles que mais amam; carregando desde nascidos a marca da Lua Escarlate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110575110496347249?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110575110496347249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110575110496347249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110575110496347249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110575110496347249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/cor-de-seus-olhos-lua-escarlate.html' title='A Cor De Seus Olhos - Lua Escarlate'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110550390554260776</id><published>2005-01-12T01:08:00.000-02:00</published><updated>2005-01-12T04:01:04.820-02:00</updated><title type='text'>A Cor De Seus Olhos</title><content type='html'>Distribuição em sala de aula, 6ª Série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael senta-se na frente. Tem o rosto fino, os cabelos castanho-claros, cacheados, olhos idem, óculos de aro vermelho. Presta atenção na aula, lê e escreve sobre coisas diversas enquanto o faz. Tem por hábito testar os professores com pegadinhas práticas. Joga RPG, lê Homem-Aranha; teve até hoje somente dois colegas a quem chamou também de amigos, mas tem certeza de que mereceram ser chamados assim. Guardou durante o último semestre inteiro todas as bolas de papel jogadas sobre si, e chegou a pensar em apresentá-las à coordenação como evidência, mas mudou de idéia e, no último dia de aula, levou-as todas num único saco plástico e arremessou-as de uma vez nos garotos de trás. Interessou-se por apenas uma única garota em sua curta existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos fica atrás, no centro, quase no meio, caindo para os lados e até mais para a frente conforme o dia. É grande para sua idade, bem constituído, tem o rosto quadrado, os olhos claros e os cabelos longos, loiros. Chama a algumas dezenas de moleques de sua idade de amigos e, no momento, a três meninas de namorada, sem que nenhuma delas realmente lhe interesse. Vai ao banheiro uma vez por tempo de aula, levando o máximo de tempo possível cada vez que o faz, parando para conversar com todos que encontra pelo caminho; e todos, frequentemente, ficam felizes por conversarem de volta. Anda para a escola sozinho e, muitas vezes, vai à praia em vez do colégio, arrastando quem quer consiga no processo. Nunca passou de ano sem recuperação. Enfurecido com alguma coisa que lhe disseram, quebrou dois dentes de um menino, e foi suspenso por 3 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan fica atrás, no canto. Sempre o mesmo canto. Assiste à aula com as costas para a parede esquerda, braço sobre o joelho direito, e a perna dobrada. Os cabelos são lisos, negros, descendo até os olhos também negros, rosto redondo, meio pálido. Abre um meio sorriso torto para a esquerda ao invés de rir. Tira notas medíocres. Nenhum professor o reconheceria na rua, mas todos os alunos o fariam. Fala pelos cotovelos se interpelado, mas nunca chamou ninguém de amigo. Se tem, teve, e mesmo que venha a ter, interesse em qualquer menina, de qualquer idade, ninguém saberá sem que ele mesmo o diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angela muda de lugar o tempo todo, está claramente deslocada na sala; fala com todos, não se liga a ninguém. A cor de seus olhos ninguém guarda direito, e isto não parece importar. Tem o rosto redondo, a pele branca avermelhada e os cabelos da cor do fogo, anos e anos a fio cultivados; pensa em cortá-los num ato de proposital rebeldia prá-adolescente, mas não sabe ir ao salão sozinha. Seu toque é gelado. Todos a quem uma vez chamou de amigos ficaram na escola anterior. Sorri pouco, mas de forma genuína. Aparenta a mais absoluta convicção, mas está, ou é, terrivelmente dividida. Interessou-se, interessa-se ou se interessará, por 3 meninos de sua idade. Em dado momento serão homens mas, por hora, meninos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael escreve-lhe bilhetes recheados de versos românticos, seus e de outros; não é brilhante mas,sem dúvida, comovente. Dscrevia cada gesto, cada pequena coisa que Angela fazia, cada detalhe de seu rosto, e sua voz, e explicava-lhe como ela fazia cada dia de sua vida mais feliz. Ainda cora e treme quando ela se aproxima, mas faz tempo que conversam durante as aulas, quando ficam para as atividades extra-curriculares à tarde, e por meio de bilhetes, torpedos e e-mails a qualquer tempo. Poucos dias atrás, ele inspirou forte, tomou a mão dela e declarou amá-la, no meio da rua, sem avisar. Ela não sabe porque regiu a isto beijando-o, mas sabe ter sido a primeira a fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos abandonou outra para aproximar-se dela em uma festa americana. Angela acha-o lindo, uma graça. Ele a faz rir descontroladamente. Leva-a à praia, à lanchonete, festas, passeia com ela pelo recreio e a apresenta a dúzias de pessoas diferentes, conhece todos, conversa com todos, inclusive seus amigos do velho colégio. Ele a faz esquecer de seus problemas, deixa-a alegre, leve. Sabe fazer-lhe cócegas, e passar a mão pela sua cintura, segurá-la firme e surpreendê-la com um beijo antes que ela perceba ou tenha tempo de impedir - até porque, ela não impediria, e adora quando ele faz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan apareceu um dia, dentro do elevador do prédio dela, como se tivesse estado lá dentro esperando desde sempre. Nos dias subsequentes, surgiu em lugares diferentes da mesma maneira. Desperta-a de seu sono para passeios na madrugada e a leva a lugares proibidos; armazéns abandonados, rochas à beira-mar, bares e praças onde gente mais velha se reunia. Ele era até respeitado nestes lugares, e não os temia, parecendo adivinhar exatamente quando e como ela teme. Aliás, parece adivinhá-la sempre: sabe aonde ela quer ir, sabe quando e o quê quer beber, quando tem frio, quando quer voltar pra casa. Beijaram-se 3 vezes; todas elas, ele sorriu como quem já sabia de ante-mão, apontou algo atrás dela, e desapareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não sabe até quando pode esconder um do outro, e não liga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2° Grau. Angela acaba de mudar de escola e entra para o teatro. Ivan é vocalista de uma banda. Raphael ajudou a escrever a peça que será apresentada no fim do ano. Marcos não fazia nada. Ela tem os olhos castanhos escuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda de Ivan faz a trilha da peça. Marcos aparece um dia no ensaio, por curiosidade; não há atores disponíveis e o diretor pede pra que suba ao palco para ajudar Angela com uma cena romântica. Gosta do resultado e o escala. Raphael e Ivan mordem-se de raiva e ciúme; o último escrevera boa parte da cena como uma declaração secreta para ela. Ivan sabota o texto de Marcos. No dia do ensaio geral, este erra as falas, sai-se mal, Raphael aproveita a deixa para humilhá-lo em público; Marcos quebra-lhe dois dentes. Ivan ri seu meio sorriso. Angela não consegue escolher um lado, não se conforma em ter de escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raphael, Marcos e Ivan racham um apartamento. O primeiro cursa física, o segundo, direito, o terceiro, psicologia. Angela volta ao Rio depois de viver 12 anos nos EUA, após a morte súbita e inexplicada do pai. Faz jornalismo. Seus olhos têm a cor do breu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela conhece Marcos na praia, Raphael numa convenção, Ivan numa festa. Tudo começa a se complicar de maneira terrível. Os três a amam sem saber um do outro, mas ela sabe e não consegue revelar. Um deles estuda feitiçaria de noite, escondendo o fato até de si mesmo, através de uma outra personalidade; sem saber, também foi possuído por um espírito ancestral. Angela é seguida por um homem pálido de cavanhaque; acaba por raptá-la. Seu guardião no cativeiro, chamado Eduardo, alega que ela é a herdeira do poder divino, sem esclarecer o que quer dizer com isso, ajudando-a a escapar em seguida; seu mestre não atende por nomes, tem os olhos vermelhos, e Angela prefere não pensar no que ele faria com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três amigos descobrem, ao mesmo tempo, que todos conheciam e amavam Angela. Agora as coisas estão dando fantasticamente errado. Um mal ancestral desperta. As estrelas desaparecem. Uma entidade de escuridão, profeta, diz que um dos três é o escolhido, o herói da história, o mago, o salvador do mundo: aquele que ela escolher, seu futuro esposo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela não consegue escolher. Sabe que tudo depende dela escolher, mas sabe que, se o fizer, pode ser que tudo dê ainda mais errado, se é que isso seria possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Continua"...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110550390554260776?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110550390554260776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110550390554260776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110550390554260776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110550390554260776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/cor-de-seus-olhos.html' title='A Cor De Seus Olhos'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110516577042827357</id><published>2005-01-08T03:06:00.000-02:00</published><updated>2005-01-08T04:29:30.426-02:00</updated><title type='text'>Os Três Cegos E O Elefante</title><content type='html'>Você deve conhecer a história dos 3 cegos e o elefante. Bem, resolvi apresentar minha própria versão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia 3 cegos vivendo num lugar deserto e ermo. Certo dia, quando estavam quase falecendo de fome e sede, conseguiram sobreviver seguindo o barulho de um elefante, que os levou até um riacho e à comida. Convencidos de que era um sinal divino, decidiram reverenciar o elefante. Para isso, aproximaram-se e tocaram-no.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 1º cego, tateando a pata, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O elefante é como uma árvore!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 2º, tateando a tromba, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O elefante é como uma cobra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o 3°, tateando a bunda, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O elefante é... é... como uma grande bunda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, convencidos de que o animal era um sinal dos céus, os cegos pautaram suas crenças e costumes segundo a impressão que dele tinham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 1°tornou-se um amante da natureza, especialmente das plantas e árvores. Agricultor, vegetariano, acreditava que a vida é cíclica como a colheita, e que a aceitação da dor e da morte é apenas o caminho para outra vida; assim, era também um pacifista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 2° era um caçador, treinado (o tanto quanto um cedo pode se treinar) nas armas. Possuía um totem-cobra, que ele cria ser seu espírito-guardião, um enviado menor do grande Elefante. Acreditava que a morte seria recompensada com um paraíso pós-vida para aqueles que seguissem seu deus e morressem lutando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o 3°... bem, o 3° tinha fetiches muito, muito peculiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais, dia menos, acabaram se estranhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você! - acusou o 1° - Conspurcador da vida! Pára teus gestos assassinos e confronta a ira da natureza!&lt;br /&gt;- Seu tolo cego (sic)! - respondeu o 2° - Você é que não compreende que a lei da natureza é a lei do mais forte!&lt;br /&gt;- Corrige teus caminhos perante a Árvore!&lt;br /&gt;- Árvore!? HA! A Grande Cobra é que me protege!&lt;br /&gt;- A Árvore é que é mais forte!&lt;br /&gt;- Nunca! É a Cobra!&lt;br /&gt;- Árvore!&lt;br /&gt;- Cobra!&lt;br /&gt;- Árvore!&lt;br /&gt;- Cobra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Putaqueopariu que fedor é esse?!?!&lt;br /&gt;- A Grande Bunda nos abençoou!&lt;br /&gt;- AAAARGH que nojento!!&lt;br /&gt;- Seguirei o seu exemplo, ó Sábia Bunda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Som de peido fedorento do 3° cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caaralho, para com isso seu filho da puta nojento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai! Idiota, não fui eu quem peidou, foi ele!&lt;br /&gt;- Acha que me engana, hein, sua bicha fedorenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro soco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, mas não vou aceitar isso de um hippie cretino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo soco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso doeu seu desgraçado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára, porra, pára! Não sou eu que você quer acertar, eu sou o cara da bunda!&lt;br /&gt;- É? Pensei que eu fosse o cara da bunda.&lt;br /&gt;- Shhhh!&lt;br /&gt;- Foda-se, bato em todo mundo! Cadê vocês?&lt;br /&gt;- Irmãos! IRMÃOS!&lt;br /&gt;- Bate o caralho!&lt;br /&gt;- Parem, não vêem que é errado lutarmos entre nós?&lt;br /&gt;- Ele começou!&lt;br /&gt;- Não importa quem começou! Importa a causa, o motivo que nos levou a esta luta fútil, claramente o único culpado de tudo isso!&lt;br /&gt;- Quem...?&lt;br /&gt;- O elefante, lógico!&lt;br /&gt;- Morte ao elefante!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que o elefante os esmagou a todos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110516577042827357?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110516577042827357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110516577042827357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110516577042827357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110516577042827357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/os-trs-cegos-e-o-elefante.html' title='Os Três Cegos E O Elefante'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110516069999570021</id><published>2005-01-08T02:31:00.000-02:00</published><updated>2005-01-08T03:04:59.996-02:00</updated><title type='text'>Crip</title><content type='html'>Tomei resoluções de ano novo. Resolução 1: escrever mais estórias. Resolução 2: aproveitar este blogue e publicá-las. Resolução 3: roubar personagens de outras estórias para fazê-lo; e outras que não são da sua conta, leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristovam "Crip" Ramirez aparenta ser mais velho do que é, tem uma aparência austera e odeia que lhe chamem de Crip, o que o lembra de uma entre suas muitas grandes feridas na vida. Desde o dia em que aconteceu, nunca mais pôde sentir seu coração bater, usa preto, frases com negativas, gargalha uma gargalhada vazia. Está obcecado com o poder de alguma forma, escondeu seu coração por trás da gargalhada e uma armadura de placas, ou talvez seja um terno, ou ainda vários títulos pomposos como "Presidente Corporativo", "Consultor para Assuntos de Gerência Externa", "Andarilho das Dimensões" ou "Sumo-Sacerdote do Deus dos Mortos", e é de fato de algum jeito poderoso, em superfície, ou mesmo em profundidade, tem aí qualquer dinheiro, contato, influência, redes de traficantes de droga e mafiosos, prostitutas sob seu controle num gueto, numa favela do Rio, hordas de fanáticos espalhados pelos planos do multiverso, uma foice encantada, um toque gélido, essas coisas todas podem mudar de jeito mas não de propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não muda é que Crip não sabe, ou sabe e não admite, que seu poder é, exacerbação do desejo semelhante de todos os seres humanos, fruto do MEDO! Crip é um medroso! Está encolhido em seu mundinho de poder e metendo-se em seu fardo de reverência pq tem MEDO MEDO MEDO MEDO MEDO! é Um covarde e um fraco, alheio à força de verdade, o único poder q importa, de levantar-se novamente após cair. ele caiu pra sempre. ele vai viver com medo medo medo MEDO! de amar e perder de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;te lembra alguém?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110516069999570021?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110516069999570021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110516069999570021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110516069999570021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110516069999570021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/crip.html' title='Crip'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110494979715647807</id><published>2005-01-05T16:08:00.000-02:00</published><updated>2005-01-05T16:31:35.523-02:00</updated><title type='text'>Talento</title><content type='html'>Acabo de ler, de novo, um exemplar daquela frasesinha (frasinha seria melhor?) manjada do Drummond, ou qquer variável dela aplicável em qquer campo de ação humana desde que o filho da puta do Calvino botou seus planos diabólicos em movimento (e o engraçadinho pergunta, "quem seria a puta do Calvino?"): poesia é 99% traspiração e 1% inspiração. Dessa vez não era poesia, não, era pintura; qquer um resolve usar essa frase pra dar a impressão de que é um batalhador, de q deu tudo de si no q fez, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drummond crer q qquer um poderia alcançar seu talento munido apenas de força de vontade e dedicação é a maior tapada de sol com a peneira já registrada; não lhe aplico o rótulo de idiota, chamemo-lhe apenas vítima de seu tempo, como qquer um. O sonho da igualdade exige esse destino incerto, alterável pela vontade apenas, e não determinado pelos sinais do passado, uma linha q vai se alterando conforme o presente mas não ao léu, justa, dependente do mérito, uma justiça humana irreal, numérica, organizada, balanceada, igualdade esta que nunca vai acontecer, quebraria a mais certa lei da vida: igualdade é um porre; amolação não rende história e mesmo o porre tem q ter cabimento narrativo. Chamar o gênio de cagão - como foi feito nos comentários abaixo - é redundância, nascer com talento é uma cagada, nascer com as condições pra usar seu talento é mais cagada ainda, e ter facilidade pro esforço é talvez o melhor talento, uma cagada monstra, enfim, a injustiça por excelência depois, quem sabe, do amor. Uma beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: a dependência da inspiração é evidente neste blogue, cujo número de postagens já declina. Como era? Uma beleza.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110494979715647807?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110494979715647807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110494979715647807' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110494979715647807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110494979715647807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/talento.html' title='Talento'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110472723437898800</id><published>2005-01-03T01:50:00.000-02:00</published><updated>2005-01-03T02:40:34.376-02:00</updated><title type='text'>Parece Até Que Você Escreveu</title><content type='html'>"Os dois pararam ali no topo da colina e ficaram fitando o pôr do sol em silêncio, mãos dadas, depois abraçando-se, admirando as tonalidades que o céu generosamente partilhava com as nuvens, até que a escuridão e as estrelas tomassem o lugar no palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura o rapaz cessou de olhar para o alto e permaneceu admirando, de perto, a moça; gravando as pequenas curvas de seu rosto, os relevos de sua mão, a altura do pescoço em que os cabelos principiavam a surgir e como, com as lufadas de vento, estes se desarranjavam. Ela sorriu levemente ao perceber isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê? - ele indagou. - O que foi?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?!&lt;br /&gt;- Eu é que pergunto! - diz ela, em meio às risadas. - Você fica aí, me olhando!&lt;br /&gt;- Num posso?&lt;br /&gt;- Pode, mas. Por que esse olhar todo, assim! Nossa, uma coisa toda, você parece que tava meditando!&lt;br /&gt;- Meditando?!&lt;br /&gt;- O que você tava olhando?&lt;br /&gt;- Você.&lt;br /&gt;- Não, sério!&lt;br /&gt;- Tô sério, ué, eu tava olhando você, não era o que você perguntou?&lt;br /&gt;- Não, é, mas.&lt;br /&gt;- Mas o quê? É proibido, tem que ter autorização?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não!&lt;br /&gt;- Então pronto, resolvido, fico olhando você, não tem problema.&lt;br /&gt;- Mas por que, garoto!?&lt;br /&gt;- Como porque, porque você é linda, ora.&lt;br /&gt;- Ai, seu brega!...&lt;br /&gt;- Linda, linda, linda, linda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas sério. - ela recomeça. - Você tava pensativo. Pensando no quê?&lt;br /&gt;- Nada.&lt;br /&gt;- Não, fala sério!&lt;br /&gt;- Em nada, assim.&lt;br /&gt;- Ninguém pensa em nada.&lt;br /&gt;- É, não, não era em nada.&lt;br /&gt;- Viu?&lt;br /&gt;- Era que. Tava pensando que, assim. Sou um privilegiado, um sortudo.&lt;br /&gt;- Ah, é?&lt;br /&gt;- É, pensa. Eu, você, aqui na colina, sozinhos, no fim do mundo, ninguém pra importunar, esse pôr-do-sol, essa coisa toda. Isso é maravilhoso. Parece que o tempo parou. Parece que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto dele muda nitidamente ao dizer isto. Está totalmente alterado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece que. Eu acho que nem mereço isso. Estar aqui com você é a melhor coisa do mundo, cada coisinha que você faz, você arrumando a cama, lavando o prato, correndo, tomando banho, é tudo lindo. E eu ficava sempre imaginando, pensando se ia ser assim, se você ia mesmo me dar qualquer bola, e se desse, se ia ser assim, eu tinha medo dessa intimidade porque sonhava tão alto com ela. Mas aconteceu e.  E é, é isso, é bom, é ótimo mesmo, eu não preciso mais ter medo de não acontecer, eu. Eu não quero nunca mais sair daqui, vou ter que sair, mas não quero, todas essas coisas bregas que dizem, "quero que o tempo pare pra nós ficarmos juntos pra sempre", isso, eu. Parece verdade, agora, eu quero mesmo que o tempo pare. Eu não te quero longe mais um segundo, eu. Isso deve parecer muita idiotice minha.&lt;br /&gt;- Não parece, não. É lindo. - ela o acariciou. - Parece até que você escreveu antes de dizer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. - ele murmurou, e suspirou enquanto fechava o caderno. - Parece.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110472723437898800?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110472723437898800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110472723437898800' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110472723437898800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110472723437898800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2005/01/parece-at-que-voc-escreveu.html' title='Parece Até Que Você Escreveu'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110442853894441597</id><published>2004-12-30T15:27:00.000-02:00</published><updated>2004-12-30T15:42:18.943-02:00</updated><title type='text'>Vaticínios</title><content type='html'>É claro que eu prevejo os andróides Data, com ou sem esse nome-referência-nerd idiota; porque é óbvio ululante que o ser humano vai tentar se replicar, e é óbvio que alguém mais prevê, previu e preverá. Prevejo isso também. Aliás, prevejo tudo. É a única coisa para a qual sirvo. E qualquer um poderia fazê-lo, não se iluda. Está escrito nas estrelas, nas linhas das mãos, nas pedras, nas cartas, nos grãos de areia, nos mapas de relevo e nas ondas; padrões ondulantes, princípios universais se refletindo, entrelaçando, sobrepondo e devorando; vozes e letras e bocas e dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é qquer coisa assim cruel que morde antes de comer, uma criatura mesquinha e vingativa que toma para si tudo que a percebe em sua irrelevância, sua inexistência, rancoroso de não poder ser, ter sido ou vir a ser, como anjos a invejar os macacos que principiavam a andar eretos para tornarem-se homens. Eu vejo isso. Eu vi que veria. E até poderia escolher não ver, mas vaticínio não tem botão de desliga.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110442853894441597?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110442853894441597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110442853894441597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110442853894441597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110442853894441597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/vaticnios.html' title='Vaticínios'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110436140187281881</id><published>2004-12-29T20:22:00.000-02:00</published><updated>2004-12-29T21:03:21.873-02:00</updated><title type='text'>Eu Não Tenho Botão de Desliga</title><content type='html'>Os robôs andróides da série Data foram, após um protótipo bem-sucedido, os primeiros a receberem um chip emulador de emoção humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um desastre. O andróide original, junto com outros 4, foram os únicos a aceitar bem o upgrade, tendo os demais em sua maioria se tornado depressivos, violentos, obcecados ou, simplesmente, preguiçosos improdutivos, inúteis para a sociedade. Foram inúmeras queixas humanas e de outros andróides mas, principalmente, dos próprios modelos Data, que amaldiçoavam o dia em que receberam o chip (que, aliás, lhes permitira a peculiaridade de amaldiçoar). Queixavam-se das mágoas, da rejeição, do desejo, do medo e da dúvida. Tornou-se comum uma compulsão mista, simultânea, pelo convívio com humano e pela mentira, que passou a ser conhecida como Síndrome de Pinóquio. Houveram alguns casos de suicídio, outros de homicídios, e muitos de agressão de diversas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para reparar este problema a companhia fabricante, Z., decidiu, após muitas pesquisas em caráter de emergência, implementar na série uma função simples e eficaz: um botão de desligamento do chip emulador. Bastaria aos Data então, que, sempre que suas emoções os atormentassem, apertassem o botão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fracasso absoluto. O botão nunca foi utilizado. E todos os robôs, sem exceção, ao serem perguntados acerca do motivo de tal atitude, foram unânimes em sua resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não tenho botão de desliga."&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110436140187281881?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110436140187281881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110436140187281881' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110436140187281881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110436140187281881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/eu-no-tenho-boto-de-desliga.html' title='Eu Não Tenho Botão de Desliga'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110417810943999179</id><published>2004-12-27T17:57:00.000-02:00</published><updated>2004-12-27T18:08:29.440-02:00</updated><title type='text'>Concentração</title><content type='html'>Délia tinha muita dificuldade de se concentrar. Como estava há tempos tentando passar para um concurso público, aquilo a atrapalhava terrivelmente, do momento do estudo à própria execução da prova. Uma festa no play do prédio, uma sirene, uma conversa ao telefone, alguém pedindo para ir no banheiro, até mesmo um eventual inseto; tudo, tudo tinha capacidade de lhe arrancar a concentração e destruir sua linha de raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que certo dia houve um concurso muito importante, e ela disse a si mesma: "muito bem, Délia, agora chega! Você passou a vida sendo atrapalhada por um monte de detalhes insignificantes. Isto acaba aqui, e acaba agora: hoje nada, nada neste mundo irá me distrair, não importa o que aconteça. Não importa que gritem, que batuquem na mesa, não importa que haja barulho lá fora; mesmo que esteja tendo um tiroteio, mesmo que haja um terremoto, mesmo que esse edifício comece a desabar ou pegar fogo, eu não vou olhar pra nada, nem pensar em nada além desta folha de papel!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu soterrada.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110417810943999179?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110417810943999179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110417810943999179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110417810943999179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110417810943999179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/concentrao.html' title='Concentração'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110409046930261863</id><published>2004-12-26T17:13:00.000-02:00</published><updated>2004-12-26T17:47:49.303-02:00</updated><title type='text'>Lindo</title><content type='html'>Estou andando em chão já pisado com isso, mas andei pensando. Na base contraditória da cultura clássica, e sua eventual destruição; faço isso bastante, sabe, é meu trabalho. Andei pensando q é impressionante como até os maiores gênios no fundo são imbecis. Ou talvez seja a tal cegueira, o ponto de vista humano e limitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, Platão, sua bichona, em toda sua crítica contundente ao amor, a Eros, semi-deus, a mais injusta das criaturas, qdo foi q vc ousou dizê-lo... feio? nunca. Estava na sua cara, retardado. Na sua cara. Justiça não é beleza. O Bem não é beleza. Beleza é esta merda aki de baixo, esta mais bela das tragédias: beleza é fome, miséria e morte; beleza é fulano que ama cicrana que ama beltrano q amava alguém q não amava ninguém, sem poção mágica pra consertar tudo. As coisas dando espetacularmente errado, ou só errado, tudo desigual, tudo injusto; e q vate nos cantaria se fosse de outra forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem q ser lindo, lindo! Tem q dar até vontade de chorar!...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110409046930261863?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110409046930261863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110409046930261863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110409046930261863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110409046930261863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/lindo.html' title='Lindo'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110382537848200340</id><published>2004-12-23T15:20:00.000-02:00</published><updated>2004-12-23T16:09:38.483-02:00</updated><title type='text'>Pontuação</title><content type='html'>Estou entrando num surto de ódio. Ou de saco cheio. Ou os dois. Um surto de ódio com as coisas que têm cara de velha porque eu já entendi tão perfeitamente bem como funcionam e não consigo preencher este relatório de requisição de material pra pesquisa de merda, pq sei exatamente o q a merda da faculdade vai me responder qdo eu terminar e entregar no protocolo, se é q ele vai estar aberto; ela vai responder q naum e eu vou virar as costas e dizer bem baixinho pra eles tomarem no cú, pq se falar alto me demitem e eu passo fome. E continuo sendo todo explicadinho, odeio ser todo explicadinho, tinha prometido a mim mesmo deixar de ser explicadinho mas adoro quebrar esse tipo de promessa, caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então estou visitando blogues. Nunca tinha feito isso. Blogues são absolutamente idiotas. Naum sei se o pior são os ilegíveis, as colunas sociais, ou os q ficam recitando suas músicas preferidas. E lê-se as pessoas tão facilmente nestas merdas, imagino se elas percebem seus espelhos de erro, fuga e mediocridade, e  vc sabe exatamente o q esperaria de cada uma delas se as encontrasse na rua, os tipos de conversa, de riso, de timidez criada ou extroversão forçada, de gíria. Quem foi o imbecil q disse q gente é imprevisível? Gente é a coisa mais previsível do mundo. Nem vale mais o esforço de conhecer. Agora só por obrigação, e ainda estou enjoado do riso feliz do Reitor, do jeitão de bicha do diretor, e se algum outro aluno vier me convidar pro Forum Social não respondo por meus atos. Vc quer uma desculpa pra fumar maconha e abordar umas mocinhas desconhecidas? Deixe a História fora disso. No último convite q recebi o aluno me falou q "Hobsbawn estaria lá, conosco, se estivesse vivo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devo merecer isso, aliás mereço. Estou escrevendo aki pq perdi o saco de amassar as folhas de caderno, ando meio sem centro, o XI canto tirou meu centro totalmente, acho q é o q cantos da Ilíada me fazem, socorro! estou errando a pontuação de novo! eu já não sei mais pontuar! eu não aguento mais dezembro, queria o natal só com a parte em q fico sozinho em casa lendo o dia inteiro sem ter q me preocupar com a porra do jantar de família q vem depois. Odeio presentes, ninguém nunca acerta a porra do presente pra mim pq ninguém sabe o meu gosto com a porra das roupas; e nem queiram saber o q acontece qdo alguém tem a brilhante idéia de me dar um livro. eu juro. eu. tenho uma válvula de escape na publicidade, estou livrando meus surtos de ódio de seu trágico trajeto rumo à lata de lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, Heitor, larga a cisma com as personagens ruivas. não quero ver nenhuma delas pisando no blogue, tome um rumo, pense em outra coisa. pela última vez, Andrômaca não era ruiva. pare de me perguntar isso! e pela última vez, leitores, não esperem q eu me dê ao trabalho de indicar qdo estou me referindo a qual Heitor. mas na dúvida, se seu amigo tiver esse nome e encontrar um cara chamado Aquiles, informe-o de q está fudido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou eskecendo a merda da pontuação de novo e este artigo está sem título. pronto, pensei.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110382537848200340?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110382537848200340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110382537848200340' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110382537848200340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110382537848200340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/pontuao.html' title='Pontuação'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110377042780321312</id><published>2004-12-22T23:49:00.000-02:00</published><updated>2004-12-23T00:53:47.803-02:00</updated><title type='text'>Os Manuscritos</title><content type='html'>Respostas sobre a criação do cosmos, a existência de um criador, propósito para o Universo, para a vida, ou o modo como todas essas coisas são e funcionam de fato sempre abundaram em todas as culturas, criadas ou obtidas das mais diversas formas. Uma nova, polêmica e, por que não? Original resposta foi recentemente encontrada, através dos assim batizados "Manuscritos da Lagoa Rodrigo de Freitas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais manuscritos foram encontrados, conforme sugere o nome, às margens da Lagoa, por um grupo inocente de jogadores de basquetebol, e eram guardados por uma temível criatura denominada simplesmente de "A Capivara". Escritos em hieroglifos de compreensão dificílima, eles contam a História da criação e do Cosmos em uma série de diálogos entre duas criaturas de identidade desconhecida, denominadas simplesmente de "Eu" (ou "Mim") e "Você" (ou "Cê", ou "Tu"), que frequentemente se confundem, e que não se pode dizer ao certo serem pai/mãe e filho/filha, cônjuges, amigos, inimigos, ou simplesmente 2 desconhecidos com um hobby estranho em comum. O que se sabe com certeza, porém, é que eles definitivamente não tinham nada melhor pra fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, tudo funciona como uma espécie de jogo em turnos, semelhante a uma partida de tabuleiro ou Civilization, com regras que ou são incrivelmente complexas, ou estão constantemente se alterando - o que se torna ainda mais difícil de dizer, visto que somente um dos dois interlocutores demonstra conhecê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Membro do grupo que vem analisando o objeto, o cosmólogo Rafael Perez permanece cético, e declarou que a impossibilidade de determinar a idade dos manuscritos por qualquer um dos meios científicos disponíveis não deve acirrar os ânimos quanto à sua origem remota, que dirá quanto à veracidade das informações neles contidas. "Acredito que as medições possam estar sendo atrapalhadas pelo n° incrível de toxinas presentes nos manuscritos e na água. Mas por outro lado, isso permite chegarmos à conclusões ainda mais impressionantes: em linguagem leiga, seria como se a água da Lagoa transcendesse o tempo e o espaço, de tão suja. É absolutamente fascinante." Perez também alertou para o risco de fraude, evidenciado pela enorme semelhança dos papiros com folhas de caderno da marca "Kajoma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os adeptos do Freitismo (ou Capivarismo), religião surgida a partir da descoberta, por sua vez, refutam totalmente estas declarações, e alegam que a palavra Kajoma significa "O Jogo Começou" (ou, para algumas interpretações divergentes, "Silêncio, porra!").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem alguns trechos já traduzidos dos Manuscritos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Muito bem, então. Movi todas as minhas galáxias. E as minhas estrelas. E agora?&lt;br /&gt;- Agora passa a rodada e estamos em... 7 bilhões e 250 milhões pós Big Bang.&lt;br /&gt;- Peraí, 7 e 250?! Mas as rodadas não duravam meio bilhão de anos?&lt;br /&gt;- Não, não, escuta só: as 4 primeiras rodadas duravam 1 bilhão, as 6 depois duravam meio bilhão, mas a partir de 7 bilhões elas passam a durar 250 milhões de anos.&lt;br /&gt;- Ih... sei não, hein. Acho que Você só tinha falado -&lt;br /&gt;- Minha vez!&lt;br /&gt;- Ô, saco.&lt;br /&gt;- Bom, então eeeeu... uso essa minha estrela aqui pra gerar um buraco negro.&lt;br /&gt;- Um o quê?!&lt;br /&gt;- Buraco negro. Matéria condensada, sugando toda a luz ao redor.&lt;br /&gt;- Que chutado.&lt;br /&gt;- Está nas regras.&lt;br /&gt;- Tem certeza? Parece mais alguma coisa que Você inven -&lt;br /&gt;- 3.454 pontos pra mim.&lt;br /&gt;- Iiiih...&lt;br /&gt;- Bom, agora vou mover esse planeta pra cá e fazer ele orbitar essa outra estrela aqui e... pronto. Um sistema estelar. Como é o primeiro sistema estelar do jogo, eu ganho 200 pontos extras... aí somando dá 637... mais os 200, 837, fico com 17.902 no total do jogo. E ganho 3 movimentos extras. Então uso o primeiro pra mover o sistema 6 quadros.&lt;br /&gt;- Pera lá, 6 quadros!? Não eram 3 quadros por turno!?&lt;br /&gt;- Não, não, movimentos bônus contam como rodadas, não turnos. Você vive se confundindo.&lt;br /&gt;- Não vivo porra nenhuma! Você é que não explica direito!&lt;br /&gt;- Você não explica nada!&lt;br /&gt;- Eu estou falando de Você!&lt;br /&gt;- Não, Eu é que estou falando de Você!&lt;br /&gt;- Isso não faz sentido! Pensei que Você fosse Você, e Eu fosse Eu.&lt;br /&gt;- Mas Eu sou Eu!&lt;br /&gt;- Não, Eu sou Eu!&lt;br /&gt;- Então!&lt;br /&gt;- Nao, estou falando da palavra! A palavra Eu. A palavra Eu é o nome de Eu, entende?&lt;br /&gt;- Entendo. É o meu nome.&lt;br /&gt;- Não! É o Meu nome!&lt;br /&gt;- Péra, isso tá muito confuso.&lt;br /&gt;- É o que estou dizendo! Afinal, quem sou Eu, e quem é Você?&lt;br /&gt;- Hm...&lt;br /&gt;- Então?&lt;br /&gt;- ... olha, com esse sistema na nova posição, eu formei minha 3ª galáxia! São mais 5.971 pontos!&lt;br /&gt;- Ah, chega dessa merda!&lt;br /&gt;- O que você fez?!&lt;br /&gt;- Chutei essa merda desse jogo porque tô de saco cheio, torrado dele, não aguento mais Você inventando essas porras dessas regras o tempo todo, Você é um ladrão filho da puta, seu -&lt;br /&gt;- Não, não, o que você fez com esse planeta aqui?!&lt;br /&gt;- Que planeta?&lt;br /&gt;- Esse azul, aí, do lado daquela estrelinha.&lt;br /&gt;- Qual planeta, caralho?&lt;br /&gt;- O terceiro, da esquerda pra direita.&lt;br /&gt;- Sei lá, porra. Tem umas... coisas se juntando nele. São é... como Você chamou, molares?&lt;br /&gt;- Moléculas.&lt;br /&gt;- Que porra é essa?&lt;br /&gt;- Acho que são... hm... seres vivos. É, é, são sim. Uau, Você montou os primeiros seres vivos!&lt;br /&gt;- Isso é bom?&lt;br /&gt;- É ótimo, são 26.446 pontos!&lt;br /&gt;- Ah. Hm. Então eu tô liderando?&lt;br /&gt;- Tá.&lt;br /&gt;- Muito bom. E é minha vez?&lt;br /&gt;- Não, ainda sou eu.&lt;br /&gt;- Ô, porra!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais trechos serão postados conforme a tradução for progredindo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110377042780321312?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110377042780321312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110377042780321312' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110377042780321312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110377042780321312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/os-manuscritos.html' title='Os Manuscritos'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110366352725338529</id><published>2004-12-21T18:42:00.000-02:00</published><updated>2004-12-21T19:12:07.253-02:00</updated><title type='text'>Amantes da Chibata</title><content type='html'>Ouvi o termo numa palestra na UFF, pouco tempo atrás; o prof., acho q o nome era Giovanni, apontou para uma revista do gênero "Istoé Dinheiro" e falou: "conto de fadas". A matéria da capa era "Melhores Empresas nas Gestões de Pessoal". Foi de matar de rir. Acho q o Dr. Professor, era Alvez? Alvarez? não compartilha meu interesse mais profundo por contos de fadas, mas foi de matar. Estar alegre num emprego de ensacador é como agradecer por uma dúzia de chibatadas, é beijar os pés de Pôncio Pilatos, uma moral assim meio cristã monty pythoniesca, uma coisa quase non-sense. Por favor, por favor, trate-nos como escravos, senhor, senhor! Oh, o senhor é tão bondoso, olhe, aki, uma capa de revista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, a alienação; o ser humano faz qquer coisa pra passar adiante a batata-quente do livre-arbítrio. Eu já não disse isso? Devo ter dito. Não há liberdade senão a escolha das dependências, não há direitos senão os dos consumidores/servos/criados/vassalos. Somos como um bando de troianos capturados: menos q gente, temos espírito de escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nota: acho q está havendo uma espécie de acordo tácito neste blogue. Heitor está se restringindo a escrever estórias; não queria esse tipo de divisão, a princípio. Mas eu sempre quero muitas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nota 2: pseudônimo é a vó.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110366352725338529?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110366352725338529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110366352725338529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110366352725338529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110366352725338529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/amantes-da-chibata.html' title='Amantes da Chibata'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110356352106061707</id><published>2004-12-20T14:16:00.000-02:00</published><updated>2004-12-20T15:25:21.060-02:00</updated><title type='text'>A Sutil Armadilha do Demônio</title><content type='html'>Isabella era canhota. Nunca achou que isso a diferenciasse muito do restante da humanidade e, afora uma ocasião em que sua tia-avó biruta tentou obrigá-la a comer com a direita quando muito nova, nunca havia lhe trazido nenhuma dificuldade. As carteiras do colégio onde estudara sempre foram de apoio largo o bastante para acomodar sua postura meio torta; tinha a caligrafia bonita, marcante, legível, e gostava de não ter que trocar os talheres de lado antes de comer em jantares formais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto só durou até o dia de sua primeira aula na faculdade, por meio da qual ambicionava realizar o muito antigo sonho de ser professora, quando, ao entrar na sala, descobriu, para seu assombro, que lá não havia uma única carteira para canhotos. Buscas nas demais salas, tanto as vazias quanto as ocupadas, e até mesmo nos depósitos, foram em vão. Ela ainda retornou para o segundo tempo e tentou escrever se entortando para o outro lado, novamente fracassando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabella sentia, pela primeira vez em sua curta existência, a dor da desigualdade. Estava indignada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um mínimo de investigação descobriu toda uma história de injustiça e preconceito da faculdade com os canhotos, partindo de sua origem como ordem religiosa, numa época em que a canhotice era punida com mãos atadas, palmatórias, e até mesmo sessões de exorcismo em casos extremos. Até hoje o contrato de compra de carteiras deixava expressamente claro que apenas as destras seriam produzidas - o que valia um abatimento considerável, vale acrescentar. Na mente da jovem ia se clareando a perversa perpetuação de um preconceito milenar, ultrapassado e injusto. Aquilo mexeu com seus brios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela iniciou ali o que se tornaria uma cruzada. Diante da inércia do Diretor, Vice-Reitores e Reitor, que após visitas em série logo aprenderam a reconhecer o semblante da moça à distância (e evitá-lo), ela passou a recolher abaixo-assinados de outros canhotos oprimidos pela faculdade, medrosos de manifestarem sua indignação ou, pior, ignorantes da magnitude da injustiça cometida contra eles; e não demorou para que também todos os alunos também aprendessem a reconhecer seu semblante a distância (e procurá-lo). Com simpatia e carisma ela logo conseguiu adesão da imensa maioria dos alunos à sua causa (destros inclusos), um fiel séquito de admiradores, uma vaga na diretoria e muito respeito no Centro Acadêmico. Tal força não pôde mais ser ignorada pelos dirigentes, que ao final de um ano de protestos concordaram em adquirir carteiras de canhotos suficientes para preencher um quinto do total em sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora Isabella não tinha mais a intenção de parar aí. Ela sabia que em muitas outras faculdades e colégios espalhadas pelo país havia centenas de milhares de canhotos injustiçados, que precisavam de apenas uma voz, alguém que os despertasse e representasse, e não iria mais descansar até que cada um deles tivesse sua carteira. Passou a se articular e ganhar força dentro da União Nacional de Estudantes, aproveitando-se de sua flexibilidade política; promovia inspeções, palestras, reuniões de canhotos, passeatas. Percebeu que não bastava apenas assegurar as carteiras especiais: era preciso extirpar o preconceito anti-canhoto em todas as suas formas. Ela redigiu o primeiro manifesto pró-canhoto, organizou festas e eventos pró-canhotos, criou a cartilha de educação contra preconceito a canhotos e, como culminação de seus planos, lançou sua candidatura a vereadora, alavancando um até então partido nanico rumo a um papel significativo na política municipal, e iniciando o que seria uma promissora carreira com ideais nobres, ainda que quase impossíveis: era preciso tratar os desiguais desigualmente, através de ações afirmativas. Entre seus planos e propostas havia leis que garantiam a fabricação e venda a preços módicos de canetas especiais para canhotos, reserva de lugares à esquerda da parede em restaurantes, lanchonetes e afins, o direito de praticar pólo, além do plano máximo: a proibição e punição de qualquer uso público dos termos "canhoto" ou "sinistro" de maneira pejorativa, um ideal que consumiria a maior parte do tempo da vida e da muito bem sucedida carreira política de Isabella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nunca mais pisou em uma sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110356352106061707?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110356352106061707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110356352106061707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110356352106061707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110356352106061707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/sutil-armadilha-do-demnio.html' title='A Sutil Armadilha do Demônio'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110331766728457087</id><published>2004-12-17T18:42:00.000-02:00</published><updated>2004-12-17T19:07:47.283-02:00</updated><title type='text'>Alessandro</title><content type='html'>Alessandro Hermes de Lima. Nascido em 1970. Formado em História pela Estadual, mestre e doutor em História Clássica pela UFF. OU qualquer coisa parecida. Desistiu de letras e de uma pós em grego antigo por crer que estuda línguas melhor sozinho; a julgar pelo número de idiomas que conhece, incluindo o dialeto homérico, sem nunca ter ido a um único curso, parece fazer sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em fins de 2000 e início de 2001, escreveu um documento de 51 páginas de word a respeito dos eventos de sua vida no ano de 1986, sobre seu amor por uma amiga de classe do colégio, e sobre como julga ter desvendado, à época, o mistério por trás das palavras de Homero no VI cântico da Ilíada, que abrem este blog. Sua intenção então era nunca vir a compartilhar tal texto em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo atrás, Alessandro, lendo uma versão web em inglês da Ilíada, teve uma nova revelação que abalou profundamente suas crenças, sua maneira de escrever, a frequência com que o faz, e seu desejo de compartilhar as palavras - ou, pode-se dizer, o desejo de não as compartilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem, ou tinha, mania de relacionar os eventos de sua vida a nomes e acontecimentos dos épicos homéricos, e diz estar surpreso por ter levado tantos anos para reparar que era Heitor o interlocutor de Helena no VI cântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidência?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110331766728457087?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110331766728457087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110331766728457087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110331766728457087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110331766728457087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/alessandro.html' title='Alessandro'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110331595983967522</id><published>2004-12-17T18:32:00.000-02:00</published><updated>2004-12-17T18:39:19.840-02:00</updated><title type='text'>Superficialidade</title><content type='html'>A geração bit e esta internet feita de superficialidades - a diversidade cultural, a democracia de expressão, é uma maravilha! maravilha! - às vezes me cansa. Às vezes me enfurece. Não consigo escapar dela. Sou seu perpetrador: não leio, não escrevo mais que alguns parágrafos, pulo as linhas, deixo a profundidade pra mais tarde. Minha mais nova auto-enganação é achar q um vocabulário mais pomposo e períodos curtos podem substituí-la. Bit, bit, bit; filosofia fingida e fatiada.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110331595983967522?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110331595983967522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110331595983967522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110331595983967522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110331595983967522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/superficialidade.html' title='Superficialidade'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110321635522592327</id><published>2004-12-16T14:46:00.000-02:00</published><updated>2004-12-16T14:59:15.226-02:00</updated><title type='text'>O Abismo de Narciso</title><content type='html'>Você tem que me ajudar, ele dizia, tem que me ajudar. Eu a matei, matei e o sangue não sai da minha roupa, o sangue não sai nem da minha mão e não vai sair nunca. Você já fez isso, você já esteve na minha pele, já matou, já falhou em proteger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, responde Philippo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já pecou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, responde Philippo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até hoje o arrependimento o persegue, o sangue não sai da sua roupa, ele chorava quase babando na roupa, na barba. Sim, eles eram irmãos de culpa, irmãos em sua miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philippo estendeu-lhe a mão para oferecer abrigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o outro não levantou - puxou-o pelo braço e sacou da faca, rindo macabramente por debaixo dos trapos imundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os piores abismos parecem espelhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110321635522592327?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110321635522592327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110321635522592327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110321635522592327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110321635522592327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/o-abismo-de-narciso.html' title='O Abismo de Narciso'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110312943947319437</id><published>2004-12-15T14:26:00.000-02:00</published><updated>2004-12-15T18:46:55.866-02:00</updated><title type='text'>Oráculos</title><content type='html'>E quem ousaria dizer nunca ter feito o mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem, em sua diminuta condição humana, não buscou desesperadamente uma justificativa objetiva de suas próprias escolhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E afinal o que é a razão, a matemática, a ciência, a crítica? O assombro diante da multidão qualitativa da vida, a tentativa tosca e falseada de quantificar, criar um método de escolha ilusoriamente separado de seu criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não é que eu prefira a tragédia", argumente Aristóteles, da hoste dos barbudos escrotos, "mas os critérios de julgamento racional elucidam que ela é superior à comédia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não é que nós o tenhamos escolhido", dizem o examinador, o espectador da corrida de fórmula 1 ou o torcedor do flamengo, "mas ele provou ser melhor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sim, repitamos o mote. Eu não escolhi uma vida medíocre, o mundo é assim mesmo. Não é que eu não goste de fadas e fantasmas, mas está comprovado que elas não existem. Não é que eu acredite em Deus, mas a lógica (sim, é claro, Agostinho) demonstra racionalmente a necessidade de um criador absoluto e todo-poderoso. Não é que eu odeie a burguesia, ela é inimiga do povo. Não é que eu goste desse programa, mas não tem nada melhor pra fazer. Não é que eu tenha escolhido ser bicha, está no DNA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci assim, acontece assim, é assim que é. Não é minha culpa, não fui eu, mamãe! Não fui eu! Eu não pude fazer nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shhh, calma, calma. Não foram vocês, foram as parcas, as fúrias, as rodas do destino. Foram os oráculos! Febo Apolo feio, feio, feio! ai ai ai!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110312943947319437?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110312943947319437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110312943947319437' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110312943947319437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110312943947319437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/orculos.html' title='Oráculos'/><author><name>Alessandro Lima</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03495526465448421204</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8796334.post-110312714674521271</id><published>2004-12-15T13:22:00.000-02:00</published><updated>2004-12-15T14:14:14.266-02:00</updated><title type='text'>Unless Hector Falls By My Spear</title><content type='html'>Alessandro deixou-se cair sobre a cadeira, sem tirar os olhos da tela do computador e, ao mesmo tempo, sem enxergá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras de Aquiles ainda pairavam ali, à sua frente, no inglês mal-traduzido, proseado, que ele tinha ido verificar por diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"For now you shall have grief infinite by reason of the death of that son whom you can never welcome home- nay, I will not live nor go about among mankind unless Hector fall by my spear, and thus pay me for having slain Patroclus son of Menoetius."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já nem sabia quantas vezes tinha lido esta passagem, ou mesmo o texto na íntegra, em quais versões e em quais línguas. Julgava compreendê-lo em todos os sentidos possíveis - mas naquela tarde, subitamente, a lembrança o atingiu como um soco no estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele retornou ao XI cântico e chegou a recitar as palavras conforme recordava, no homérico original - o trecho em que Agamenomne matava Pisandro, filho de Antímaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia mais de um Pisandro. Na verdade, havia muitos. Era um nome comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia uma profecia que ligasse, de forma misteriosa, seu nome aos eventos do velho épico - mas mesmo que houvesse, em que isso o inocentava? Não tinha ele, como Aquiles, até como Heitor (&lt;em&gt;Three times have I fled round the mighty city of Priam, without daring to withstand you, but now, let me either slay or be slain, for I am in the mind to face you&lt;/em&gt;) escolhido o destino que para ele havia sido escrito? Não escolhera ele falhar? Não tornara sua vida uma emocionante tragédia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8796334-110312714674521271?l=pisandro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pisandro.blogspot.com/feeds/110312714674521271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8796334&amp;postID=110312714674521271' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110312714674521271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8796334/posts/default/110312714674521271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pisandro.blogspot.com/2004/12/unless-hector-falls-by-my-spear.html' title='Unless Hector Falls By My Spear'/><author><name>Heitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08989366995725377570</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
